Quem esteve no Morumbi para assistir ao clássico entre Corinthians e São Paulo infelizmente presenciou mais que um péssimo futebol das equipes:
constatou, efetivamente, que o clima de guerra armado, criado e cultivado pelos dirigentes gerou um combate a céu aberto - uma verdadeira guerra urbana. Policiais e torcedores se enfrentaram, mais uma vez, em uma batalha sangrenta e irracional. Muitos foram parar em hospitais com fraturas e ferimentos graves.
Dentro e fora de campo: lugar comum
Os próprios jogadores confessaram, após o jogo, que o bate-boca entre dirigentes dos dois clubes estimulou a agressividade, ansiedade e nervosismo dos atletas em campo. Aliás, a violência, em geral, começa lá e se espalha pelas arquibancadas e arredores dos estádios.
Dirigentes do futebol e a doença social
Muitos questionam as razões pelas quais a violência ganha proporções imensas no futebol. Alguém já parou para analisar o comportamento destes senhores engravatados que ficam em suas salas com ar condicionado, tomando uma boa bebida - alguns charutando cubanos legítimos - assistindo os jogos de camarote depois de uma semana de provocações, insinuações e atitudes que demonstram a total ausência de bom senso?
Garanto aos amigos que nenhum deles está muito interessado no bem estar dos torcedores. Se pensassem minimamente no assunto, certamente teriam mais cuidado e zelo na hora de abrir a boca e dizer tanta besteira às vésperas de jogos tão importantes e que mobilizam emoções que eles desconhecem.
Eles não são os únicos culpados pela violência. No entanto, a participação nesta selvageria toda é bastante significativa!
Responsabilidade social: que raios é isso?
Boa pergunta, não é mesmo? Pois é. Quando se dirige um esporte que aquece as emoções mais primitivas de um indivíduo, é preciso cuidado.
Muito cuidado. Lidar com os instintos básicos de sobrevivência e rivalidade pode não ser assim tão simples como muitos podem supor.
Infelizmente, boa parte dos dirigentes, hoje em dia, confunde o folclore futebolístico com provocações, atitudes que geram inimizades e brigas.
Dirigir um grande clube representa (ou deveria representar) muito mais que uma boa gestão de recursos financeiros, publicitários e administrativos. Há, neste ofício, a necessidade (muitas vezes vital) do exercício da responsabilidade social: olhar para além do esporte e da quantidade de verdinhas que passa pelos cofres dos times. Pensar um pouco mais naquele que paga o ingresso e ajuda a manter o patrimônio das instituições que governam. Só isso.
Em campo: truculência e ansiedade
13 cartões amarelos e 3 vermelhos. Precisa dizer mais? Nunca vi tanta falta junta. Nos primeiros seis minutos de jogo, os atletas já haviam cometido oito faltas. Era só deixar a bola rolar para um jogador receber pontapés e empurrões. Medo, ansiedade, agressividade e deslealdade marcaram o interior (e exterior) das quatro linhas do clássico.
Muricy Ramalho decidiu poupar vários atletas titulares em um dos clássicos mais importantes do Paulistão. Ele está pensando na Libertadores. Você acredita? Sinceramente, a atitude do treinador me parece muito mais um protesto à Federação Paulista do que qualquer comportamento zeloso com seus comandados. Até porque, o treinador do São Paulo não costuma poupar ninguém do trabalho duro. Nem ele próprio. Com cólica renal, o técnico esteve ali, firme e forte à beira do gramados e aos brados com os jogadores.
Com exceção dos dois belos gols, presenciamos um péssimo futebol, com poucas alternativas ofensivas e treinadores muito mais preocupados em não levar gols, adotando posturas defensivas e nada arrojadas. O interessante é que muitos pensam que todo este desequilíbrio dos protagonistas gerou uma partida muito emocionante. Sim. Eles tem razão.
Emocionante para os torcedores que correram das bombas e borrachadas ao final daquele espetáculo dantesco.
E pensar que ainda tem gente que pede o retorno das famílias aos estádios e ainda projeta uma Copa do Mundo neste país diante de todas estas condições. Lamentável!
Mantenho, firme e forte, minha campanha: "torcedor de bem, fique em casa. Proteja a integridade física de seus entes queridos e assista aos jogos pela televisão. Você economizará, entre outras coisas, dinheiro e saúde. Pode apostar". Afinal, com 90 reais (!), você pode levá-los ao cinema e, de quebra, comer uma pizza no conforto e segurança de sua residência!
