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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MARTINA NAVRATILOVA

A deserção

Desde que sentiu a primeira brisa dos Estados Unidos, Martina se apaixonou pela liberdade, conforto e luxo da terra de Tio Sam. Depois de vencer o campeonato tcheco de 1972 e o torneio interno na Inglaterra, a Federação Tcheca resolveu deixá-la participar do circuito de inverno dos Estados Unidos, em 1973.

Durante essa temporada, o que mais marcou Martina foi a alimentação norte-americana: "Aqui, no Novo Mundo, logo descobri as pizzas, os hambúrgueres, as batatas fritas, panquecas, cereais. Em toda lanchonete que passava tinha de experimentar alguma coisa. Costumavam dizer que eu estava em uma dieta de 'ver-comida'. O que eu via tinha que comer." Essa gula desenfreada rendeu à atleta 12 quilos. A transformação foi tanta que no retorno a sua terra natal, seus familiares e amigos quase não a reconheceram.

O segundo fato que marcou sua primeira passagem pela América foi o nascimento da rivalidade com Chris Evert. Naquele ano, a norte-americana já era uma das principais jogadoras do circuito e dona do título "Princesa Americana do Gelo." Na primeira partida entre as duas, durante a rodada de abertura do torneio de Akron, Chris levou a melhor em 7/6 e 6/3. No segundo confronto, ainda em 73, nas semifinais de São Petersburgo, Martina deu trabalho, mas Evert novamente venceu por 7/5 e 6/3.

Dois anos depois, no sexto jogo entre as duas tenistas, Martina conseguiu finalmente vencer por 3/6, 6/4 e 7/6, nas quartas-de-final de Washington. Até o final da carreira de ambas, seria uma disputa acirrada em cada partida, muitas delas nas finais dos principais torneios do circuito profissional. "Naqueles primeiros anos, sempre que jogava contra Chris eu achava que precisava vencer o mais depressa possível. Se vencia o primeiro set, dizia para mim mesma: preciso ganhar o segundo agora. Acabe agora, do contrário estará muito cansada para o terceiro. E querem saber de uma coisa? Eu perdia o segundo e o terceiro."

Passada a primeira viagem, Martina retornou à Tchecoslováquia disposta a disputar todos os campeonatos possíveis nos Estados Unidos. No ano seguinte, voltar à América não é difícil. No final da temporada de 75, ela ganhou US$ 3 mil e foi obrigada a entregar todo o dinheiro à Federação Tcheca de Tênis. A entidade concedia apenas US$ 17 diários para suas refeições. Revoltada com a situação, ela contrataria o agente norte-americano Fred Barman que negociou um novo contrato para Martina: a Federação deixaria com a tenista 80% dos seus ganhos nos torneios.

Para a Federação e para a própria Martina, esse era o começo de sua americanização. Depois disso, a entidade começaria a dificultar suas saídas do país e a exigir que ela se hospedasse com suas compatriotas em suas viagens.

A situação ficava cada vez mais insustentável. Martina passou meses tentando decidir se deixava ou não a Tchecoslováquia. Quando ela conseguiu permissão para disputar torneios do circuito Virginia Slims, nos Estados Unidos em 75, ela já estava decidida. Depois de um bom desempenho em Boston, ela devia voltar para seu país, mas resolveu ficar para jogar o torneio de Amelia Island, sem avisar à federação. Eles não gostaram e começou a retaliação.

Mesmo sob pressão, a Federação permitiu que ela participasse do Aberto da França e de Wimbledon. Na Inglaterra, acompanhada de toda a família, ela estava disposta a desertar, mas desistiram e voltaram à Tchecoslováquia.

Apenas com a intervenção de Jan Kodes, um dos maiores tenistas tchecos da época, Martina obteve autorização para jogar no Aberto dos EUA, em 1975. Essa era a oportunidade que ela não perderia. Sem se despedir de seus familiares, ela voa para a América para não voltar mais.

Em meio ao Aberto, ela pede asilo aos Estados Unidos e recebe seu "green card", a autorização para que permanecesse em território norte-americano. Mesmo com toda a pressão, ela não voltou atrás e ficou esperando por sua naturalização que viria em 1981.

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