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Atualização: 27/11/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ROBERT SCHEIDT

Scheidt, o fenômeno da vela

Foto:Divulgação
Foto:Divulgação

Nome: Robert Scheidt
Data de nascimento: 15 de abril de 1973.
Local: São Paulo (SP)
Principais conquistas:
. ouro na classe Laser em Atlanta-1996 e Atenas-2004
. prata na classe Laser em Sidney-2000
. tricampeão pan-americano: Mar del Plata-1995, Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003
. segundo colocado no Pan Rio-2007
. campeão mundial de Laser em 1995, 1996, 1997, 2000, 2001, 2002, 2004 e 2000
. campeão mundial de Star em 2007 e vice em 2006
. cinco títulos sul-americanos de Laser: 1993, 1994, 1997, 2001 e 2004
. campeão europeu de Laser em 2005
. Dez títulos brasileiros de Laser
. Campeão da Pré-olímpica de Star, em 2007, ao lado de Bruno Prada
. Campeão de Europeu de Primavera, em 2007
Participações olímpicas: Atlanta-1996, Sidney-2000 e Atenas-2004

Um dos esportistas mais vitoriosos da história do Brasil esteve perto de jamais se dedicar às competições de alto nível. Ainda em busca de afirmação na vela, Robert Scheidt teve que fazer uma difícil escolha no ano de 1996: mergulhar de vez no instável mundo do esporte ou trabalhar como administrador de empresas, profissão com a qual estava se formando pela Universidade Mackenzie?

Para sorte da torcida brasileira, este paulistano torcedor do Santos Futebol Clube escolheu a primeira opção. Naquele mesmo ano, ele apareceu para o Brasil ao conquistar medalha de ouro na classe Laser dos Jogos Olímpicos de Atenas. Para os especialistas na modalidade, entretanto, a conquista não foi nenhuma surpresa, uma vez que Scheidt era o atual bicampeão mundial da classe (venceu em Tenerife-1995 e Cidade do Cabo-1996) e havia subido ao primeiro lugar do pódio nos Jogos Pan-americanos de Mar del Plata, em 1995.

O caminho rumo às Olimpíadas não havia sido nada fácil. Derrotado por seu principal rival, o carioca Peter Tanscheidt na disputa do Campeonato Brasileiro de Laser em 1996, Robert teve apenas uma semana para se recuperar e estar pronto para a disputa do Pré-olímpico. E, mesmo atuando em terreno adversário, a Baía da Guanabara, deu o troco e garantiu a vaga para a disputa nos Estados Unidos.

O título olímpico e o conseqüente reconhecimento por parte da imprensa e patrocinadores contribuíram para o estabelecimento definitivo de Scheidt na vela. Absoluto na Laser, venceu ainda os Mundiais do Chile-1997, México-2000, Irlanda-2001, Estados Unidos-2002, Turquia-2004 e Brasil-2005. Foi ainda vice na Austrália-1999 e na Espanha-2003, além de ter ganhado ouro no Pan de Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003.

O bi olímpico veio em Atenas-2004. Foi a recuperação da decepção de ter perdido o título em Sidney-2000, depois de intensa batalha contra o britânico Ben Ainslie, que usou a estratégia de bloquear o brasileiro na última regata para ficar com o título. Nesta época passou a cogitar a hipótese de passar a competir na Star, de olho em novos desafios em uma das classes mais prestigiadas da vela.

O projeto foi desenvolvido com calma, tanto que a primeira competição internacional só ocorreu em janeiro de 2005, o Sul-americano, ao lado do proeiro Bruno Prada, velejador que conhecia desde o tempo de Optimist (categoria aprendiz da vela). Ambos ficaram com a segunda colocação.

Scheidt passou a temporada se alternando nas duas categorias. Em novembro, convocou entrevista coletiva para anunciar que sua prioridade em 2006 seria a Star. Entretanto, de olho no Pan do Rio de Janeiro (onde poderia se tornar o primeiro brasileiro tetracampeão em uma mesma prova), seguiu com os treinos na Laser, deixando uma dúvida no ar sobre seu futuro.

Com uma boa base de treinos e excelente entrosamento entre os parceiros, os títulos não tardaram a aparecer. Somente em 2006 vieram os troféus do Sul-americano, da Semana Pré-olímpica, do Campeonato Brasileiro e da Semana de Monotipos, além dos vice-campeonatos da Semana de Kiel e do Campeonato Europeu, do Mundial e do Norte-Americano, em Miami. Resultado: os dois terminaram encabeçando o ranking mundial.

O melhor veio em 2007, ano do Mundial da Federação Internacional de Vela (Isaf). Depois de seis competições preparatórias para a disputa (títulos da Semana Pré-Olímpica de Búzios, 7º Distrito, Troféu Princesa Sofia, Campeonato Europeu de Primavera e Danish Open, além do oitavo lugar na Holland Regatta), a dupla começou o Mundial de maneira instável e só assumiu a liderança após seis regatas. Porém, daí pra frente não deixou mais a ponta.

O impedimento para o título era a Regata da Medalha, que reúne os dez melhores colocados da disputa e tem valor dobrado. Ou seja: uma má atuação em uma única disputa poderia colocar todo o trabalho por água abaixo. Mas aí os Deuses do Mar resolveram ajudar: ventos fortes na sede, a cidade portuguesa de Cascais, impediram a realização da última prova e os brasileiros sagraram-se campeões mundiais. Antes, muita tensão, uma vez que os procedimentos de largada chegaram até a serem realizados, antes do cancelamento definitivo.

“Esse título é especial, diferente. Consegui mostrar o meu valor em outra categoria olímpica, o que prova que a transição de classe foi bem feita”, comemorou Scheidt, que em Mundiais anteriores específicos da classe havia acumulado um sexto lugar (Argentina-2005) e um vice-campeonato (Estados Unidos-2006). A primeira colocação garantiu ainda uma vaga ao Brasil nas Olimpíadas de Pequim.

Menos de 15 dias depois da conquista, Robert já estava de volta à ativa, desta vez no Pan. Porém, cansado e sem treinos específicos na Laser, acabou ficando com o segundo lugar, um ponto atrás do norte-americano Andrew Campbell. E, apesar de o velejador não confirmar, o público carioca pode ter acompanhado a última performance do paulista na classe que o consagrou.

Ínicio - A descoberta do iatismo foi aos nove anos por influência do pai, Fritz, que depois de muita insistência, resolveu dar um Optimist ao filho. Foi nessa classe que Scheidt participou do seu primeiro Campeonato Brasileiro, em 1984. Ficou em 42º. “Comecei muito mal, é verdade”, admite. No ano seguinte, recuperou-se e foi campeão sul-americano infantil, em Algarrobo, no Chile.

Na adolescência, ao invés de pedir o carro emprestado, o velejador queria sair com o Laser do pai, que ainda era contra. Isso porque o que Fritz queria mesmo é que o filho se dedicasse à natação. Por isso, levou-o para um teste de aptidão no clube Pinheiros. Ele foi aprovado para atletismo, vôlei e tênis. Escolheu a última opção, que é sua segunda paixão no esporte.

Mesmo quando praticou tênis, Scheidt não abandonou a vela, e quando ia começar a disputar torneios na quadra, fez sua opção pelo mar. Aos 17 anos, depois de uma breve passagem pela classe Snipe, começou a competir na Laser. Seu título mais importante como juvenil foi o de campeão mundial júnior, na Escócia, em 1991. Tinha, enfim, conquistado a passagem para a elite da vela mundial.

Um atleta de verdade - Robert Scheidt pode ser considerado mais que um velejador: é um verdadeiro atleta. “Sempre levei a vela a sério, não apenas na água. Me cuido fisicamente e também tenho cuidado extremo com o barco e os demais equipamentos que utilizo”, explica. Além dos treinamentos físicos e táticos, ele também pratica outros esportes que ajudam na preparação. “Gosto muito de moutain bike e natação, acredito que esses esportes também ajudam no meu treinamento”, enumera.

Ele acredita que seu desempenho cai quando disputa regatas com ventos fracos. “O velejador brasileiro é menos técnico, mais braçal, mais raçudo, ao contrário do europeu que é mais talentoso e se preocupa mais com a tática”, descreve. Ao contrário do que se possa imaginar, Robert freqüentemente sofre com enjôos durante as regatas. Porém, alguns cuidados com a alimentação e um medicamento contra as náuseas garantem o sossego do atleta durante as competições.

Um dos grandes gurus do campeão é o técnico Claudio Biekarck, que conhece Scheidt desde criança e com quem começou a trabalhar um ano antes das Olimpíadas de Atlanta-1996. Mas, com a opção de o pupilo passar a se dedicar cada vez mais à classe Star depois das Olimpíadas de Atenas, a parceria se desfez. “Hoje existe uma amizade e um respeito muito grande entre nós”, comenta o ex-treinador, cujas lições foram e continuam sendo muito bem assimiladas pelo aluno.


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