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Atualização: 29/11/2007
 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . RICARDO PRADO

Ricardo Prado, divisor de águas na natação brasileira

Foto: Gazeta Press
Foto Gazeta Press

Nome: Ricardo Prado
Data de nascimento: 03/01/1965
Local: Andradina (SP)
Principais resultados:
Prata nos 400m medley nas Olimpíadas de Los Angeles/84
Ouro e recorde mundial dos 400m medley (4min19s78) no Mundial de Gayaquil-82
Ouro nos 200m medley e 400m medley em Caracas (1983)
Prata nos 200m borboleta e 200m costas em Caracas (1983)
Prata nos 200m costas em Indianápolis (1987)
Bronze nos 200m medley e no revezamento 4x100m medley em Indianápolis (1987)
Ouro nos 400m medley Pan-Pacífico, em Tóquio, em 1985
Ouro nos 400m medley no Sul-americano de Lima, no Peru, em 1977, aos 12 anos
Recordista brasileiro dos 200m borboleta (1min44s46) por 22 anos
Recordista sul-americano dos 400m medley (4min18s55) por 20 anos
Recordista sul-americano dos 200m medley (2min06s23) por 12 anos
Participações olímpicas: Los Angeles/84

Ricardo Prado foi um fenômeno da natação brasileira, de forma indiscutível. Nascido em Andradina, em 3 de janeiro de 1965, deu sinais de que seria grande entre os esportistas brasileiros muito cedo com o título sul-americano dos 400 metros medley, conquistado aos 12 anos, em Lima, no Peru, em 1977.

Apenas dois anos mais tarde, ainda aos 14, conquistou o ouro e o recorde brasileiro nos 200 metros borboleta e também dos 200 metros costas, durante o Troféu Brasil de Natação, disputado no Parque Aquático do Rio de Janeiro.

Entretanto, seu grande feito viria em 1982, dois anos após embarcar para os Estados Unidos com o objetivo de se juntar à equipe treinada por Mark Schubert, em Mission Viejo, na Califórnia. Com 17 anos e um físico avantajado, ele conseguiria no Mundial de Guayaquil, Equador, uma das maiores conquistas da natação brasileira: o ouro e o recorde mundial em piscina olímpica nos 400m medley. Com 4min19s78, ele superou em 27 segundos a marca do norte-americano Jessé Vassalo, na prova considerada a mais difícil da natação.

O feito colocou Ricardo Prado em um seleto grupo de brasileiros recordistas mundiais, que conta apenas com Maria Lenk, em 1939, nos 200m peito; Manuel dos Santos, em 1964, nos 100m livre; e José Silvio Fiolo, em 1968, nos 100m peito.

O estilo exige que o nadador domine com destreza as modalidades costa, peito, borboleta e livre. Para domá-las, tem 400 metros de piscina pela frente e alguns poucos minutos para fazê-lo. Por isso, a atribuição à perfeição. "O recorde em Guayaquil foi meu maior feito na carreira. Mais até que a medalha de prata em Los Angeles-84".

Teoricamente, qualquer medalha olímpica valeria mais que qualquer outro feito. Mas Ricardo Prado sabia bem o que dizia. O momento, as condições, a forma como conquistou a marca: tudo cheirava a estréia, a novidade. Era o começo não só de uma carreira como o surgimento de uma praticamente inédita modalidade esportiva no Brasil. O país que chamava a atenção pelas atuações de Zico, Sócrates e Falcão no futebol era agora fitado pelas conquistas de um paulista e que tão logo deu sinais de que seria um campeão, corria em meio a um antro de campeões e recordistas norte-americanos, soviéticos e canadenses.

Em 1983, trouxe para o Brasil cinco medalhas da natação nos Jogos Pan-americanos de Caracas, na Venezuela. No mesmo ano, participou da Universíade, em Edmonton, no Canadá. Lá melhorou seu próprio recorde brasileiro e sul-americano dos 200 metros borboleta (levando a medalha de bronze) e também dos 400 metros medley. A marca mundial desta prova ficaria com Pradinho até maio de 1984, quando seria superada em 17 centésimos de segundo pelo alemão Jens Peter Berndt.

Em fevereiro de 1984, ele vem para o Brasil para disputar o Troféu Brasil de Natação, preparatório para as Olimpíadas de Los Angeles, naquele mesmo ano, e não decepcionou, estabelecendo novos recordes nos 200m do borboleta e costas.

A um mês dos Jogos Olímpicos, Prado voltou ao Brasil, queixando-se do desdém de Mark Schubert, que priorizava, segundo o nadador brasileiro, o condicionamento de atletas norte-americanos, e passou a treinar na raia oito do Flamengo.

Em Los Angeles, ele desembarcou com um pensamento único: faturar o ouro e bater de novo recorde dos 400 medley, naquela época já nas mãos do canadense Alex Baumann. Sem o ex-recordista mundial Jens Berndt presente, que não participaria da competição devido ao boicote dos países socialistas aos Jogos, seus principais adversários eram os norte-americanos Jekk Kostof, Jesse Vassalo e a fera canadense. Levou a prata, mais de um segundo atrás de Baumann.

Embora a conquista fosse inédita para o Brasil, Prado não dissimularia sua frustração. O desabafo da medalha de prata veio em forma de profecia. Irritado com as imperfeições da estrutura de seu esporte em seu país, de uma imprensa que a ele descarregou méritos e a fome pelo ouro, Prado desabafou: "O Brasil aprendeu muito em Los Angeles e o fruto dessa medalha de prata vocês verão com o tempo".

E aprendeu mesmo. É só ver o que aconteceu de Barcelona, em 1992, para frente. Gustavo Borges, Fernando Scherer (o Xuxa), Kaio Márcio e, recentemente, Thiago Pereira são as provas concretas de uma evolução da natação brasileira que começou com as braçadas de Ricardo Prado.

Suas marcas prevaleceram na natação brasileira e sul-americana por longos anos. O recorde brasileiro dos 200m borboleta caiu apenas 22 anos após ter sido conquistado por Ricardo Prado (em 1984, com 1min44s46), batido por Gustavo Calado com 1min44s43. O recorde sul-americano dos 400m medley (4min18s55) ficou em suas mãos por 20 anos, sendo superado por Thiago Pereira apenas em 2004, com 4min17s62. Doze anos durou sua marca continental dos 200m quatro estilos (2min06s23), derrubada apenas em 1999 por Leonardo Costa (2min05s68).

Depois da prata em 1984, Prado ainda disputou mais alguns campeonatos, bateu novos recordes e ganhou mais medalhas. Parou no final da década de 80. Aos 38 anos, em março de 2003, foi submetido a uma cirurgia cardíaca para a implantação de três pontes de artéria mamária e duas de safena, no Instituto do Hospital das Clínicas em São Paulo. Recuperado, voltou à rotina que então seguia: nadar, freqüentar academias e participar dos torneios de master.

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