| Foto Gazeta Press |
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Contusões, o drama
da carreira
Engana-se quem pensa que a carreira de Maria Esther
Bueno foi composta somente por bons momentos. Em 1961, no
auge de sua carreira, a brasileira descobriu uma infecção
no sangue que comprometeu seu rendimento e a afastou das quadras
durante algum tempo.
Desde 1959, Estherzinha havia conquistado dois títulos
de Winbledon e um do Aberto dos Estados Unidos na chave de
simples e todos os principais torneios de duplas. Era a maior
tenista do mundo e tinha tudo para confirmar uma grande hegemonia.
A infecção, contudo, atrapalhou muito sua carreira.
Foi um baque muito grande para a maior atleta do Brasil na
ocasião.
Efetivamente, a Estherzinha só retornou às
quadras em 1962. Foi quando seu tênis voltou a ser o
que era antes da doença. Nesta temporada, foi campeã
de duplas do Aberto dos Estados Unidos e de duplas mistas
em Roland Garros, Wimbledon e Estados Unidos.
A contusão mais grave, porém, aconteceu em
1967. Maria Esther Bueno disputava o torneio de Winbledon
nas chaves de simples, duplas e duplas mistas, e jogou 120
games no mesmo dia. Quase sete horas dentro da quadra.
Devido ao enorme esforço, rompeu o tendão,
os ligamentos e o músculo do braço direito.
No dia seguinte à maratona não conseguia segurar
sequer um copo d'água.
O fenômeno Maria Esther Bueno acabou neste momento.
A brasileira nunca mais voltou a apresentar o tênis
que conciliava força e graciosidade.
Mesmo assim, ainda conquistou alguns títulos, como
as duplas do Aberto dos Estados Unidos em 1968, seu último
Grand Slam.
Desta data em diante, alternou seguidos retornos às
quadras com cinco intervenções cirúrgicas,
tentando fazer seu braço voltar a ser o que era.
"O principal agravante foi a época na qual aconteceu
a contusão. Se tivesse um preparo físico e um
suporte médico como os tenistas profissionais têm
atualmente, acho que as conseqüências da lesão
não teriam sido tão grandes", disse há
alguns anos, resignada, a ex-tenista.
Em 1974, aos 35 anos, venceu o último torneio de sua
carreira. Depois disso, voltou a ter problemas com o braço.
Voltou a jogar em 1976, mas não conseguiu bons resultados
nas competições que disputou.
No final de 1977, quando já havia completado 38 anos,
Maria Esther abandonou o tênis profissional. A contusão
no braço acabara com sua carreira. A primeira dama
do tênis brasileiro pendurou sua raquete, mas o mito
da Estherzinha persiste até hoje.
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