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27/11/2006
NELSON PESSOA .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . .
O ‘feiticeiro’ brasileiro

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Nome: Nelson Pessoa
Data de nascimento: 16 de dezembro de 1935
Local: Rio de Janeiro
Carreira como ginete: de 1961 a 2000
Principais resultados:
-
Como ginete
Campeão pan-americano por equipes e vice individual (Winnipeg/67)
Quinto lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio/64
Recordista de vitórias (sete) no Derby de Hamburgo
Tricampeão do Derby de Hickstead
Campeão Europeu (1964)
Vencedor de 150 GPs na Europa
Vencedor de mais de 100 provas de Potência
Tetracampeão Brasileiro
- Como técnico
Medalhas olímpica de bronze por equipe nos Jogos de Atlanta/96 e Sydney/2000
Medalha olímpica de bronze individual com o saudita Khaled Al Eid em Sydney/2000
Medalha olímpica de ouro individual com Rodrigo em Atenas/2004
Participações olímpicas: Melbourne/56, Roma/60, Tóquio/64, México/68 e Munique/72

Por Marta Teixeira

Considerado o melhor cavaleiro brasileiro de todos os tempos, Nelson Pessoa virou uma grife internacional. Técnico e responsável por um dos mais famosos Centros de Treinamento na Bélgica, ele é uma referência toda vez que se fala em hipismo. Pai do campeão olímpico Rodrigo Pessoa, Neco, como é conhecido, tem sempre seu nome ligado a adjetivos como especialista, mago, estudioso e feiticeiro nas muitas reportagens que são feitas a seu respeito na Europa.

Para ele, tudo fruto da superação de obstáculos. “Sempre me mantive com bom rendimento esportivo, mesmo com dificuldade para obter cavalo. Até certo momento da carreira, não dispunha de sponsor (patrocínio) nem de cavalos caros e sempre tive meus cavalos preparados por mim mesmo. Cavalos que não tinham uma reputação e que fiz campeões. Foi daí que veio este apelido, porque as pessoas achavam que havia alguma mágica, algum segredo. Mas não. Era minha dedicação e minha qualidade como cavaleiro e adestrador”.

Na história brasileira em Jogos Pan-americanos, seu nome também ocupa um espaço especial. Neco integrou a heróica equipe que ultrapassou as expectativas e conquistou a primeira medalha da modalidade no torneio, em Winnipeg-67 – ao lado de Antônio Alegria Simões, José Roberto Reynoso Fernandes e do coronel Reynaldo Ferreira – e ainda faturou a prata na competição individual.

Na disputa, superaram Canadá e Estados Unidos, duas equipes que iriam brilhar nos Jogos Olímpicos do México-68. “O Canadá ganhou a medalha de ouro por equipe e os Estados Unidos o ouro individual (na Olimpíada). Era uma concorrência realmente forte. Foi uma grande aventura e uma das vitórias que eu tenho mais em recordação como valor esportivo”.

Morador da Europa desde o início da década de 60, com certeza Neco é um dos responsáveis pela evolução e reconhecimento do hipismo brasileiro no exterior. Sua carreira começou quando a modalidade ainda era praticamente um feudo militar.

Civil, o primeiro contato com o hipismo ocorreu aos 8 anos, por estímulo do pai “um cavaleiro diletante, que montava um pouco”, define Neco. “Eu peguei o mesmo vírus e até hoje vivo para os cavalos. Passamos para o Rodrigo e vamos ver o que vem por aí”, brinca o avô de Cecília, primeira filha de Rodrigo com a norte-americana Keri Potter.

Mas o começo foi um pouco complicado para Neco. “Eu não gostava, tinha medo do cavalo”, confessa. O receio inicial, contudo, logo deu lugar à paixão e quatro anos mais tarde ele já disputava provas. Logo na primeira competição, subiu ao pódio. Uma recordação ainda bastante viva em sua memória. “Eu me lembro perfeitamente. Era a Taça Vilma Bréia, uma prova para cavaleiros debutantes de 1,10m/1,20m na Hípica Brasileira. Eu ganhei um bronze muito bonito que conservo até hoje”. Os prêmios acumulados ao longo da carreira, aliás, espalham-se por sua casa na Europa e na dos pais, no Rio de Janeiro.

Nesta época, a presença militar no esporte foi diminuindo porque os regimentos de cavalaria foram sendo extintos. Em contrapartida, o número de praticantes civis crescia com a proliferação dos clubes hípicos e o esporte foi se expandindo por todo o país. Ainda juvenil, Neco começou a se destacar em competições nacionais, principalmente no Rio porque eram raras as disputas interestaduais pela dificuldade de transportar os cavalos. Aos 18 anos já era integrante da seleção brasileira, dando início à expansão de seus horizontes. “Ia participando de competições internacionais, na Argentina, Chile, Estados Unidos e Europa”.

Em 1953, conquistou o Grande Prêmio Internacional de Buenos Aires, seu primeiro título no exterior e também a primeira participação da seleção fora do país. A partir daí construiu uma das carreiras mais vitoriosas do circuito internacional. Neco venceu mais de 150 GPs internacionais, foi campeão pan-americano por equipe e vice no individual. É o recordista de vitórias no Derby de Hamburgo (sete) e no de La Baule (seis) e tetracampeão brasileiro. No exterior, é visto como o Pelé do hipismo brasileiro.

A guinada na carreira foi dada em janeiro de 1961, menos de um mês após casar-se com Regina. Aos 24 anos, ele troca o Brasil pela Europa, decidido a viver no principal centro hípico do mundo. O casal fez a primeira parada em Genebra, na Suíça, onde ficou quase oito anos.

Em 1963, Neco surpreendeu a todos conquistando o título do Campeonato Europeu. Mas mesmo com toda a distância da terra natal nunca se afastou da raiz brasileira e sempre fez questão de representar o país nas principais competições. Em 1964, volta a integrar a delegação olímpica nos Jogos de Tóquio, como havia feito em Melbourne/Estocolmo-56 e Roma-60, e obtém o quinto lugar individual. Nas edições do México-68 e Munique-72, ele também representou o país, mas não chegou tão próximo ao pódio.

Da Suíça, Neco seguiu com a família para a França, onde nasceu o filho Rodrigo e permaneceram até 1981. Neste ano, mudam-se para a Bélgica estabelecendo-se definitivamente.

Neco manteve-se em atividade como cavaleiro até o ano 2000. Mas a aposentadoria não o afastou do hipismo. Com o talento reconhecido na Europa, tornou-se técnico bastante disputado. Treinou cavaleiros de vários países. Assumiu a responsabilidade pela preparação de equipes nacionais na Europa, Oriente Médio e também a do Brasil. “Como atleta você tem que demonstrar na pista e não tem satisfações a dar a ninguém. A satisfação que você tem é ganhar de seus adversários. Já como técnico e selecionador você tem uma parte administrativa, uma parte política que precisa manipular com prudência e diplomacia”, compara.

Foi sob seu comando que a equipe brasileira conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta-96, a primeira do país na modalidade. Na Olimpíada de Sydney-2000 foi responsável tanto pela equipe brasileira, medalhista de bronze, quanto pela Arábia Saudita, que teve Khaled Al Eid conquistando o bronze individual.

Neste mesmo ano, Neco e seu filho inauguram o Manège Pessoa – Haras de Ligny, atraindo ainda mais interessados em aprender com a experiência do mago dos cavalos. Mas talvez seu grande testemunho como treinador tenha sido dado no dia-a-dia.

Contrariando a máxima que santo de casa não faz milagre, ele motivou e treinou o filho, que hoje também é uma referência internacional. Tricampeão da Copa do Mundo, campeão olímpico (Atenas-2004) e medalhista de bronze por equipe (Atlanta-96 e Sydney-2000), Rodrigo tornou-se o grande prêmio de toda dedicação de Neco.

“Rodrigo nasceu no meio de troféus, de cavalos, quadros, filmes, fotografias e também se apaixonou pelos cavalos. Eu o aproximei do esporte hípico com os pôneis, Rodrigo aderiu a esta vida e se transformou em um dos maiores esportistas do mundo eqüestre atualmente. Ele é um profissional exemplar, representante dos cavaleiros junto à Federação Internacional e faz com que o Brasil seja considerado uma grande nação do esporte eqüestre no mundo”, elogia o pai orgulhoso.

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