| Um campeão olímpico
vítima das lesões
| Foto: Gazeta Press |
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| Nome: Rogério Sampaio Cardoso
Data de nascimento: 12 de setembro
de 1967
Local: Santos (SP)
Categoria: meio-leve; leve
Principais conquistas:
. Ouro na categoria meio-leve nos Jogos Olímpicos
de Barcelona-92
. Bronze na categoria leve no Campeonato Mundial do Canadá
em 1993
Participações olímpicas:
Barcelona-92
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A conquista do ouro olímpico em Barcelona-92 realmente não
era esperada. Antes de se tornar um ídolo do esporte nacional,
Rogério Sampaio quase ficou de fora dos Jogos. Em 89, ele
apoiou Aurélio Miguel em uma briga com a Confederação Brasileira
de Judô. A partir de então não disputou mais nenhuma competição
oficial.
Seu retorno se deu apenas no início de 92, graças a um acordo
com o então secretário de esportes, o ex-jogador de vôlei
Bernard. Desde então se viu obrigado a fazer uma intensa preparação,
treinando 12 horas por dia e realizando uma rigorosa dieta
para ficar abaixo dos 65 kg, peso máximo exigido para a categoria
meio-leve.
Em Barcelona, foram cinco lutas. No início, muita tensão
contra o português Augusto Almeida. "Fiquei muito assustado,
o tatame parecia enorme. Mas deu tudo certo". Depois, vieram
pela frente feras como o sul-coreano Sang-Moon Kim, o argentino
Francisco Vivas (então campeão pan-americano) e o alemão campeão
mundial Udo Quellmalz, até a consagração com um wazari sobre
o húngaro Jozsef Csak. "Estava incrivelmente tranqüilo. Foi
minha melhor luta".
A alegria pela medalha de ouro só não foi maior devido à
morte de seu irmão, o também judoca Ricardo. Um ano antes
da conquista, ele se suicidou por causa de uma desilusão amorosa.
"Sem a força de Ricardo, não teria ido tão longe. Sei que
ele também estaria aqui, e para ganhar, se estivesse vivo",
disse Rogério.
Os dois irmãos haviam começado juntos a praticar judô. Rogério
não entrou no esporte por opção. A indicação foi dada aos
seus pais por um pediatra, como forma de domar o garoto agitado
de temperamento bastante forte. "Eu ia obrigado para as aulas.
Não gostava mesmo", conta.
Com o tempo, ele foi se dedicando mais até se tornar um
atleta promissor. Aos 16 anos, já conquistava o título paulista
juvenil. Em 83 chegaria o seu primeiro título internacional,
o Pan-americano juvenil, conquista repetida dois anos mais
tarde. O objetivo de ser campeão olímpico foi traçado em 84,
depois da prata conquistada por Douglas Vieira nas Olimpíadas
de Los Angeles. "Desde que ele foi prata, eu passei a sonhar
com o título. Vi que o ouro era possível".
Logo após as Olimpíadas, Rogério decide mudar para a categoria
leve (até 72 kg). "Assim posso me preparar sem precisar me
preocupar com o peso. Entrarei nas competições com o melhor
da minha forma atlética", disse o lutador. A grande missão
de Rogério Sampaio em 93 era consolidar-se como um dos maiores
lutadores do mundo, uma vez que a medalha em Barcelona foi
dada como surpreendente pela mídia internacional. E a resposta
veio em Hamilton, no Canadá, com a medalha de bronze no Campeonato
Mundial, feito até então só repetido no Brasil por Chiaki
Ishii, Walter Carmona e Aurélio Miguel, os três grandes ídolos
de Rogério Sampaio no judô.
A boa campanha no Mundial acabou sendo o último grande feito
de Sampaio. Em 95, o judoca perderia nas seletivas e acabaria
ficando de fora dos Jogos Pan-americanos, realizados em Mar
Del Plata, na Argentina. No final do mesmo ano, vem a frustração
ao cair em mais uma seletiva, desta vez para as Olimpíadas
de Atlanta. Ainda sofrendo de uma lesão muscular na coxa esquerda,
ele acabou eliminado por Sérgio Oliveira.
Para Sampaio, a decepção foi pela rigidez imposta pela Confederação
Brasileira de Judô, que dava aos atletas apenas uma chance
de disputar uma vaga nos Jogos. Rogério acredita que, por
ter sido campeão olímpico, mereceria uma segunda chance, mas
a entidade não pensou da mesma maneira. Desta forma, restou
a Rogério trabalhar em Atlanta como técnico de Danielle Zangrano
e como comentarista da TV Record.
Fora dos Jogos, Rogério perdeu também o patrocínio do Banco
do Brasil, o que acentuaria ainda mais o declínio de sua carreira.
Sem dinheiro, ele encontrou dificuldades para treinar e passou
a se dedicar mais às aulas de judô em Santos. Em 97, mais
uma vez problemas físicos o impediram de disputar uma competição
importante. Desta vez, ele sentiu fortes dores na costela
durante uma luta contra Márcio Varejão, sendo obrigado a abandonar
a seletiva.
Com tantas dificuldades, Rogério decide deixar de defender
o Brasil em competições internacionais em 98. Além dos problemas
de patrocínio, ele se dizia cansado e sem paciência de lidar
com a Confederação Brasileira de Judô, na época comandada
pela família Mamede.
Dois anos mais tarde, Sampaio anunciou o fim de sua carreira.
Sua última luta foi nos Jogos Abertos do Interior. Em 2001,
sua primeira experiência como técnico de uma seleção de judô.
O ex-atleta comandou a equipe feminina nas Universíadades
de Pequim, ao lado de Aurélio Miguel, que na época estava
à frente da categoria masculina. Desde então, após passagem
pela seleção masculina de juniores, ele dedica-se à sua academia,
localizada na cidade litorânea de Santos. Por ela, já passou
inclusive Leandro Guilheiro, medalhista de bronze em Atenas-04.
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