O ‘feiticeiro’
brasileiro
| Foto: Djalma Vassão/Gazeta
Press |
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Nome: Nelson Pessoa
Data de nascimento: 16 de dezembro
de 1935
Local: Rio de Janeiro
Carreira como ginete: de 1961 a
2000
Principais resultados:
- Como ginete
Campeão pan-americano por equipes e vice individual
(Winnipeg/67)
Quinto lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio/64
Recordista de vitórias (sete) no Derby de Hamburgo
Tricampeão do Derby de Hickstead
Campeão Europeu (1964)
Vencedor de 150 GPs na Europa
Vencedor de mais de 100 provas de Potência
Tetracampeão Brasileiro
- Como técnico
Medalhas olímpica de bronze por equipe nos Jogos
de Atlanta/96 e Sydney/2000
Medalha olímpica de bronze individual com o saudita
Khaled Al Eid em Sydney/2000
Medalha olímpica de ouro individual com Rodrigo
em Atenas/2004
Participações olímpicas: Melbourne/56,
Roma/60, Tóquio/64, México/68 e Munique/72 |
Por Marta Teixeira
Considerado o melhor cavaleiro brasileiro de todos
os tempos, Nelson Pessoa virou uma grife internacional.
Técnico e responsável por um dos mais famosos Centros
de Treinamento na Bélgica, ele é uma referência toda
vez que se fala em hipismo. Pai do campeão olímpico
Rodrigo Pessoa, Neco, como é conhecido, tem sempre seu
nome ligado a adjetivos como especialista, mago, estudioso
e feiticeiro nas muitas reportagens que são feitas a
seu respeito na Europa.
Para ele, tudo fruto da superação de obstáculos. “Sempre
me mantive com bom rendimento esportivo, mesmo com dificuldade
para obter cavalo. Até certo momento da carreira, não
dispunha de sponsor (patrocínio) nem de cavalos caros
e sempre tive meus cavalos preparados por mim mesmo.
Cavalos que não tinham uma reputação e que fiz campeões.
Foi daí que veio este apelido, porque as pessoas achavam
que havia alguma mágica, algum segredo. Mas não. Era
minha dedicação e minha qualidade como cavaleiro e adestrador”.
Na história brasileira em Jogos Pan-americanos, seu
nome também ocupa um espaço especial. Neco integrou
a heróica equipe que ultrapassou as expectativas e conquistou
a primeira medalha da modalidade no torneio, em Winnipeg-67
– ao lado de Antônio Alegria Simões, José Roberto Reynoso
Fernandes e do coronel Reynaldo Ferreira – e ainda faturou
a prata na competição individual.
Na disputa, superaram Canadá e Estados Unidos, duas
equipes que iriam brilhar nos Jogos Olímpicos do México-68.
“O Canadá ganhou a medalha de ouro por equipe e os Estados
Unidos o ouro individual (na Olimpíada). Era uma concorrência
realmente forte. Foi uma grande aventura e uma das vitórias
que eu tenho mais em recordação como valor esportivo”.
Morador da Europa desde o início da década de 60,
com certeza Neco é um dos responsáveis pela evolução
e reconhecimento do hipismo brasileiro no exterior.
Sua carreira começou quando a modalidade ainda era praticamente
um feudo militar.
Civil, o primeiro contato com o hipismo ocorreu aos
8 anos, por estímulo do pai “um cavaleiro diletante,
que montava um pouco”, define Neco. “Eu peguei o mesmo
vírus e até hoje vivo para os cavalos. Passamos para
o Rodrigo e vamos ver o que vem por aí”, brinca o avô
de Cecília, primeira filha de Rodrigo com a norte-americana
Keri Potter.
Mas o começo foi um pouco complicado para Neco. “Eu
não gostava, tinha medo do cavalo”, confessa. O receio
inicial, contudo, logo deu lugar à paixão e quatro anos
mais tarde ele já disputava provas. Logo na primeira
competição, subiu ao pódio. Uma recordação ainda bastante
viva em sua memória. “Eu me lembro perfeitamente. Era
a Taça Vilma Bréia, uma prova para cavaleiros debutantes
de 1,10m/1,20m na Hípica Brasileira. Eu ganhei um bronze
muito bonito que conservo até hoje”. Os prêmios acumulados
ao longo da carreira, aliás, espalham-se por sua casa
na Europa e na dos pais, no Rio de Janeiro.
Nesta época, a presença militar no esporte foi diminuindo
porque os regimentos de cavalaria foram sendo extintos.
Em contrapartida, o número de praticantes civis crescia
com a proliferação dos clubes hípicos e o esporte foi
se expandindo por todo o país. Ainda juvenil, Neco começou
a se destacar em competições nacionais, principalmente
no Rio porque eram raras as disputas interestaduais
pela dificuldade de transportar os cavalos. Aos 18 anos
já era integrante da seleção brasileira, dando início
à expansão de seus horizontes. “Ia participando de competições
internacionais, na Argentina, Chile, Estados Unidos
e Europa”.
Em 1953, conquistou o Grande Prêmio Internacional
de Buenos Aires, seu primeiro título no exterior e também
a primeira participação da seleção fora do país. A partir
daí construiu uma das carreiras mais vitoriosas do circuito
internacional. Neco venceu mais de 150 GPs internacionais,
foi campeão pan-americano por equipe e vice no individual.
É o recordista de vitórias no Derby de Hamburgo (sete)
e no de La Baule (seis) e tetracampeão brasileiro. No
exterior, é visto como o Pelé do hipismo brasileiro.
A guinada na carreira foi dada em janeiro de 1961,
menos de um mês após casar-se com Regina. Aos 24 anos,
ele troca o Brasil pela Europa, decidido a viver no
principal centro hípico do mundo. O casal fez a primeira
parada em Genebra, na Suíça, onde ficou quase oito anos.
Em 1963, Neco surpreendeu a todos conquistando o título
do Campeonato Europeu. Mas mesmo com toda a distância
da terra natal nunca se afastou da raiz brasileira e
sempre fez questão de representar o país nas principais
competições. Em 1964, volta a integrar a delegação olímpica
nos Jogos de Tóquio, como havia feito em Melbourne/Estocolmo-56
e Roma-60, e obtém o quinto lugar individual. Nas edições
do México-68 e Munique-72, ele também representou o
país, mas não chegou tão próximo ao pódio.
Da Suíça, Neco seguiu com a família para a França,
onde nasceu o filho Rodrigo e permaneceram até 1981.
Neste ano, mudam-se para a Bélgica estabelecendo-se
definitivamente.
Neco manteve-se em atividade como cavaleiro até o
ano 2000. Mas a aposentadoria não o afastou do hipismo.
Com o talento reconhecido na Europa, tornou-se técnico
bastante disputado. Treinou cavaleiros de vários países.
Assumiu a responsabilidade pela preparação de equipes
nacionais na Europa, Oriente Médio e também a do Brasil.
“Como atleta você tem que demonstrar na pista e não
tem satisfações a dar a ninguém. A satisfação que você
tem é ganhar de seus adversários. Já como técnico e
selecionador você tem uma parte administrativa, uma
parte política que precisa manipular com prudência e
diplomacia”, compara.
Foi sob seu comando que a equipe brasileira conquistou
a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta-96,
a primeira do país na modalidade. Na Olimpíada de Sydney-2000
foi responsável tanto pela equipe brasileira, medalhista
de bronze, quanto pela Arábia Saudita, que teve Khaled
Al Eid conquistando o bronze individual.
Neste mesmo ano, Neco e seu filho inauguram o Manège
Pessoa – Haras de Ligny, atraindo ainda mais interessados
em aprender com a experiência do mago dos cavalos. Mas
talvez seu grande testemunho como treinador tenha sido
dado no dia-a-dia.
Contrariando a máxima que santo de casa não faz milagre,
ele motivou e treinou o filho, que hoje também é uma
referência internacional. Tricampeão da Copa do Mundo,
campeão olímpico (Atenas-2004) e medalhista de bronze
por equipe (Atlanta-96 e Sydney-2000), Rodrigo tornou-se
o grande prêmio de toda dedicação de Neco.
“Rodrigo nasceu no meio de troféus, de cavalos, quadros,
filmes, fotografias e também se apaixonou pelos cavalos.
Eu o aproximei do esporte hípico com os pôneis, Rodrigo
aderiu a esta vida e se transformou em um dos maiores
esportistas do mundo eqüestre atualmente. Ele é um profissional
exemplar, representante dos cavaleiros junto à Federação
Internacional e faz com que o Brasil seja considerado
uma grande nação do esporte eqüestre no mundo”, elogia
o pai orgulhoso.
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