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Atualização: 26/11/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . TORBEN GRAEL

Torben: o mestre dos mares

Foto:Acervo/ Gazeta Press
Foto:Acervo/ Gazeta Press

Nome: Torben Schmidt Grael
Data de nascimento: 22 de julho de 1960.
Local: São Paulo (SP)
Apelido: Turbina
Principais conquistas
- ouro na classe Star em Atlanta-1996 e Atenas-2004, ambos ao lado de Marcelo Ferreira
- prata na classe Soling em Los Angeles-1984, com Daniel Adler e Ronaldo Senfft
- bronze na classe Star em Seul-1988, com Nelson Falcão, e Sidney-2000, com Marcelo Ferreira
- campeão da Copa Louis Vuitton em 2000 e vice em 2007
- terceiro colocado na edição 2005/2006 da Volvo Ocean Race
- campeão mundial de Star em 1990 e vice em quatro oportunidades: 1991, 1995, 1998 e 2002
- campeão mundial de Snipe em 1983 e 1987, além de segundo colocado em 1989
- campeão mundial na classe 12 metros (1999), One ton (1992) e Snipe Jr. (1978)
- cinco títulos sul-americanos de Star: 1991, 1995, 1996, 2002 e 2004
- cinco títulos europeus de Star: 1989, 1990, 1991, 2001 e 2003
- campeão norte-americano de Soling em 1981
- seis títulos da Semana Olímpica de Vela pela classe Star e dois pela Soling
- 35 campeonatos brasileiros, divididos pelas classes Snipe Juvenil, Finn Juvenil, Laser, Snipe, Soling, Oceano, Star e Snipe
Participações olímpicas: Los Angeles-1984, Seul-1988, Atlanta-1996, Barcelona-1992, Sydney-2000 e Atenas-2004

Maior medalhista olímpico do esporte brasileiro, com dois ouros, uma prata e dois bronzes, Torben Grael mantém o status de astro também no mundo da vela, onde é o atleta que mais vezes subiu ao pódio no maior evento esportivo do planeta. Consagrado nas disputas olímpicas, este paulista goza ainda de grande prestígio no mundo das milionárias regatas match race (barco contra barco) e de volta ao mundo. Apesar disto, não esquece o lado social: desde 1998, ao lado do irmão Lars e do amigo Marcelo Ferrari, ele ajuda a manter o “Projeto Grael”, que dissemina o conhecimento náutico a estudantes de escolas públicas de Niterói (RJ) e Vitória (ES).

Torben deu seus primeiros passos em sua trajetória vitoriosa com sete anos, quando ganhou seu primeiro barco, da classe Pingüim. O aprendizado do ofício ficou a cargo do avô materno, o dinamarquês Preben Schmidt, que fundou o Rio Sailing Club em 1914. “Ele nos ensinou a velejar quando nós ainda éramos crianças. Depois, fizemos pós-graduação com nossos tios Erik e Axel Schmidt”, brinca Grael, referindo-se à dupla tricampeã mundial e representante brasileira nas Olimpíadas de 1968 e 1972.

Da baía de São Francisco, em Niterói, para o mundo, foi uma rajada de vento. Primeiro, ao lado do irmão Lars, com quem conquistou vários títulos na classe Snipe, especialmente no início dos anos 80, quando foram bicampeões brasileiros e campeões mundiais (1983 e 1987). Porém, o fato de eles não terem como financiar sozinhos o esporte, fez com que procurassem o apoio de outros parceiros e encerrarem a vitoriosa parceria.

A estréia em Olimpíadas se deu em Los Angeles-1984. E com grande estilo: Torben conquistou a prata na Soling, com Daniel Adler e Ronaldo Senfft. Depois, veio o bronze em Seul-1988, na Star, com Nelson Falcão. O primeiro ouro foi ganho em Atlanta-1996, já com o proeiro Marcelo Ferreira, com quem viria a conquistar o bi oito anos depois, em Atenas. E Grael poderia ainda ter mais medalhas douradas para mostrar: na Coréia do Sul, a vantagem sobre os demais adversários era grande, mas o mastro quebrou. Já na Austrália, um erro na largada tirou os brasileiros do primeiro lugar.

Chegar ao bicampeonato olímpico em 2004 sempre fez parte dos planos do velejador. “No meu modo de ver as coisas, nada é mais importante no esporte do que os Jogos Olímpicos. Tecnicamente, o Mundial é muito mais difícil, mas a Olimpíada tem muitos outros motivos que a tornam importante e cobiçada”, compara o campeão mundial de Star em Cleveland (EUA), 1990, e vice em 2002, na Marina Del Rey (Espanha). Em Jogos Pan-americanos, Torben acumula um ouro (1983) e um bronze (1987), ambos pela classe Soling.

Ao mesmo tempo em que se preparava para os Jogos de Sidney, o brasileiro mergulhou de vez em um novo desafio: ser tático do veleiro Luna Rossa, do sindicato Prada, em sua tentativa de vencer a Louis Vuitton, evento classificatório para a America's Cup, a mais tradicional regata match race do mundo. Nesta função, ele tinha a missão de indicar o melhor caminho a seguir, considerando as variações do vento e da correnteza e usando muito do feeling adquirido em toda uma vida como velejador.

A tarefa era difícil, mas seguindo a intuição de Torben, o time internacional do veleiro italiano fez com que, pela primeira vez em 149 anos, uma embarcação norte-americana ficasse de fora da America's Cup. É verdade que depois de vencer a Louis Vuitton, o Luna Rossa foi batido por 5 a 0 pelos neozelandeses do Black Magic, mas a fama de Torben já estava feita. Tanto que ele se manteve na equipe que tentou defender o título da Louis Vuitton em 2002, quando a equipe foi eliminada na semifinal. Cinco anos mais tarde, ajudou os italianos a chegarem novamente à final da competição, mas o Luna Rossa caiu diante do Team New Zealand.

Foto: Juca Varella/Folha Imagem
Foto: Juca Varella/Folha Imagem

Sydney 2000: Torben Grael (e) e Marcelo Ferreira recebem medalha de bronze

Entre novembro de 2005 e junho de 2006, o desafio foi coordenar o primeiro barco brasileiro a participar da Volvo Ocean Race, regata de volta ao mundo considerada a “Fórmula 1” da vela. O projeto angariou diversos patrocinadores e terminou com um resultado espetacular para as pretensões da equipe: o terceiro lugar. Na próxima edição da regata, que será realizada nos anos de 2008 e 2009, Torben será o comandante do time sueco Ericsson, que chega à disputa com status de favorito.

Com tantos compromissos, constantes viagens e muito trabalho, apenas alguém do meio da vela poderia entender a rotina de Torben. E ele encontrou em Andréa a companheira ideal. Os dois se conheceram durante uma regata de Laser e têm dois filhos: Marco e Martine. “A Andréa é minha companheira para velejar e ainda cuidar das contas e da agenda”, derrete-se o vitorioso Torben, que teve o privilégio de carregar a bandeira do Brasil na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atenas.


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