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COLUNISTAS - (28/01/2009 21h02m)

Raquetadas patológicas no Australian Open


São Paulo (SP)

Trocar as horas de sono pelas partidas do Australian Open tem sido uma bela experiência. Os amigos corujas que ficam acordados de madrugada assistindo aos jogos devem concordar com este psicólogo: alguém já viu tanta patologia junta em um único torneio? Exemplos? Não são poucos.

Kuznetsova treme
Estou para conhecer um(a) atleta que trema mais do que a russa Kuznetsova. Quer ver e moça desequilibrar? Ofereça a ela um match point ou, quem sabe, um brake point. Pronto. O braço enrijece ("toca violino" na linguagem dos tenistas), os reflexos ficam reduzidos e a confiança vai para a sola do pé. É uma grande pena, já que a tenista tem um talento raro e poderia chegar mais longe do que sua mente permite.

Cada grito!
Pessoal, e os gritos, gritinhos e gritões dos marmanjos e garotinhas? Dizem que já tem muito coral por aí de olho nestas vozes. Fico impressionado com a capacidade de inovação. Cada hora, um tenista aparece com um tipo de som vocal (um tipo de manifestação histérica, como queiram). Os mais desavisados (aqueles que passam perto da televisão e não sabem o que está acontecendo)confundem a programação esportiva com um filme de terror (ou horror).

Atenção Sociedade Brasileira de Terapia Cognitiva: TOC(s) à vista!
Que me perdoe o número 1 do mundo, Rafael Nadal, mas já passou da hora do garoto fazer uma psicoterapia. Vocês repararam nos tiques nervosos dele? Sim, amigos, desde puxar o calção agarrado aos fundilhos, até o posicionamento estrategicamente pensado e medido de suas garrafinhas de água no solo. Ele precisa de alguns instantes para olhar profundamente os recipientes antes de entrar em quadra. Claro, se uma delas estiver meio centímetro ao lado do planejado, uma onda sinistra de má sorte certamente o assolará. E o jeito meticuloso que ele move as bolinhas antes de sacar? Será um transtorno obsessivo compulsivo ou apenas manias de um campeão?

Mas o Nadal pode, não é? Afinal, o garoto conquista tudo pelo mundo (até a Ivanovic!, o que, claro, construtivamente, não deixa de dar uma certa inveja ao universo masculino).

Outro cheio de manias é o Andy Roddick. O rapaz poderia ser protagonista do filme "O médico e o monstro" (só não me perguntem para qual papel).

Com aquele boné encobrindo metade do rosto e um olhar sinistro, Roddick começa a vencer seus adversários através de um comportamento sombrio e, no mínimo, estranho. Para mim, ele parece sempre ter uma bomba escondida embaixo do uniforme de jogo.

Céu aberto e céu fechado
O Australian Open me lembrou a Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994. Com um calor de aproximadamente 40 graus, muitos tenistas estão passando mal e abandonando os jogos antes do final. Somente na partida entre Kuznetsova e Serena, o teto da Rod Laver Arena foi fechado, impedindo que as duas tenistas sucumbissem diante de um sol africano que já fez tantas vítimas ao longo do campeonato. Por que será que ninguém lembrou de fechá-lo antes? Talvez o resultado de muitas partidas teria sido diferente. Uma bela lição para os organizadores visando o planejamento para o mesmo torneio em 2010.




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