| Nada como
uma olimpíada atrás da outra
| Foto: Reuters |
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| Nome: Rodrigo de Paula Pessoa
Data de nascimento: 29 de novembro
de 1972
Local: Paris (França)
Principais conquistas:
. Ouro individual nas Olimpíadas de Atenas-2004
. Ouro por equipe no Pan-americano de Mar del Plata-1995
. Bronze por equipe nas Olimpíadas de Atlanta-96 e Sydney-00
. Campeão mundial em Roma-98
. Campeão das Copas do Mundo de Helsinque-98, Gotemburgo-99
e Las Vegas-2000
. Vice nas Copas de Gotemburgo-2001, Las Vegas-2003, terceiro
colocado em Leipzig-2002
Participações olímpicas: Barcelona-92,
Atlanta-96, Sydney-00 e Atenas-04 |
Depois da decepção nas Olimpíadas
de Sydney-00, quando chegou como principal favorito à conquista
da medalha de ouro no concurso individual e acabou vítima
dos refugos de Baloubet de Rouet, Rodrigo Pessoa deu a volta
por cima nos Jogos Olímpicos de Atenas-04. Montando o mesmo
garanhão, ele fez uma apresentação brilhante na final e acabou
com a medalha de prata, que se somaram aos dois bronzes por
equipe conquistados nas edições anteriores.
Mas a prata virou ouro oito meses depois, quando o cavalo
de Cian O'Connor caiu no exame antidoping. Positivo para o
uso de duas substâncias proibidas, Waterford Crystal provocou
a perda da medalha de ouro do irlandês.
O'Connor argumentou que os medicamentos haviam sido utilizados
bem antes das Olimpíadas, como sedativos para tratar uma lesão,
sem qualquer intuito de tornar o cavalo mais dócil durante
a prova. A Federação Eqüestre Internacional aceitou a justificativa,
mas não deixou de punir o responsável, com a desclassificação
das Olimpíadas, aplicação de multa e suspensão de três meses.
O irlandês poderia recorrer à Corte de Arbitragem do Esporte,
mas preferiu não fazê-lo, para evitar o risco de uma punição
ainda mais severa.
Com isso, o esforço do brasileiro - que entrou descrente
para a disputa da final olímpica - foi recompensado. Rodrigo
e Baloubet entraram para o último dia de competição em 12º
lugar, com oito pontos perdidos, ao lado de outros 17 concorrentes.
À frente, havia dois conjuntos com uma falta, quatro pontos,
mais excesso de tempo, seis com quatro pontos perdidos, um
com um ponto por excesso e dois com a pista zerada.
O conjunto nacional fez um segundo percurso impecável, não
cometeu faltas e acompanhou a queda de seus adversários, superados
pela exigente pista. Nenhum dos outros 17 conjuntos que estavam
empatados com Rodrigo e Baloubet zeraram o percurso, nem mesmo
o alemão Ludger Beerbaum, líder do ranking mundial, que montou
Goldefever. Os líderes também perderam em performance. Nick
Skelton, com Arko, que fora perfeito na primeira volta, perdeu
13 pontos na segunda; Jessica Küerten, com Maike, chegou a
21 pontos, e o neozelandês Daniel Meech, com Diagonal, que
surpreendeu com um ponto perdido apenas por excesso de tempo
na primeira volta, perdeu mais 13 na segunda.
Do grupo de quatro pontos saiu o campeão olímpico, o irlandês
Cian O'Connor e Waterford Crystal. O jovem de 24 anos foi
o único, ao lado de Rodrigo, a zerar o percurso, o que lhe
valeu a medalha de ouro. O norte-americano Chris Kappler,
que desde o primeiro dia de competição mostrou-se um forte
candidato às medalhas com Royal Kaliber, fez mais uma falta
no segundo percurso, o que lhe garantiu a ida ao desempate
pela medalha de prata com Rodrigo e Baloubet, ambos com oito
pontos perdidos.
No desempate Rodrigo e Baloubet foram os primeiros a entrar,
e fizeram um percurso rápido, mas com uma falta no último
obstáculo. Quando Kappler entrou na pista, bastava que não
cometesse faltas para ficar com a prata. No entanto, a sorte
ficou ao lado do conjunto brasileiro. Royal Kaliber não derrubou
obstáculo, mas no meio do percurso passou a oferecer resistência
e o cavaleiro desistiu de completar a prova.
Redentora, a medalha apagou a decepção de 2000 quanto Baloubet
refugou duas vezes e sepultou a esperança de ouro. Ressabiado,
o cavaleiro chegou a cogitar disputar Atenas com outra montaria.
"O Rodrigo já decidiu que não irá levar Baloubet para os Jogos
de Atenas. E pode até sacrificar uma medalha olímpica para
ter um cavalo preparado para os Jogos Equestres Mundiais em
2006", dizia, em 2003, André Beck, empresário do cavaleiro.
Hipismo no sangue - A trajetória do melhor cavaleiro do
Brasil remete a um longo histórico familiar. Filho de Nelson
Pessoa, o campeão olímpico apenas fortaleceu em seu clã uma
tradição iniciada pelo pai. Há quem diga que Neco - apelido
de Nelson - está para o hipismo assim como Pelé está para
o futebol. No início da década de 60, quando Nelson começou
a se dedicar ao hipismo, o esporte era praticado quase exclusivamente
por militares. Depois de se destacar, vencendo campeonatos
pan-americanos e o tetra brasileiro, o pai de Rodrigo Pessoa
passou a se direcionar ao treinamento dos animais, participando
inclusive da equipe técnica brasileira nas Olimpíadas de Atlanta-96.
Com o hipismo fazendo parte de seu dia-a-dia, disputou sua
primeira competição de pôneis em 1981, na Inglaterra, com
apenas nove anos de idade. Em 1984, conquistou seu primeiro
título, o de campeão da classe pôneis, na Bélgica e na Inglaterra.
A partir de 1988, passou a disputar os GPs juniores mais importantes,
vencendo em Milão, na Itália, e Reims, na França. Em 1990,
já competia nos mais tradicionais GPs em todo o mundo. Nesse
ano, o cavaleiro venceu dois eventos: em Nice, na França,
e em Donaueschingen, na Alemanha.
Passados dois anos, ganhou destaque no meio esportivo mundial
por ser o jovem atleta participante da prova de saltos Jogos
Olímpicos de Barcelona-92, com 19 anos. Cinco anos mais tarde,
em 1997, conquistou seu primeiro título na Copa de Mundo de
Saltos na Finlândia. Era apenas o início de uma série de resultados
positivos.
Rodrigo seguiu vencendo Grandes Prêmios do circuito mundial
e conquistou a medalha de ouro por equipes no Pan de Mar del
Plata, na Argentina, em 1994. Com mais experiência, Pessoa
fez percurso sem faltas na final das Olimpíadas de Atlanta-96,
colaborando na conquista do bronze por equipes para o Brasil.
No ano de 1998, Rodrigo deu o mais importante passo na sua
carreira: o ouro na Copa do Mundo, realizada na Finlândia,
montando Baloubet Du Rouet. No mesmo ano, só que com o cavalo
Lianos, também ficou com o título mundial em Roma. Em 1999,
além de chegar pela primeira vez à liderança do ranking mundial,
conquistou novamente a Copa do Mundo, desta vez em Gotemburgo,
também em parceria com Baloubet. O feito se repetiu em 2000,
em Lãs Vegas, e o sagrou tricampeão.
Em 2001, novamente com Baloubet Du Rouet, o cavaleiro disputou
a Copa do Mundo, desta vez na Suécia, em busca do tetracampeonato.
A dupla chegou à final do torneio, mas perdeu no desempate,
ficando assim com o vice, performance repetida em 2003. Em
2007, com outras montarias, nem mesmo chegou à fase decisiva.
Pessoa e Baloubet, parceria campeã - Passadas as Olimpíadas
de Atenas-04 e o ano de 2005, Rodrigo Pessoa passou a enfrentar
problemas de contusão com Baloubet Du Rouet. Pensar no cavaleiro
brasileiro sem lembrar do garanhão francês é quase impossível,
já que foi com este cavalo que ele conquistou três vezes o
título da Copa do Mundo.
O cavalo nasceu no dia 1º de agosto de 1989, na cidade de
Rouet, na França, filho de Galoubet e Masange Du Rouet. Aos
três anos de idade, foi comprado pelo empresário Diogo Pereira
Coutinho. Dois anos depois, em 1990, Baloubet foi sedido a
Nelson e Rodrigo Pessoa. A trajetória do garanhão nas pistas
começou com Neco, mas foi em parceria com Rodrigo Pessoa que
ele se tornou um dos cavalos mais vitoriosos do mundo.
De pelugem marrom (alazão) e com 610 kg distribuídos em
1,72m de altura, o cavalo é reconhecido por uma mancha branca
entre seus olhos. Baloubet Du Rouet já possui mais de 500
herdeiros e uma ampola com seu sêmen congelado custa mais
de US$ 5 mil. A princesa Haya, da Jordânia, ofereceu US$ 5
milhões por Baloubet, mas o proprietário Diogo Pereira Coutinho,
que obtém parte do lucro obtido pelo cavalo, afirmou que ele
não está à venda e tampouco tem preço.
Em agosto de 2006, o cavalo sofreu uma séria lesão no menisco
do anterior direito e ficou por um ano afastado das competições.
Com o alazão já com 17 anos, Rodrigo chegou a cogitar sua
aposentadoria e resolveu investir em outras montarias: Rufus,
Oasis, Cantante Z e Harry Potter são as principais e revezados
nas competições que se seguiram.
A lesão de Baloubet tirou Rodrigo Pessoa do Mundial de 2006,
em Aachen, e o fez pensar a não competir os Jogos Pan-americanos
no Rio de Janeiro. Depois de um ano, o cavalo campeão olímpico
retornou às competições, no entanto já não é opção para grandes
eventos.
Rio-2007 - Além da contusão com Baloubet,
outro fator quase tirou Rodrigo Pessoa dos Jogos Pan-americanos.
Descontente com os critérios de definição da equipe brasileira,
o campeão olímpico chegou a anunciar que não defenderia o
Brasil. O cavaleiro não admitia que o quarteto brasileiro
fosse escolhido em seletivas em solos nacionais.
Depois de vários meses de polêmica, Pessoa decidiu integrar
o time formado também por Bernardo Alves/Chupa Chup, César
Almeida/Singular Joter e a reserva Karina Johannpeter/O de
Pomme de Joter.
Para chegar aos Jogos, Rodrigo teve que superar ainda mais
um problema: a morte inesperada de Oasis, cavalo considerado
o substituto de Baloubet. Como opção, o campeão olímpico trouxe
ao Rio de Janeiro Rufus, um castanho de nove anos e já considerado
o parceiro para as Olimpíadas de Pequim-2008.
A despeito de todos os percalços, Rodrigo Pessoa desembarcou
no Rio como uma das principais apostas brasileiras e favorito
à medalha de ouro. Entretanto, a expectativa da marca inédita
para o hipismo nacional foi frustrada pela canadense Jill
Henselwood, que subiu ao lugar mais alto do pódio e deixou
a prata para o brasileiro.
Na mesma competição, por outro lado, o prêmio de consolação:
ouro por equipes. Bernardo Alves, Pedro Veniss e César Almeida
compunham a equipe que contou com boa torcida na capital carioca
e ajudaram o país a conquistar o topo do pódio e a vaga olímpica.
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