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Atualização: 22/02/2007
 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . BEHAR E SHELDA

Só faltou o ouro olímpico

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Foto:Divulgação
Foto:Divulgação

Nome: Adriana Brandão Behar
Data de nascimento: 14 de fevereiro de 1969
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Pontos Fortes: Saque, ataque e bloqueio

Nome: Shelda Kelly Bruno Bedê
Data de nascimento: 1º de janeiro de 1973
Local: Fortaleza (CE)
Pontos Fortes: Defesa e recepção

Principais conquistas da dupla:
. Prata nos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) e de Sydney (2000)
. Hexacampeonato do Circuito Mundial: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2004
. Bicampeonato mundial: 1999 (França) e 2001 (Áustria)
. Vice-campeonato mundial em 2003
. Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (1999)
. Octacampeonato do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia: 1996, 1997, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e em 2004
. Integram a lista dos “Heróis Olímpicos” do Comitê Olímpico Internacional
Participações olímpicas: Sydney-00 e Atenas-04


Seis títulos do Circuito Mundial, duas taças do Campeonato Mundial, oito Circuitos Brasileiros e duas pratas olímpicas. Este é o resultado de uma parceria formada no dia 11 de outubro de 1995, data em que Adriana Behar e Shelda fizeram o primeiro treino juntas, sob o comando da técnica Letícia Pessoa, e deram início à dupla mais vitoriosa do vôlei de praia feminino brasileiro.

A união ocorreu quase que por acaso. Depois de trocar as quadras do competitivo nacional da Itália pela praia para ficar mais próxima à família, Adriana Behar desfazia uma dupla com Magda, depois de passagens ao lado de Margareth e Ana Richa. Shelda, por sua vez, buscava retomar sua carreira depois de um acidente sofrido em 1991, onde machucou seriamente a mão direita e a obriga a jogar com uma proteção. Vislumbrando a oportunidade, Letícia tratou de unir as duas.

A estréia foi apenas razoável, com a sétima colocação da etapa de Santos do Circuito Brasileiro. Porém, os ajustes não demoraram a acontecer e, logo na temporada de 1996, elas chegaram ao posto de campeãs nacionais. No mesmo ano, viria o primeiro título em uma etapa do Circuito Mundial, disputada em Porto Rico. Antes do final do ano, as duas ainda foram as melhores em competição realizada na Indonésia.

A vitória na América Central é lembrada até hoje pela dupla como um dos pontos altos da carreira. “É difícil falar quais foram os melhores momentos, pois em um ano a gente joga mais de 20 competições. Mas a conquista de nossa primeira etapa do Circuito Mundial, em Porto Rico, as duas Olimpíadas, o Pan-americano de 1999 foram especiais”, admite a carioca Adriana.

Com sete pódios em nove etapas, Behar e Shelda conquistaram o mundo pela primeira vez em 1997, título que ainda repetiram nas quatro temporadas seguintes e em 2004. Em âmbito nacional, o domínio foi ainda maior: de 1996 a 2004 elas só perderam o título em 1998, quando foram superadas por Adriana Samuel e Sandra Pires, respectivamente medalhistas de ouro e prata nas Olimpíadas de Atlanta. Neste espaço de tempo, há ainda dois títulos mundiais, conquistado em 1999 na França e em 2001 na Áustria. O tri em Campeonatos Mundiais só não veio porque elas perderam a decisão de 2003 para as norte-americanas Walsh e May.

A trajetória das brasileiras, porém, teve um momento complicado. Em 2000, Behar e Shelda chegaram como favoritas absolutas ao primeiro lugar nas Olimpíadas de Sidney. A estréia foi arrasadora, com vitória por 15 a 3 sobre as búlgaras Petia e Tzvetelina Yanchulova. Na seqüência, outro êxito tranqüilo, desta vez sobre as alemãs Danja Müsch e Maike Friedrichsen por 15/09.

Dois dias depois, em 23 de setembro, as brasileiras garantiram um lugar entre as quatro melhores ao bater as australianas Pauline Manser e Tania Gooley por 15/07. A semifinal, diante das japonesas Yukiko Takahaski e Mika Saiki também foi fácil, com 15/10 no placar. Enquanto isto, as australianas Natalie Cook e Kerri Ann Pottharst acabavam com a possibilidade de uma segunda final olímpica no vôlei de praia feminino totalmente verde-amarela, ao bater Adriana Samuel e Sandra Pires por 15/6.

Apesar da zebra promovida pelas atletas da Oceania, Behar e Shelda ainda chegaram à decisão como favoritas ao título. No entanto, em um jogo extremamente disputado, as brasileiras falharam nos momentos decisivos e acabaram derrotas por 2 sets a 0, parciais de 12/11 e 12/10. No pódio, a cena marcante foi o choro de Behar, responsável por errar o saque que deu o ponto final às adversárias. Depois, ela pediu desculpas à torcida brasileira, que naquela edição dos Jogos Olímpicos não comemorou sequer uma medalha de ouro.

“Toda derrota é difícil, mas uma das piores foi da final olímpica em 2000, quando éramos favoritas em Sidney”, admite Adriana. Quatro anos depois, o caminho para a final de Atenas seria um pouco mais tumultuado: a dupla estava há três anos sem um título de relevância no cenário internacional e, mesmo liderando o ranking da modalidade, via o favoritismo ficar com Walsh/May e Ana Paula/Sandra.

Em um grupo fraco, elas estrearam com duas vitórias fáceis sobre as sul-africanas Naidoo/Willand (21/07 e 21/10) e as cubanas Peraza/Fernandez (21/14 e 21/19). Nas oitavas-de-final, outro confronto com a búlgara Petia Yanchulova, que agora jogava ao lado de outra irmã, Lina. Em busca da revanche de quatro anos antes, elas engrossaram o jogo, mas acabaram derrotadas por 2 a 1, parciais de 18/21, 21/16 e 15/11.

Em confronto brasileiro na fase seguinte, outra batalha em quadra, desta vez contra as compatriotas Ana Paula e Sandra Pires, que só caíram com um placar de 15/21, 21/13 e 15/13. Embaladas pela vitória, elas deram o troco em Cook, que agora atuava ao lado de Sanderson: vitória sem sustos por 21/17 e 21/16. Como era esperado, porém, na disputa pelo ouro elas foram presas fáceis de Walsh e May, caindo por 21/17 e 21/11. Apesar da segunda oportunidade desperdiçada, elas exaltam o segundo lugar na Grécia. “A primeira Olimpíada foi a perda do ouro e a segunda a conquista da prata”, define Adriana.

Por outro lado, o título do Circuito Mundial que viria logo em seguida seria a última grande conquista da dupla. O novo ciclo olímpico, com o aparecimento de parcerias mais jovens, como Larissa/Juliana e Renata/Talita, marcou o início da decadência de Behar e Shelda, aguçada por uma série de problemas físicos da cearense. Em julho de 2005, por exemplo, as duasforam obrigadas a não jogar juntas pela primeira vez em dez anos, graças a um estiramento no quadrado lombar de Shelda.

As seguidas contusões da dupla, que desta vez afetaram Behar, fizeram com que a carioca optasse por abandonar as quadras em dezembro de 2007. Na ocasião, elas ocupavam a quarta colocação entre as duplas nacionais na corrida para Pequim-2008, competição que somente as duas melhores parcerias do país disputariam.

O encerramento oficial da dupla foi no dia 03 de fevereiro de 2007, em um jogo festivo contra outras duas duplas medalhistas olímpicas: Mônica/Adriana Samuel (derrotadas por 7 a 5 na primeira parte do jogo) e Jackie/Sandra (que não conseguiram virar o duelo e acabaram derrotadas por 15 a 12). "Antes do jogo tremia tanto que parecia que nunca tinha jogado vêlei", admitiu Behar.

"Tudo na vida tem ciclos e o meu ciclo no vôlei de praia, infelizmente, chegou ao fim. O fator fundamental para a minha decisão foi a questão física. As minhas lesões estavam acabando comigo e eu não estava mais conseguindo alcançar o mesmo nível que sempre tive no esporte. Então não valia mais a pena", justificou a atleta. Tendo como pontos fortes o bloqueio, o saque o levantamento, ela reconhece que nem sequer imaginava chegar tão longe. “Eu nunca fiz planos a longo prazo. Só queria que fôssemos vitoriosas”, afirmou.

Baixinha (apenas 1,65m), Shelda era a responsável pela defesa e recepção na dupla. Depois da aposentadoria da parceira partiu para outro desafio, o de disputar a terceira Olimpíada consecutiva, ao lado de Ana Paula, dona de um bronze nas quadras em Atlanta-1996 e campeã do Circuito Mundial em 2003, ao lado de Sandra Pires. “Às vezes eu ainda erro o nome dela”, brincou Shelda, depois de involuntariamente se referir a Ana Paula como Adriana em evento realizado em São Paulo no dia 12 de fevereiro de 2007. “É muito normal eu ainda trocar os nomes, mas faz parte, afinal eu fiquei 12 anos na outra dupla de muito treino, trabalho e sucesso”, amenizou.


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