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Colunistas - (17/03/2009 23h38)

Noite de nostalgia


São Paulo (SP)

Há pequenas coisas na vida que nos emocionam. Um simples Palmeiras e Noroeste, nada decisivo, com pouca gente, debaixo de chuva, levou-me à nostalgia. Na ala ou lateral, pelo lado direito do Noroeste, vi um aplicado jogador: Max Carrasco. E vendo aquele menino voltei no tempo.

Em 1976, a querida A Gazeta Esportiva propiciou-me uma viagem incrível, mais ainda por ser a primeira internacional. Fui acompanhar uma seleção do interior paulista, que saiu pelo Oceano Pacífico e voltou pelo Atlântico.Ou seja, aos 22 anos, 2 apenas de profissão, pude dar a volta ao mundo.

Éramos todos jovens e desconhecidos, os jogadores e eu. Daquele grupo surgiram bons nomes para o nosso futebol. Mauro Pastor, que seria chamado para a seleção brasileira, por Telê Santana, Luiz Antonio, que foi goleiro do Cruzeiro, Eloi, que atuou na Itália e outros, que ficaram pelo Brasil mesmo, mas com carreiras respeitáveis.

O grande nome daquela excursão foi um meio campista habilidoso, com chute forte e boa inteligência tática: Wilson. Ele era da Ferroviária, time do treinador da seleção, Vail Mota. Passou pela Portuguesa, rodou pelo interior, porém tinha bola para chegar mais longe. De qualquer forma, foi um atleta marcante.

Como havia outro Wilson, um atacante do América de Rio Preto, era preciso diferenciá-los e Vail Mota sugeriu usar os sobrenomes. No caso do atacante ficou fácil com seu nome duplo: Wilson Luiz. O da Ferroviária virou, então, Wilson Carrasco.

Sempre o respeitei. Guardo o futebol dele, pela Coréia, Indonésia, Tailandia, Romênia, Emirados Árabes, etc. como momentos jubilosos. Faz anos que não o encontro. Mas, nesse Palmeiras e Noroeste, lá estava o filho dele. Até lembrando fisicamente o "velho" pai. Ver o Max atuando e usando o sobrenome, que foi utilizado em 1976 na nossa inesquecível "aventura", foi mesmo emocionante.

Coisa minha, talvez já de velho. Também não era para menos. Numa das cabines do Palestra Itália, outro menino comentava com mais sabedoria do que a idade dele deveria permitir. Um certo Bruno, que, a exemplo do Max, nem havia nascido em 1976. O Bruno Prado, meu filho, falando do filho do Wilson Carrasco.

O tempo passou e lá estão eles, ocupando os nossos lugares. E eu podendo contar isso, nessa versão moderna da mesma Gazeta Esportiva. O jogo do Palestra Itália teve pouco público, não foi decisivo para ninguém. Será facilmente esquecido pela maioria. Eu, contudo, guardarei essa data com carinho. Foi bem agradável e, por certo, como já disse, uma alegre nostalgia.




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