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Colunistas - (08/04/2009 00h03)

O reencontro de Adriano


São Paulo (SP)

O atacante Adriano, da Inter de Milão e da seleção brasileira, se meteu numa nova confusão. Após a partida diante do Peru, em Porto Alegre, o jogador não retornou para a Itália. Pior: sumiu sem deixar vestígios. Após dois dias de silêncio e suspense, foi anunciado que Adriano estava com os amigos em uma favela do Rio de Janeiro tentando se recuperar de um rompimento amoroso que teria abalado suas estruturas. Em seguida, buscou refúgio em uma casa de condomínio de luxo na mesma cidade.

Algumas questões devem ser analisadas e pensadas neste caso.

Crise afetiva e depressão
Adriano teria sumido por conta de uma depressão aguda após o término de seu relacionamento afetivo. O jogador estava melancólico e sem condições para trabalhar. Foi procurar, nos amigos do morro, o amparo que os personagens de sua vida de milionário não poderiam oferecer.

Muitos por aí se espantaram com a atitude do jogador: como uma pessoa que ganha milhões de euros por ano procura auxílio nos becos de uma favela carioca? Ora, amigos, nada muito complexo. Adriano tem, ali, suas bases mais sólidas de amizade, onde pode se exercer com legitimidade e sem máscaras. Se o momento é de estar ao lado de pessoas que o conhecem desde pequeno (testemunhas de vida), o Imperador buscou o local ideal.

No entanto, faltou (novamente) responsabilidade a ele para lidar com a vida profissional. Os dirigentes da Inter já pensam em rescindir seu contrato. Adriano protagonizou alguns episódios de bebedeira que depuseram contra sua imagem na Velha Bota e, desta vez, pisou feio na bola ao desaparecer sem dar nenhuma notícia aos patrões italianos.

Mais um caso na enciclopédia das tragédias amorosas futebolísticas
Adriano é apenas mais um exemplo da falta de estrutura psicológica, afetiva, social e emocional de boa parte dos jogadores de futebol. Falar em trabalhos de prevenção e promoção de saúde mental com os mandatários deste esporte é quase uma blasfêmia. Aliás, associar a Psicologia dentro e fora das quatro linhas tem incomodado muita gente que, a priori, deveria zelar pela saúde psicológica e emocional de seus craques. No final, são os que sofrem grandes prejuízos ao perderem talentos como o de Adriano.

Craques na mira da mulherada
Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Alexandre Pato, Ronaldo Fenômeno e Adriano: um ataque para ninguém colocar defeito. No entanto, a força destes atacantes é proporcional à fragilidade afetiva que carregam em suas bagagens biológicas e vivenciais.

Por outro lado, meninos homens que já arrumaram filhos, vários noivados e casamentos, encrencas judiciais e sintomas depressivos por conta da incessante busca pelo afeto não recebido na infância.

O ator precisa voltar para casa
Depois de atuar em uma peça, todo artista volta a exercer seu papel fora do palco. O problema maior, amigos, é quando este palco é prolongado nas ruas e esquinas da vida. O personagem engole o cidadão e deixa, num passado longínquo, a possibilidade de exercer seu talento primordial e inato.

Adriano precisou de um pouco de colo e carinho daqueles que testemunharam seu crescimento e todas as dificuldades que o atleta enfrentou para chegar ao estrelato.

Afinal, antes de se tornar um milionário magnata quase europeu, Adriano jogou muito futebol com tampinhas de refrigerante ouvindo balas de fuzis explodindo em seus tímpanos, não foi?

 




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