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| Foto Gazeta Press |
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Depois de lutar por mais de dois anos com a falta de patrocínio,
o baiano Acelino Freitas anunciou o fim de sua vitoriosa carreira
em cima dos ringues. No dia 3 de outubro de 2006, Popó
confirmou durante um evento promovido por ele próprio,
na Bahia, que a luta realizada no dia 29 de abril deste mesmo
ano, contra o norte-americano norte-americano Zahir Raheem,
havia sido a última de seu cartel.
O combate realizado em Connecticut, nos Estados Unidos, lhe
devolveu o cinturão da Organização Mundial
de Boxe, na categoria leve. Sua luta agora prossegue como
promotor de combates.
Assim como a maioria dos grandes atletas brasileiros, Popó
superou uma infância com muitas dificuldades financeiras para
chegar ao sucesso. Nesta trajetória, ele bateu, inclusive,
a marca de nocautes consecutivos de Mike Tyson (29 contra
20 do norte-americano) e começou a ser visto como um
dos melhores de todos os tempos em seu esporte.
Popó ingressou no boxe em 1989 (aos 14 anos), por influência
de seu irmão Luís Cláudio, que treinava em casa. Sua primeira
oportunidade foi dada por Luís Dórea, na Academia Champion.
Além de grande potencial, a jovem promessa demonstrava muita
garra nos treinamentos, o que deixou Luís Dórea encantado.
Era a chance que o garoto tinha para abraçar uma profissão
e dar uma vida melhor à sua família. Em um ano de amador,
Popó foi campeão baiano, nordestino e brasileiro. Também conquistou
os títulos continental e norte-americano. A última glória
do brasileiro no amadorismo aconteceu no Pan-americano de
Mar del Plata, quando conquistou a medalha de prata.
O começo da carreira profissional de Popó foi em 1995, após
a conquista da medalha de prata no Pan-americanos de Mar del
Plata. Em um ano, conquistou o título Mundo Hispano, que garantiu
sua presença no ranking do Conselho Mundial de Boxe. A partir
daí, Popó começou com sua caminhada avassaladora.
Em 1997, ganhou o título Intercontinental da Organização
Mundial de Boxe. No ano seguinte, a jovem revelação brasileira
derrotou em apenas dois assaltos o consagrado Thomas da Cruz
(que chegou a perder no terceiro assalto para o lendário Júlio
César Chavez na disputa de título mundial), e manteve o cinturão
brasileiro dos leves (conquistado no mesmo ano). Todos os
títulos foram vencidos como peso leve.
Em 1999, resolveu tentar a sorte na categoria dos superpenas
(até 58,967 kg). Conquistou o título norte-americano ao derrotar
o mexicano Juan Macias no oitavo assalto. Em 7 de agosto de
1999, ganhou a oportunidade de disputar o título mundial da
Organização Mundial de Boxe (OMB). Popó foi arrasador e venceu
o russo Anatoly Alexandrov por nocaute, com pouco mais de
dois minutos de luta, em combate realizado na cidade de Cannes
(França).
As pessoas que não conheciam o brasileiro ficaram espantadas
com sua força e velocidade. Com muita personalidade, Popó
foi para cima de Alexandrov, que caiu duas vezes e precisou
de auxílio médico para se recuperar. Emocionado, o brasileiro
foi comemorar seu feito junto aos técnicos. Ele acabava de
se juntar a Miguel de Oliveira e Éder Jofre na galeria de
pugilistas brasileiros campeões mundiais.
Defesa dos títulos - Popó ainda não teve muitas dificuldades
nas seis vezes que foi exigido para manter o título mundial
dos superpenas da entidade. O costa-riquenho Antony "Maestrito"
Martinez, o mexicano Javier Jauregui, o norte-americano Lemuel
Nelson e o panamenho Orlando Soto não serviram nem como sparring
para o brasileiro.
Os desafios mais difíceis para Popó foram contra o britânico
Barry Jones o argentino Carlos Rios. O primeiro chegou até
a derrubar o campeão no primeiro assalto, mas depois foi arrasado,
chegando a cair seis vezes na luta. O árbitro determinou
o nocaute técnico no oitavo assalto. O argentino Carlos Rios
conseguiu se movimentar bem e evitou a seqüência avassaladora,
pelo menos até o nono assalto, quando foi batido.
Apesar do sucesso, alguns especialistas disseram que esses
adversários não tinham condição de disputar um título mundial.
Após o último combate (contra panamenho Orlando Soto), Popó
entrou em uma polêmica com Newton Campos (presidente da Federação
Paulista de Pugilismo e membro do Conselho Mundial de Boxe).
O pugilista falou em conquistar o título mundial do CMB e
jogá-lo no lixo. Mas nunca pôde cumprir a promessa nos
superpenas.
Ruptura com Dórea - Quando estava próximo
de acertar combates para ficar perto da unificação,
Popó teve de enfrentar uma mudança drástica
na carreira. A pedido da então noiva Elaine Guimarães,
ele releu os contratos que havia firmado com a Oficina de
Idéias, empresa do então técnico Luís
Dórea e Ruy Pontes, e decidiu romper o vínculo
com a empresa.
Sob um imbróglio judicial, Popó acertou com
a Banner Promotion, empresa de Arthur Pelullo, e decidiu também
mudar toda a comissão técnica. Dórea
deu lugar ao porto-riquenho Oscar Suarez, que deixou o brasileiro
Ulisses Pereira como coordenador no Brasil. A parceria estimulou
um Popó menos pegador e o reflexo foi a vitória
por pontos diante do galês Alfred Kottey, após
oito meses de inatividade.
Projeto de Unificação - Em 12 de janeiro de 2002,
Popó resolveu dar um passo maior na carreira e partiu
para a unificação dos cinturões com o
campeão da Associação Mundial de Boxe
(AMB), o cubano Joel Casamayor. Em um combate que gera polêmica
até hoje, o baiano saiu vencedor por decisão
dos árbitros, graças a um golpe baixo dado pelo
cubano. Depois da vitória sobre Casamayor, Popó passou a ter
como meta a unificação dos cinturões
do CMB e da Federação Internacional de Boxe
(FIB), mas não teve os desafios aceitos pelos contendores
dos títulos.
O campeão obteve mais uma vitória por pontos
diante do nigeriano Daniel Attah. Em 2003, Popó voltou
a nocautear e derrotou Juan Carlos Ramirez e Jorge Barrios,
esta uma das lutas mais dramáticas da carreira do baiano,
que caiu duas vezes no combate, perdia nos pontos e só
venceu com o nocaute no 12º e último assalto.
Foi sua última luta como superpena. Logo após
o combate contra o argentino, Popó decidiu subir de
categoria.
Problemas com peso - A decisão de ascender
para os pesos penas foi para preservar a saúde do pugilista.
A semana que antecedia uma luta era um pesadelo para Popó.
O baiano sofria terríveis dificuldades para dar o peso dos
superpenas (até 58,967 kg) . Originário da categoria dos leves
(até 61.235kg), ele sempre estava com um ou dois quilos sobrando
dias antes da pesagem e tinha que parar de se alimentar, o
que prejudicava seu desempenho na luta. Por isso, a mudança
no segundo semestre de 2003.
E a decisão não poderia ter resultado melhor.
Logo em sua primeira luta, o brasileiro arrebatou o título
dos pesos leves na Organização Mundial de Boxe
(OMB), ao vencer o uzbeque naturalizado armênio Artur
Grigorian por decisão unânime dos jurados, em
3 de janeiro de 2004. Popó chegou a derrubar o rival
por quatro vezes no combate e encerrou a invencibilidade de
36 lutas de Grigorian. Com a vitória, o baiano passou
a acumular os cinturões dos leves pela OMB, e dos superpenas
pela OMB e pela AMB. Em seguida, ele decidiu se concentrar
apenas no peso dos leves.
Primeira derrota - Seis meses depois, mais exatamente
no dia 7 de agosto de 2004, o pugilista baiano conheceu sua
primeira derrota. Foi contra o norte-americano Diego 'Chico'
Corrales, que venceu por nocaute técnico no décimo
assalto. Depois do único tropeço na carreira,
Popó venceu o argentino Fernando Saucedo por pontos
(dezembro de 2004), o panamenho Fabian Salazar por nocaute
(julho de 2005) e o norte-americano Zahir Raheem por pontos
(abril de 2006), quando recuperou o cinturão da Organização
Mundial de Boxe. Esta, ele anunciaria mais tarde, teria sido
sua última luta.
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