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Por Fernando Narazaki
Três títulos
de Grand Slam, número um do mundo e vencedor da Corrida
dos Campeões em 2000. Quem acreditaria um dia que o
responsável pelas glórias citadas acima seria
um brasileiro? Mas assim é Gustavo Kuerten, que venceu
o descrédito de um país que praticamente ignora
os esportes fora do futebol e colocou o tênis na agenda
das modalidades mais valorizadas pelo torcedor nos anos 90
e início deste século 21.
Órfão de pai
e criado com muito esmero pela mãe, o catarinense nascido
em 10 de setembro de 1976 tornou-se conhecido para o brasileiro
em 8 de junho de 1997, quando bateu o espanhol Sergi Bruguera
em rápidos três sets na final de Roland Garros,
sendo o primeiro atleta do país a vencer um torneio
de Grand Slam desde a profissionalização do
tênis em 1968.
Até então, o único nome brasileiro nesta
lista seleta de vencedores era Maria Esther Bueno, a Estherzinha,
que foi campeã por quatro vezes no Aberto dos EUA e
mais três em Wimbledon, mas todos os títulos
foram na época considerada amadora, nos anos 50 e 60.
Depois do título em Paris, o tênis brasileiro
ganhou um novo referencial. A partir de 1997, a modalidade
passou a respeitar mais o manezinho da Ilha, que ainda foi
campeão em dois torneios menores em 1998, ano em que
enfrentou muitas provações.
A glória maior, entretanto, estaria por vir. Em 2000,
Guga fechou o ciclo de conquista do chamado Grand Slam do
saibro, ao vencer o Masters Series de Hamburgo. No ano anterior,
o catarinense foi campeão dos Masters Series de Roma
e Monte Carlo, que formam com o torneio alemão e Roland
Garros o ciclo de grandes competições no saibro.
Em junho, o manezinho foi novamente vencedor no solo parisiense
e assumiu a liderança da Corrida dos Campeões,
que levava em conta o desempenho da temporada.
Dois meses depois, ele calou de vez os (poucos) críticos
que tinha, ao vencer o Torneio de Indianápolis, seu
primeiro fora do saibro. A coroação viria em
3 de dezembro daquele ano, quando bateu, nada menos que, os
norte-americanos Pete Sampras e Andre Agassi na semifinal
e final do Masters de Lisboa. Guga tornou-se um dos únicos
tenistas da história a vencer os dois para chegar ao
título. O prêmio, além da taça,
foi o número um do mundo no ranking de entradas e a
vitória na Corrida dos Campeões daquela temporada.
O magricela brasileiro foi o primeiro e, por enquanto único,
sul-americano a terminar um ano na liderança da lista
de entradas. No ano seguinte, Guga manteve o ritmo no primeiro
semestre, foi campeão em Acapulco, Buenos Aires, Monte
Carlo e, finalmente, o histórico tri em Roland Garros.
Para encerrar a brilhante trajetória no saibro, o catarinense
foi vencedor em Stuttgart, terminando o ano com incríveis
33 triunfos em 35 jogos.
O brasileiro ainda seria campeão em Cincinnati e vice
em Indianápolis, antes de iniciar o pior momento de
sua carreira. Ele passou a sentir dores constantes na região
do quadril, perdeu 11 em 12 jogos e teve de ir à mesa
de operação em fevereiro de 2002. Sem a liderança
do ranking, que já estava nas mãos de Lleyton
Hewitt, Guga passou por uma delicada intervenção
e surpreendeu, novamente, ao retornar em apenas dois meses
às quadras.
Mas o resultado demorou a vir. O catarinense passou por uma
inscontante temporada e só viria a reagir, justamente,
no Brasil. Em solo baiano, Guga deu um show de resistência,
venceu duas maratonas de mais de 2h30 de jogo e levou a taça
de Costa do Sauípe para casa, ao bater o argentino
Guillermo Coria. Animado com o título, o manezinho
iniciou muito bem em 2003 com o título no piso sintético
de Auckland.
Quando tudo levava à volta de Guga à lista
dos dez melhores, ele voltou a mostrar a inconstância
do ano anterior. Desacreditado, o catarinense perdeu totalmente
a confiança, fez sua pior temporada no saibro e no
sintético da América do Norte. Mas Guga voltou
a ressurgir. Ameaçado de sair dos top 20, o brasileiro
foi à Rússia e faturou o título em São
Petersburgo, o primeiro dos 20 na carreira em quadras de carpete.
No ano seguinte, o quadril de Gustavo Kuerten o segurou até
o primeiro semestre, quando atingiu as quartas-de-final em
Roland Garros. Tanto nos Jogos de Atenas quanto no Aberto
dos EUA, Guga caiu logo na primeira rodada. Semanas depois,
anunciou sua segunda cirurgia. Recuperado em 2005, Kuerten
recomeçou sua maratona no circuito - sem Larri Passos,
companheiro de 15 anos, cuja parceria foi desfeita em março, mas os resultados não vieram. Foram seis eliminações logo na estréia e nos outros três torneios que atuou, caiu no segundo compromisso.
Após uma frustrante derrota para o compatriota André Ghem, que sequer estava entre os 350 primeiros do ranking, na primeira rodada de Costa do Sauípe, em 2006, Guga decidiu passar por nova intervenção no quadril. Ele só retornou no final da temporada, teve de disputar eventos de menor porte (challengers), mas as decepções seguiram e Guga fez uma nova parada em março de 2007. Ele só deve voltar a competir em fevereiro de 2008 em Sauípe, mas já em sua temporada de despedida. Cansado de jogar com dores e não vencer a dor no quadril, o ex-número um do mundo deve encerrar a carreira em Roland Garros ou nas Olimpíadas de Pequim.
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