| Foto Gazeta Press |
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Com o tênis nas
veias
Martina nasceu em uma família de esportistas, com o tênis
nas veias. O orgulho da família era a vitória de sua avó
materna, Agnes Semanska, sobre a mãe de Vera Sukova no torneio
nacional da Tchecoslováquia. Em 84, Martina diria que a
família Sukova se vingou tanto desta derrota quanto dos
problemas que ela ocasionou à Vera Sukova, sua treinadora
na época da deserção. Naquele ano, Helena Sukova (filha
de Vera) venceu-a na semifinal do Aberto da Austrália, impedindo-a
de fechar o Grand Slam naquele ano e quebrando uma serie
de 74 vitórias consecutivas.
Mesmo também sendo uma grande admiradora de esportes, a
mãe de Martina não conseguiu dar continuidade à tradição
da família no tênis. Segundo Navratilova, o fracasso de
sua mãe nas quadras deveu-se à influência maléfica de seu
avô: "Meu avô queria fazer de minha mãe uma grande tenista.
Ele a torturava, proibindo-a de beber água quando não jogava
bem, ou a acordava com borrifos de água gelada. Era um homem
tão cruel que, no fim, ela simplesmente desistiu. Deixou
de jogar tênis."
Mas para Martina as coisas seriam diferentes. Após se separar
de seu primeiro marido, sua mãe mudou-se para a antiga casa
da família em Revnice e entrou para o clube municipal de
tênis, com quadras de saibro. "Os habitantes da cidade passavam
as horas de folga jogando o tênis europeu: lento, amistoso,
quase cerimonial - pluc, pluc, pluc." A garota de apenas
três anos e meio se transformaria em uma rata de quadra.
E é nesse terreno que ela conheceu seu "futuro pai".
Trabalhando no clube, Mirek logo se aproxima de Jana e,
no dia 1º de julho de 1961, os dois se casam. Martina ganhava
mais do que um pai adotivo, ganhava o maior incentivador
de sua carreira.
Alguns anos depois, Martina herda uma raquete de sua avó
e passa os dias batendo a bola contra o paredão do clube.
Aos seis anos, seu pai a leva para a quadra para ensiná-la
o forehand. Para ela seria um momento inesquecível: "Assim
que pisei na quadra, com o saibro rangendo sob meus pés,
e senti o prazer de mandar a bola por cima da rede, compreendi
que estava no lugar certo. Por mim teria ficado jogando
com ele naquela quadra o dia inteiro. Eu tinha toda a energia
e toda a paciência do mundo."
E toda essa energia passaria a ser usada para aperfeiçoar
seu backhand e seu forehand e convencer as pessoas que mesmo
com os golpes tão agressivos e seu jeito desengonçado, ela
não era um garoto.
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