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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  MARAT SAFIN
Foto Reuters
Foto Gazeta Press
A montanha-russa Safin

Por Claudia Andrade

Mais conhecido por quebrar muitas raquetes nos acessos de fúria pelos erros cometidos durante as partidas, foi exatamente o caráter impulsivo que o russo Marat Safin teve de domar para se destacar com um outro feito. Nos últimos tempos, ele foi um dos poucos a derrotar o suíço Roger Federer, cuja hegemonia no circuito pode talvez ser considerada semelhante à de Michael Schumacher na antiga Fórmula 1. A vitória foi ainda mais contundente por ter sido alcançada não em um torneio mediano, mas no primeiro Grand Slam da temporada, o Aberto da Austrália.

Semifinal, cinco sets, parciais de 5/7, 6/4, 5/7, 7/6 (8-6) e 9/7. Foi o combustível para o russo passar também por Lleyton Hewitt e levar o título, seu segundo em torneios de Grand Slam. O primeiro veio ainda em 2000, no Aberto dos Estados Unidos, sobre o favoritíssimo Pete Sampras, em apenas três sets (6/4, 6/3 e 6/3). A temporada foi fértil para o jovem tenista de 20 anos, que despontava como estrela e chegava à unificação dos rankings mundiais.

Safin começou o ano devagar, caindo na primeira ou segunda rodada em dez dos 11 primeiros torneios que disputou. Mas embalou depois das vitórias em Barcelona e Mallorca, talvez inspirado pelos ares espanhóis que são a essência de sua formação no tênis e provavelmente responsáveis por seu temperamento passional. A mãe Raisa Islanova foi top ten na Rússia e o pai Mikhail, mais conhecido como Misha, era diretor do clube Spartak, onde a esposa treinava acompanhada de perto pelos filhos Safin e Dinara, seis anos mais nova. Treinado pela mãe dos 6 aos 13 anos, Safin precisou expandir horizontes na adolescência, buscar um centro de aprendizagem que oferecesse melhores condições.

Depois de uma tentativa frustrada nos Estados Unidos, quando Safin foi avaliado e julgado sem potencial, chegou-se a um patrocinador que deu condições para o menino de 13 anos treinar em Valência. A temporada durou até os 19 anos, e desenvolveu o gosto do tenista pelas quadras e saibro. Ele voltou à Rússia em 97, por um breve período, antes de retornar à Espanha, no mesmo ano em que se tornou profissional. A temporada de estréia rendeu um título, o do Challenger de Espinho, em Portugal.

Em 98, quando tinha apenas 18 anos, surpreendeu ao passar pelo qualifying de Roland Garros e eliminar na primeira rodada Andre Agassi e, na segunda, o brasileiro Gustavo Kuerten, então campeão. Foi eleito a revelação do ano. O primeiro troféu de um evento de primeiro nível, no entanto, veio apenas em 99, no ATP de Boston. Foi a prévia de uma temporada bastante frutífera. 2000 rendeu sete títulos ao russo, além dos prêmios de tenista que mais evoluiu na temporada, concedido pela Associação dos Tenistas Profissionais, e o de revelação, pelo Laureus World Sports, um dos maiores prêmios do esporte mundial.

Em 2001, parou logo no Aberto Australiano, mas foi semifinalista no dos Estados Unidos, perdendo exatamente para Pete Sampras. Em 2002, foi derrotado na final do Grand Slam da Austrália pelo sueco Thomas Johansson. A temporada seguinte foi para o lixo, por conta de uma lesão no pulso. Depois do torneio de Valência, em abril, ele caiu na primeira rodada de outros seis eventos até o final do ano. Voltou renovado em 2004, chegando a mais uma final na Austrália, perdida para Roger Federer. O troco veio um ano depois.

Exigência - Ao mesmo tempo em que tomava consciência de sua capacidade, Safin se inconformava com os erros que cometia. O temperamento explosivo lhe rendeu alguns incidentes. Na final em Paris, ele cortou o supercílio com a raquete. Durante o jogo decisivo de St. Petersburgo, teve o pulso atingido por um fragmento de fibra de carbono da raquete. Em 1999, chegou ao recorde de 48 raquetes quebradas, média de duas por partida. Cada movimento do jogador já era devidamente registrado, pois o tenista conseguira um feito e tanto: acabar com a invencibilidade de Sampras. Até cair diante do russo, em casa, o norte-americano não perdia uma final de Grand Slam há cinco anos. Experiente, ele havia sido derrotado apenas no Aberto da Austrália de 1995.

Safin também quebrava outro tabu, ao tornar-se o primeiro russo campeão do US Open. Nada que garantisse a tranqüilidade para o inveterado destruidor de raquetes, idolatrado pelas fãs e irreverente a ponto de escandalizar o público de Roland Garros mais uma vez, em 2004, ao abaixar o calção para comemorar um ponto do jogo da segunda rodada, contra Felix Mantilla. A torcida presente riu muito, mas a organização não gostou nem um pouco. O juiz de cadeira lhe tirou um ponto, atitude aprovada pela direção, mas muito criticada pelo tenista. "Eles apenas tentaram destruir o jogo, mostrar que estão acima dos jogadores. Estão fazendo todo o possível para tirar qualquer diversão. Você não pode fazer isso, nem aquilo, não pode fazer muitas coisas. Isso é uma piada", reclamou.

A rigidez no trato do evento é um dos fatores que desmotivam o russo a participar de Wimbledon, além do piso de grama, que não é seu ponto forte. Por isso, seu apetite por troféus de Grand Slam pode resultar em uma coleção incompleta, caso ele decida tentar entrar para o restrito clube dos que abocanharam todos os 'grandes' do circuito. Poder de fogo ele mostrou ter, ao superar o imbatível Federer. Seu desafio agora é manter a regularidade e saber usar de forma positiva seu forte impulso, para compensar a eventual quebra de raquetes com muitos troféus.

Publicação: 05/08/2005
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