| Só faltou o ouro
olímpico
Por
Carolina Canossa, especial para a GE.Net
| Foto:Divulgação |
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Nome: Adriana Brandão Behar
Data de nascimento: 14 de fevereiro de 1969
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Pontos Fortes: Saque, ataque e bloqueio
Nome: Shelda Kelly Bruno Bedê
Data de nascimento: 1º de janeiro de 1973
Local: Fortaleza (CE)
Pontos Fortes: Defesa e recepção
Principais conquistas da dupla:
. Prata nos Jogos Olímpicos de Atenas
(2004) e de Sydney (2000)
. Hexacampeonato do Circuito Mundial: 1997, 1998, 1999,
2000, 2001 e 2004
. Bicampeonato mundial: 1999 (França) e 2001 (Áustria)
. Vice-campeonato mundial em 2003
. Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg
(1999)
. Octacampeonato do Circuito Brasileiro de Vôlei
de Praia: 1996, 1997, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e
em 2004
. Integram a lista dos “Heróis Olímpicos”
do Comitê Olímpico Internacional
Participações olímpicas:
Sydney-00 e Atenas-04
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Seis títulos do Circuito Mundial, duas taças do Campeonato
Mundial, oito Circuitos Brasileiros e duas pratas olímpicas.
Este é o resultado de uma parceria formada no dia 11 de outubro
de 1995, data em que Adriana Behar e Shelda fizeram o primeiro
treino juntas, sob o comando da técnica Letícia Pessoa, e
deram início à dupla mais vitoriosa do vôlei de praia feminino
brasileiro.
A união ocorreu quase que por acaso. Depois de trocar as
quadras do competitivo nacional da Itália pela praia para
ficar mais próxima à família, Adriana Behar desfazia uma dupla
com Magda, depois de passagens ao lado de Margareth e Ana
Richa. Shelda, por sua vez, buscava retomar sua carreira depois
de um acidente sofrido em 1991, onde machucou seriamente a
mão direita e a obriga a jogar com uma proteção. Vislumbrando
a oportunidade, Letícia tratou de unir as duas.
A estréia foi apenas razoável, com a sétima colocação da
etapa de Santos do Circuito Brasileiro. Porém, os ajustes
não demoraram a acontecer e, logo na temporada de 1996, elas
chegaram ao posto de campeãs nacionais. No mesmo ano, viria
o primeiro título em uma etapa do Circuito Mundial, disputada
em Porto Rico. Antes do final do ano, as duas ainda foram
as melhores em competição realizada na Indonésia.
A vitória na América Central é lembrada até hoje pela dupla
como um dos pontos altos da carreira. “É difícil falar quais
foram os melhores momentos, pois em um ano a gente joga mais
de 20 competições. Mas a conquista de nossa primeira etapa
do Circuito Mundial, em Porto Rico, as duas Olimpíadas, o
Pan-americano de 1999 foram especiais”, admite a carioca Adriana.
Com sete pódios em nove etapas, Behar e Shelda conquistaram
o mundo pela primeira vez em 1997, título que ainda repetiram
nas quatro temporadas seguintes e em 2004. Em âmbito nacional,
o domínio foi ainda maior: de 1996 a 2004 elas só perderam
o título em 1998, quando foram superadas por Adriana Samuel
e Sandra Pires, respectivamente medalhistas de ouro e prata
nas Olimpíadas de Atlanta. Neste espaço de tempo, há ainda
dois títulos mundiais, conquistado em 1999 na França e em
2001 na Áustria. O tri em Campeonatos Mundiais só não veio
porque elas perderam a decisão de 2003 para as norte-americanas
Walsh e May.
A trajetória das brasileiras, porém, teve um momento complicado.
Em 2000, Behar e Shelda chegaram como favoritas absolutas
ao primeiro lugar nas Olimpíadas de Sidney. A estréia foi
arrasadora, com vitória por 15 a 3 sobre as búlgaras Petia
e Tzvetelina Yanchulova. Na seqüência, outro êxito tranqüilo,
desta vez sobre as alemãs Danja Müsch e Maike Friedrichsen
por 15/09.
Dois dias depois, em 23 de setembro, as brasileiras garantiram
um lugar entre as quatro melhores ao bater as australianas
Pauline Manser e Tania Gooley por 15/07. A semifinal, diante
das japonesas Yukiko Takahaski e Mika Saiki também foi fácil,
com 15/10 no placar. Enquanto isto, as australianas Natalie
Cook e Kerri Ann Pottharst acabavam com a possibilidade de
uma segunda final olímpica no vôlei de praia feminino totalmente
verde-amarela, ao bater Adriana Samuel e Sandra Pires por
15/6.
Apesar da zebra promovida pelas atletas da Oceania, Behar
e Shelda ainda chegaram à decisão como favoritas ao título.
No entanto, em um jogo extremamente disputado, as brasileiras
falharam nos momentos decisivos e acabaram derrotas por 2
sets a 0, parciais de 12/11 e 12/10. No pódio, a cena marcante
foi o choro de Behar, responsável por errar o saque que deu
o ponto final às adversárias. Depois, ela pediu desculpas
à torcida brasileira, que naquela edição dos Jogos Olímpicos
não comemorou sequer uma medalha de ouro.
“Toda derrota é difícil, mas uma das piores foi da final
olímpica em 2000, quando éramos favoritas em Sidney”, admite
Adriana. Quatro anos depois, o caminho para a final de Atenas
seria um pouco mais tumultuado: a dupla estava há três anos
sem um título de relevância no cenário internacional e, mesmo
liderando o ranking da modalidade, via o favoritismo ficar
com Walsh/May e Ana Paula/Sandra.
Em um grupo fraco, elas estrearam com duas vitórias fáceis
sobre as sul-africanas Naidoo/Willand (21/07 e 21/10) e as
cubanas Peraza/Fernandez (21/14 e 21/19). Nas oitavas-de-final,
outro confronto com a búlgara Petia Yanchulova, que agora
jogava ao lado de outra irmã, Lina. Em busca da revanche de
quatro anos antes, elas engrossaram o jogo, mas acabaram derrotadas
por 2 a 1, parciais de 18/21, 21/16 e 15/11.
Em confronto brasileiro na fase seguinte, outra batalha
em quadra, desta vez contra as compatriotas Ana Paula e Sandra
Pires, que só caíram com um placar de 15/21, 21/13 e 15/13.
Embaladas pela vitória, elas deram o troco em Cook, que agora
atuava ao lado de Sanderson: vitória sem sustos por 21/17
e 21/16. Como era esperado, porém, na disputa pelo ouro elas
foram presas fáceis de Walsh e May, caindo por 21/17 e 21/11.
Apesar da segunda oportunidade desperdiçada, elas exaltam
o segundo lugar na Grécia. “A primeira Olimpíada foi a perda
do ouro e a segunda a conquista da prata”, define Adriana.
Por outro lado, o título do Circuito Mundial que viria logo
em seguida seria a última grande conquista da dupla. O novo
ciclo olímpico, com o aparecimento de parcerias mais jovens,
como Larissa/Juliana e Renata/Talita, marcou o início da decadência
de Behar e Shelda, aguçada por uma série de problemas físicos
da cearense. Em julho de 2005, por exemplo, as duasforam obrigadas
a não jogar juntas pela primeira vez em dez anos, graças a
um estiramento no quadrado lombar de Shelda.
As seguidas contusões da dupla, que desta vez afetaram
Behar, fizeram com que a carioca optasse por abandonar as
quadras em dezembro de 2007. Na ocasião, elas ocupavam
a quarta colocação entre as duplas nacionais
na corrida para Pequim-2008, competição que
somente as duas melhores parcerias do país disputariam.
O encerramento oficial da dupla foi no dia 03 de fevereiro
de 2007, em um jogo festivo contra outras duas duplas medalhistas
olímpicas: Mônica/Adriana Samuel (derrotadas
por 7 a 5 na primeira parte do jogo) e Jackie/Sandra (que
não conseguiram virar o duelo e acabaram derrotadas
por 15 a 12). "Antes do jogo tremia tanto que parecia
que nunca tinha jogado vêlei", admitiu Behar.
"Tudo na vida tem ciclos e o meu ciclo no vôlei
de praia, infelizmente, chegou ao fim. O fator fundamental
para a minha decisão foi a questão física.
As minhas lesões estavam acabando comigo e eu não
estava mais conseguindo alcançar o mesmo nível
que sempre tive no esporte. Então não valia
mais a pena", justificou a atleta. Tendo como pontos
fortes o bloqueio, o saque o levantamento, ela reconhece que
nem sequer imaginava chegar tão longe. “Eu nunca fiz planos
a longo prazo. Só queria que fôssemos vitoriosas”, afirmou.
Baixinha (apenas 1,65m), Shelda era a responsável pela defesa
e recepção na dupla. Depois da aposentadoria da parceira partiu
para outro desafio, o de disputar a terceira Olimpíada
consecutiva, ao lado de Ana Paula, dona de um bronze nas quadras
em Atlanta-1996 e campeã do Circuito Mundial em 2003,
ao lado de Sandra Pires. Às vezes eu ainda erro
o nome dela, brincou Shelda, depois de involuntariamente
se referir a Ana Paula como Adriana em evento realizado em
São Paulo no dia 12 de fevereiro de 2007. É
muito normal eu ainda trocar os nomes, mas faz parte, afinal
eu fiquei 12 anos na outra dupla de muito treino, trabalho
e sucesso, amenizou.
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