| Um fenômeno com pecha de baladeiro
| Foto: Gazeta Press |
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| Nome: Fernando de Queiroz Scherer
Data de nascimento: 6 de outubro de
1974.
Local: Florianópolis (SC)
Recordes em piscina de 50m:
- Sul-americano, 50m borboleta, 23s55 Principais
conquistas:
. bronze nos 50m livre nas Olimpíadas de Atlanta-96,
. recordista mundial revezamento 4x100m livre em piscina
curta-96,
. eleito melhor nadador do mundo pela Federação Internacional-98,
. bronze nas Olimpíadas de Sydney-00 no revezamento 4x100m livre,
. ouro nos 100m livre do Mundial de Piscina Curta-1993,
. bronze no 4x100m livre do Mundial de Roma-1994,
. ouro nos 100m livre do Mundial de Piscina Curta;
. ouro nos 50m livre no Pan de Mar del Plata-1995,
. recordista de medalhas de ouro obtidas em um único
Pan-americano: quatro de ouro (100m livre, 50m livre,
4x100 medley e 4x100 livre), nos Jogos de Winnipeg-99,
. dois ouros (50m livre e revezamento 4x100m livre)
no Pan de Santo Domingo-03
Participações olímpicas: Atlanta-96,
Sydney-00 e Atenas-04 |
Como a grande maioria dos melhores nadadores do mundo, Fernando
Scherer, o Xuxa, começou a nadar por recomendação médica, devido
a problemas respiratórios.
Depois de arriscar sua sorte nas quadras de tênis ao lado
de Gustavo Kuerten aos sete anos de idade, o catarinense decidiu
largar as raquetes e se dedicar à natação. Na época, com 14
anos, já participava de suas primeiras competições e treinava
no Clube Doze de Agosto, sob o comando do técnico Carlos Camargo.
Percebendo o potencial de Scherer, Camargo o treinou até
as Olimpíadas de 1996, em Atlanta (EUA), quando o brasileiro
conquistou a medalha de bronze nos 50m livre, com marca de
22s29, inferior somente aos dos astros Gray Hall (22s26),
dos Estados Unidos, e Aleksandr Popov (22s13), da Rússia.
Dois anos depois, Xuxa foi o primeiro nadador a assinar
um contrato com um clube (Flamengo) e se mudou para a cidade
norte-americana de Coral Springs, para treinar com Michael
Lohberg. Foi exatamente no ano em que se transferiu, 1998,
que Scherer foi eleito o melhor nadador do mundo pela revista
especializada Swimmingworld.
Em sua segunda participação em Jogos Olímpicos, Xuxa garantiu
outra medalha de bronze, desta vez com a equipe brasileira
do revezamento 4x100 livre, com o tempo de 3min17s40. Em Sydney,
Austrália, o nadador competiu ao lado de Gustavo Borges, Carlos
Jayme e Edvaldo Silva Filho. O time da casa conquistou o ouro
e os Estados Unidos completaram o pódio em segundo.
Especialista nas provas de 50m livre, 50m borboleta, revezamento
4x100m livre, Xuxa colecionou uma série de títulos durante
sua carreira, encerrada aos 32 anos, em março de 2007. A decisão
chegou menos de cinco meses antes dos Jogos Pan-americanos
do Rio.
A edição seria a quarta da carreira do nadador, que deixou
as piscinas com a marca de sete medalhas de ouro em Pan-americanos
– a primeira delas, conquistada em Mar del Plata, em 1995.
Na época, o brasileiro derrotou o recordista mundial, o norte-americano
Tom Jagger, em sua prova principal e levou o país ao topo
do pódio.
Ao anunciar sua despedida, Xuxa justificou a decisão pela
falta de estímulo. A rotina desgastante de treinamentos intensos
acabou minando a disposição do nadador, que não queria mais
seguir naquela vida. "O psicológico foi o que mais sofreu",
admitiu, após 18 anos defendendo a seleção nacional com três
Olimpíadas (Atlanta-96, Sydney-2000 e Atenas-2004) no currículo.
A aposentadoria chegou três meses depois de se recuperar
de uma lesão grave. Pouco depois do Mundial de 2005, quando
bateu o recorde sul-americano nos 50m borboleta, Xuxa descobriu
que possuía uma hérnia de disco. Passou um ano fazendo tratamento
fisioterápico e conseguiu se recuperar. Mas aí, a garra de
seguir na disputa já havia esmaecido. "Sei que tenho condições
físicas de continuar, mas o difícil é treinar como a garotada
de 19 anos", comparou, afirmando ainda que não havia chegado
ao ápice possível nos 50m livre.
Quando desistiu das competições, o nadador afirmou que sentia
ter cumprido sua parte desde a conquista do bronze nos 50m
livre, em Atlanta. "Cheguei a anunciar minha aposentadoria,
mas me arrependi pouco depois", lembrou. Os números de sua
carreira nas piscinas continuaram mesmo com ele fora da provas
e, logo depois de se aposentar, ainda era recordista sul-americano
nos 50m livre (22s18) e nos 50m borboleta (23s55).
A marca nos 50m de Xuxa, no entanto, foi quebrada nos Jogos
Pan-americanos do Rio de Janeiro. Principal aposta para seguir
os passos do catarinense nas Olimpíadas de Pequim-2008, César
Cielo ganhou o ouro com tempo de 21s84 e se tornou o nadador
mais rápido do continente. O da prova borboleta segue em suas
mãos.
O apelido - Scherer tinha cabelos longos
e louros, como os da apresentadora de TV. Isso rendeu o codinome
do nadador na escola e a primeira vez que a alcunha ganhou
notoriedade na mídia foi no Campeonato Brasileiro de 1992.
O apelido tornou-se tão popular que em 1996, os dois Xuxas
gravaram juntos um comercial para a televisão.
Romário das piscinas - O nadador brasileiro
não conseguiu fugir de outra comparação com um famoso. Conhecido
por freqüentar festas e casas noturnas, Xuxa ficou com fama
de "Romário das piscinas". Entretanto, apesar de se declarar
admirador do jogador de futebol, ele sempre negou o título.
"Saio só no sábado e quase nunca, pois quando chega o fim
de semana eu quero mais é dormir. Se eu sair toda noite, não
agüento treinar e muito menos ganhar as competições", argumentava
sempre que questionado.
Tudo por um recorde - Em 2001, durante
os Jogos da Amizade, Xuxa surpreendeu a todos. Depois de chegar
à fase final da disputa dos 100m livre, o brasileiro nadou
apenas os 50m iniciais e abandonou a prova, mesmo estando
em primeiro lugar. A justificativa: quebrar o recorde sul-americano
dos 50m livre, estabelecido pelo próprio. Apesar da atitude
totalmente incomum, nenhum outro competidor manifestou qualquer
tipo de protesto contra Xuxa.
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