| Raça argentina a
serviço do tênis brasileiro
| Foto: Gazeta Press |
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| Nome: Fernando Ariel Meligeni
Data de nascimento: 12 de abril de
1971
Local: Buenos Aires, Argentina
Principais conquistas em simples:
Torneio de Praga-1998
Torneio de Pinehurst-1996
Torneio de Bastad-1995
Principais conquistas em duplas:
Torneio de Casablanca-1999
Torneio de Gstaad-1998
Torneio de Estoril-1997
Torneio de Bologna-1997
Torneio de Stuttgart-1997
Torneio de Bogotá-1997
Torneio de Santiago-1996
Participações olímpicas:
Atlanta-96 (quarto lugar)
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Fernando Ariel Meligeni nasceu
em Buenos Aires no dia 12 de abril de 1971, mas foi em terras
brasileiras que ganhou destaque internacional duas décadas
depois, quando o tênis não era nem de perto um esporte conhecido
pela população nacional. Embora portenho de nascença, o jovem
Fernando Meligeni deixou a capital argentina com apenas quatro
anos de idade e se mudou para o Brasil – mais precisamente
na cidade de São Paulo, onde vive até hoje.
Cativado por São Paulo, Meligeni se naturalizou brasileiro
ao se profissionalizar, seguindo seu coração já verde-amarelo.
Conhecido pelo estilo irreverente e raçudo em quadra, Fininho
– apelido que ganhou em decorrência do físico nem um pouco
avantajado de 1,80m de altura e 64kg – foi o segundo maior
tenista brasileiro nos últimos tempos, atrás apenas do ex-número
um do mundo, Gustavo Kuerten.
Em agosto de 2003, após 14 anos de carreira profissional,
Meligeni deixou as quadras com três títulos da ATP no currículo,
além de uma medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos (conquistado
em sua última partida na carreira), uma semifinal de Roland
Garros-1999, o quarto lugar nas Olimpíadas de Atlanta-1996
e com um 25º lugar no ranking de entradas, obtido em 1999.
As primeiras raquetadas: Desde cedo, a vida de Fernando
Meligeni estava ligada aos esportes. Começou no futsal quando
tinha ainda oito anos, mas sob influência da irmã Paula começou
sua carreira no tênis. Seu primeiro treinador, José Flávio
Nunes, fez o gosto pelo esporte virar paixão.
Aos dez anos, no tradicional Aberto do Espéria, em São Paulo,
faturou seu primeiro título no da modalidade. No entanto,
Meligeni admite não ter feito uma carreira juvenil espetacular.
Jamais ganhou títulos estaduais ou nacionais de expressão,
mas desenvolveu um estilo que, nas palavras do tenista, "era
simples: atacava e corria muito".
Com 16 anos, já com o apelido de Fino, obteve uma bolsa
de estudos e foi tentar a sorte em Buenos Aires. O treinamento
de dois anos o levou ao terceiro lugar do ranking mundial
de juvenis de 1989 e ao expressivo título no Orange Bowl de
Miami, considerado o mais importante torneio juvenil do calendário.
Meligeni lembra que o período na Argentina foi ótimo, mas
serviu para mostrar o quanto era brasileiro. Isso foi o fator
determinante para a sua naturalização ao entrar para o circuito
profissional, após vencer a edição de 1989 do Orange Bowl,
em Miami – o torneio juvenil mais importante do circuito.
Ele já tinha a conhecida garra dentro das quadras, que o marcaria
ao longo dos próximos anos.
Profissional: Seu primeiro treinador já na fase profissional
foi Marcelo Meyer, responsável os primeiros ajustes em seu
estilo de jogo, e assim Fininho começou a ganhar os primeiros
pontos no ranking e os primeiros títulos. Em 1995, foi treinar
com Ricardo Acioly, o Pardal, que fez mais alguns acertos
em seu modo de jogar.
No primeiro ano da parceria com Pardal, Meligeni obteve
o primeiro título profissional. No saibro de Bastad, na Suíça,
ele derrotou o norueguês Christian Ruud na final por 2 sets
a 0, com um duplo 6/4, e conquistou a taça.
Em 1996, Fininho foi campeão em Pinehurst, nos Estados Unidos,
ao bater o australiano Patrick Rafter nas quartas-de-final
e, na decisão, superou o sueco Mats Wilander, ex-número um
do mundo e tricampeão de Roland Garros. No mesmo ano, o brasileiro
alcançou o melhor resultado de um tenista do país nos Jogos
Olímpicos, ao terminar na quarta colocação, perdendo a semifinal
para o espanhol Sergi Bruguera e a decisão da medalha de bronze
para o indiano Leander Paes.
O terceiro título da carreira veio em 1998, quando Meligeni
faturou o título de Praga. Mas foi em 1999 que Fininho obteve
seu melhor resultado em um Grand Slam, na surpreendente campanha
de Roland Garros.
Zebra e top 30: Então número 54 do mundo em junho
de 99, Meligeni passou na estréia pelo norte-americano Justin
Gimelston, 70º, e pelo marroquino Younes El Anaoui, 33º. Na
terceira rodada, Meligeni voltou a superar Rafter, que já
era o terceiro melhor tenista em atividade. Nas oitavas-de-final,
o brasileiro superou o espanhol Felix Mantilla, 15º, e, nas
quartas-de-final, superou ninguém menos do que o também espanhol
Alex Corretja, sexto do mundo.
Meligeni só não foi considerado a maior zebra daquele Aberto
da França porque teve pela frente na semifinal o ucraniano
Andrei Medvedev, que ostentava a modesta 100ª colocação do
ranking de entradas. Mas o azarão europeu bateu Fininho de
virada, por 3 sets a 1, com 5/7, 6/3, 6/4 e 6/7 (6-8) e passou
à final contra o norte-americano Andre Agassi – que se tornaria
o campeão com uma incrível vitória de virada por 3 a 2 (1/6,
2/6, 6/4, 6/3 e 6/4).
Na mesma temporada, o brasileiro alcançou o seu melhor ranking,
ao ser 25º do mundo, em 11 de outubro. Mas Meligeni não conseguiu
manter o bom ritmo em 2000 e passou a cair no ranking, deixando
o grupo dos top 100. Em 2001, discutiu com Acioly no mesmo
em Roland Garros e acabou rompendo com o técnico.
Início do fim: Meligeni passou a expandir suas habilidades
para fora das quadras em 2002. Começou a apresentar um programa
de esportes na MTV e ainda lançou uma linha de raquetes. No
ano seguinte, com 14 anos de circuito profissional, anunciou
que abandonaria a carreira, após a participação no qualifying
de Roland Garros.
A última competição do tenista Meligeni na carreira foram
os Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, em 2003. Após ganhar
um bye na primeira rodada, o brasileiro venceu quatro
partidas por 2 sets a 0 antes de chegar à final: duplo 6/2
no argentino Carlos Berlocq na estréia, WO sobre o porto-riquenho
Gabriel Montilla nas oitavas, 6/3 e 6/4 sobre o norte-americano
Jeff Morrison nas quartas e 6/4 e 6/2 sobre o venezuelano
José de Armas nas semis.
Jogo da vida: O grande desafio de Meligeni seria,
de fato, na final: teria pela frente o chileno Marcelo Ríos,
ex-número um do mundo em 1998. E as 2h44 de decisão naquele
domingo, 10 de agosto de 2003, simplesmente resumiram a carreira
de Fininho. A partida foi equilibradíssima e, embora não tenha
salvado nenhum match point, Meligeni sofreu em quadra
e por pouco não viu o ouro pan-americano ir para o peito do
ex-líder do ranking de entradas.
Ríos vencia a partida por 1 set a 0 (fizera 7/5 na etapa
inicial) e tinha 5/4 e o saque a seu favor para fechar o torneio.
Meligeni conseguiu a quebra no momento crucial e conseguiu
forçar o tie-break. O chileno abriu 4-0 e 5-1 e ficou a dois
pontos do ouro, mas venceu os seis pontos seguintes e fechou
a parcial em 7/6, com 7-5 no game extra.
O terceiro set também foi parelho. Após uma quebra para
cada lado, Meligeni superou o saque de Ríos no nono game e,
com 5/4, sacou para fechar a partida. Foi então a vez de o
chileno devolver a quebra e, logo em seguida, abrir 6/5. No
12º game, o ex-número um ficou novamente a dois pontos da
vitória, com 0-30 a seu favor. E Meligeni se recuperou, virou
a disputa e faturou a partida no tie-break novamente por 7-5.
Davis: Dois anos após se aposentar e vendo o tênis
brasileiro voltar ao ostracismo de antes, caindo para a segunda
divisão das Américas da Copa Davis, Meligeni foi nomeado capitão
do país na competição em 2005. Sua estréia no cargo foi em
4 de março de 2005, com a vitória por 5 a 0 sobre a Colômbia,
em Bogotá.
Após perder a repescagem para o grupo mundial em setembro
de 2006, com uma derrota por 3 a 1 para a Suécia em Belo Horizonte,
Meligeni deixou o cargo por não concordar com a gestão da
Confederação Brasileira de Tênis (CBT). |