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Tênis/Bastidores - (01/05/2009 10h00)

Tênis se desgruda da elite e ajuda garotos infratores


Luiz Pettená, especial para a GE.Net - São Paulo (SP)

Internos da Fundação Casa praticam tênis pela primeira vez na quadra de saibro da Federação Paulista

Jovens uniformizados, portando raquetes de qualidade, entram em quadra para mais uma aula. Esta cena, muito comum entre os adeptos do tênis nos inúmeros clubes tradicionais do país, também começa a fazer parte do cotidiano dos internos da Fundação Casa, a antiga Febem. Este esporte, considerado de elite, entrou nas atividades destes jovens e a iniciativa vem gerando bons resultados, principalmente depois que a Federação Paulista de Tênis (FPT) resolveu abraçar a iniciativa.

A reportagem da GE.Net acompanhou a aula de seis internos que, pela primeira vez, pisaram em uma quadra de saibro, na sede da FPT. Desde 2007, o tênis está presente na Fundação Casa, mas a iniciativa cresceu a partir do ano passado. Em 10 de dezembro, dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a parceria com a entidade esportiva começou a valer.

"O esporte faz parte da educação individual e o tênis auxilia na formação de raciocínio, equilíbrio, disciplina. Aqui, queremos permitir capacitações e trabalhamos com a ideia do tênis como profissão, para eles terem uma referência quando saírem. Não somente como jogadores, mas como árbitros ou pegadores de bolas, por exemplo. Buscamos uma solução para quando eles saem da unidade, senão eles voltam para o meio da criminalidade", afirmou Alexandre Arantes, um dos diretores da FPT e responsável por assinar a parceria com a Fundação.

Entretanto, eles não chegam 'crus' para os treinos. Nas unidades não há quadras especialmente desenvolvidas para a prática do tênis, mas, mesmo assim, a modalidade vem ganhando espaço entre os internos e chega até a rivalizar contra o futebol em alguns casos. "O tênis melhorou a disciplina e o interesse deles. Há até fila de espera para ser inserido nas aulas da Fundação. Para ter uma ideia, em uma das quadras poliesportivas só se joga tênis" comentou Ataíde Balerini, supervisor de esportes da unidade DRM II Leste I, no bairro do Tatuapé.

Segundo Carmem Argarate, responsável pela parceria da Casa com a FPT, a disciplina é grande. "Durante os jogos, não há ocorrências graves, apenas gritos. Mas nós incentivamos isso, porque faz parte do esporte, faz parte torcer", comentou.

Por causa de suas situações atuais e histórias de vida, os internos demonstram timidez, mas se sentem à vontade quando seguram as raquetes. Concentrados nas explicações do professor, os seis jovens mostravam disposição não só para rebater as bolas, mas também para buscar as que saíam de quadra.

Ricardo Amaro, diretor da FPT e um dos professores da aula, admitiu que o começo da prática é difícil, mas o retorno é satisfatório. "Eles chegam tímidos, mas, por causa do esporte, quebram essa barreira. Depois da aula há uma satisfação enorme, porque foi uma brincadeira para eles. Há muitos que querem continuar no tênis e alguns até me perguntam onde mais poderiam jogar. A Federação tem o objetivo de ensinar e abrigar esses garotos."

Entre os jovens, a aprovação da aula foi total. Felipe, de 16 anos, vibrou com a aula no saibro. "A quadra é muito diferente. Achei muito interessante, porque não temos muito contato com ela e é importante ter essa oportunidade", afirmou o interno.

Já João, também de 16 anos, gostou da nova experiência, mas admite que, no começo, sentiu dificuldades em se acostumar. "Estou gostando muito, nunca tinha jogado antes e conheci o tênis na Fundação. Eu estranhei no começo, mas fiz um esforcinho e estou gostando agora", revelou.