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Atualização: 26/11/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . FERNANDO MELIGENI

Raça argentina a serviço do tênis brasileiro

Foto: Gazeta Press
Foto: Gazeta Press

Nome: Fernando Ariel Meligeni
Data de nascimento: 12 de abril de 1971
Local: Buenos Aires, Argentina
Principais conquistas em simples:
Torneio de Praga-1998
Torneio de Pinehurst-1996
Torneio de Bastad-1995
Principais conquistas em duplas:
Torneio de Casablanca-1999
Torneio de Gstaad-1998
Torneio de Estoril-1997
Torneio de Bologna-1997
Torneio de Stuttgart-1997
Torneio de Bogotá-1997
Torneio de Santiago-1996
Participações olímpicas: Atlanta-96 (quarto lugar)

Fernando Ariel Meligeni nasceu em Buenos Aires no dia 12 de abril de 1971, mas foi em terras brasileiras que ganhou destaque internacional duas décadas depois, quando o tênis não era nem de perto um esporte conhecido pela população nacional. Embora portenho de nascença, o jovem Fernando Meligeni deixou a capital argentina com apenas quatro anos de idade e se mudou para o Brasil – mais precisamente na cidade de São Paulo, onde vive até hoje.

Cativado por São Paulo, Meligeni se naturalizou brasileiro ao se profissionalizar, seguindo seu coração já verde-amarelo. Conhecido pelo estilo irreverente e raçudo em quadra, Fininho – apelido que ganhou em decorrência do físico nem um pouco avantajado de 1,80m de altura e 64kg – foi o segundo maior tenista brasileiro nos últimos tempos, atrás apenas do ex-número um do mundo, Gustavo Kuerten.

Em agosto de 2003, após 14 anos de carreira profissional, Meligeni deixou as quadras com três títulos da ATP no currículo, além de uma medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos (conquistado em sua última partida na carreira), uma semifinal de Roland Garros-1999, o quarto lugar nas Olimpíadas de Atlanta-1996 e com um 25º lugar no ranking de entradas, obtido em 1999.

As primeiras raquetadas: Desde cedo, a vida de Fernando Meligeni estava ligada aos esportes. Começou no futsal quando tinha ainda oito anos, mas sob influência da irmã Paula começou sua carreira no tênis. Seu primeiro treinador, José Flávio Nunes, fez o gosto pelo esporte virar paixão.

Aos dez anos, no tradicional Aberto do Espéria, em São Paulo, faturou seu primeiro título no da modalidade. No entanto, Meligeni admite não ter feito uma carreira juvenil espetacular. Jamais ganhou títulos estaduais ou nacionais de expressão, mas desenvolveu um estilo que, nas palavras do tenista, "era simples: atacava e corria muito".

Com 16 anos, já com o apelido de Fino, obteve uma bolsa de estudos e foi tentar a sorte em Buenos Aires. O treinamento de dois anos o levou ao terceiro lugar do ranking mundial de juvenis de 1989 e ao expressivo título no Orange Bowl de Miami, considerado o mais importante torneio juvenil do calendário.

Meligeni lembra que o período na Argentina foi ótimo, mas serviu para mostrar o quanto era brasileiro. Isso foi o fator determinante para a sua naturalização ao entrar para o circuito profissional, após vencer a edição de 1989 do Orange Bowl, em Miami – o torneio juvenil mais importante do circuito. Ele já tinha a conhecida garra dentro das quadras, que o marcaria ao longo dos próximos anos.

Profissional: Seu primeiro treinador já na fase profissional foi Marcelo Meyer, responsável os primeiros ajustes em seu estilo de jogo, e assim Fininho começou a ganhar os primeiros pontos no ranking e os primeiros títulos. Em 1995, foi treinar com Ricardo Acioly, o Pardal, que fez mais alguns acertos em seu modo de jogar.

No primeiro ano da parceria com Pardal, Meligeni obteve o primeiro título profissional. No saibro de Bastad, na Suíça, ele derrotou o norueguês Christian Ruud na final por 2 sets a 0, com um duplo 6/4, e conquistou a taça.

Em 1996, Fininho foi campeão em Pinehurst, nos Estados Unidos, ao bater o australiano Patrick Rafter nas quartas-de-final e, na decisão, superou o sueco Mats Wilander, ex-número um do mundo e tricampeão de Roland Garros. No mesmo ano, o brasileiro alcançou o melhor resultado de um tenista do país nos Jogos Olímpicos, ao terminar na quarta colocação, perdendo a semifinal para o espanhol Sergi Bruguera e a decisão da medalha de bronze para o indiano Leander Paes.

O terceiro título da carreira veio em 1998, quando Meligeni faturou o título de Praga. Mas foi em 1999 que Fininho obteve seu melhor resultado em um Grand Slam, na surpreendente campanha de Roland Garros.

Zebra e top 30: Então número 54 do mundo em junho de 99, Meligeni passou na estréia pelo norte-americano Justin Gimelston, 70º, e pelo marroquino Younes El Anaoui, 33º. Na terceira rodada, Meligeni voltou a superar Rafter, que já era o terceiro melhor tenista em atividade. Nas oitavas-de-final, o brasileiro superou o espanhol Felix Mantilla, 15º, e, nas quartas-de-final, superou ninguém menos do que o também espanhol Alex Corretja, sexto do mundo.

Meligeni só não foi considerado a maior zebra daquele Aberto da França porque teve pela frente na semifinal o ucraniano Andrei Medvedev, que ostentava a modesta 100ª colocação do ranking de entradas. Mas o azarão europeu bateu Fininho de virada, por 3 sets a 1, com 5/7, 6/3, 6/4 e 6/7 (6-8) e passou à final contra o norte-americano Andre Agassi – que se tornaria o campeão com uma incrível vitória de virada por 3 a 2 (1/6, 2/6, 6/4, 6/3 e 6/4).

Na mesma temporada, o brasileiro alcançou o seu melhor ranking, ao ser 25º do mundo, em 11 de outubro. Mas Meligeni não conseguiu manter o bom ritmo em 2000 e passou a cair no ranking, deixando o grupo dos top 100. Em 2001, discutiu com Acioly no mesmo em Roland Garros e acabou rompendo com o técnico.

Início do fim: Meligeni passou a expandir suas habilidades para fora das quadras em 2002. Começou a apresentar um programa de esportes na MTV e ainda lançou uma linha de raquetes. No ano seguinte, com 14 anos de circuito profissional, anunciou que abandonaria a carreira, após a participação no qualifying de Roland Garros.

A última competição do tenista Meligeni na carreira foram os Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, em 2003. Após ganhar um bye na primeira rodada, o brasileiro venceu quatro partidas por 2 sets a 0 antes de chegar à final: duplo 6/2 no argentino Carlos Berlocq na estréia, WO sobre o porto-riquenho Gabriel Montilla nas oitavas, 6/3 e 6/4 sobre o norte-americano Jeff Morrison nas quartas e 6/4 e 6/2 sobre o venezuelano José de Armas nas semis.

Jogo da vida: O grande desafio de Meligeni seria, de fato, na final: teria pela frente o chileno Marcelo Ríos, ex-número um do mundo em 1998. E as 2h44 de decisão naquele domingo, 10 de agosto de 2003, simplesmente resumiram a carreira de Fininho. A partida foi equilibradíssima e, embora não tenha salvado nenhum match point, Meligeni sofreu em quadra e por pouco não viu o ouro pan-americano ir para o peito do ex-líder do ranking de entradas.

Ríos vencia a partida por 1 set a 0 (fizera 7/5 na etapa inicial) e tinha 5/4 e o saque a seu favor para fechar o torneio. Meligeni conseguiu a quebra no momento crucial e conseguiu forçar o tie-break. O chileno abriu 4-0 e 5-1 e ficou a dois pontos do ouro, mas venceu os seis pontos seguintes e fechou a parcial em 7/6, com 7-5 no game extra.

O terceiro set também foi parelho. Após uma quebra para cada lado, Meligeni superou o saque de Ríos no nono game e, com 5/4, sacou para fechar a partida. Foi então a vez de o chileno devolver a quebra e, logo em seguida, abrir 6/5. No 12º game, o ex-número um ficou novamente a dois pontos da vitória, com 0-30 a seu favor. E Meligeni se recuperou, virou a disputa e faturou a partida no tie-break novamente por 7-5.

Davis: Dois anos após se aposentar e vendo o tênis brasileiro voltar ao ostracismo de antes, caindo para a segunda divisão das Américas da Copa Davis, Meligeni foi nomeado capitão do país na competição em 2005. Sua estréia no cargo foi em 4 de março de 2005, com a vitória por 5 a 0 sobre a Colômbia, em Bogotá.

Após perder a repescagem para o grupo mundial em setembro de 2006, com uma derrota por 3 a 1 para a Suécia em Belo Horizonte, Meligeni deixou o cargo por não concordar com a gestão da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

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