O torcedor do São Paulo está acostumado a contar com a experiência do goleiro Rogério Ceni em jogos importantes da Copa Libertadores. Porém, com o capitão lesionado e o reserva Bosco também entregue ao departamento médico, o jovem Denis deve ter a responsabilidade de defender a meta tricolor no duelo das quartas de final do torneio, diante do Cruzeiro, na quinta-feira.
Com menos de seis meses no Morumbi, o garoto encara a grande chance de sua carreira e espera fazer história no clube. Nesta entrevista à GE.Net, o goleiro revelou que chegou a ser reprovado em testes nos rivais Santos e Corinthians quando ainda era criança. Além disso, aos 22 anos, Denis também falou sobre a experiência que adquiriu na Ponte Preta e as dificuldades do início da carreira.
Você chegou ao São Paulo em 22 de janeiro e estreou apenas três dias depois. Hoje, já é titular. Imaginava uma ascensão tão rápida?
Eu não imaginava. Fui contratado para ser terceiro goleiro e sabia que seria muito difícil atuar, mas tive a felicidade de ir para o banco apenas três dias depois de chegar. Com a infelicidade do Rogério, que se machucou, eu atuei naquele jogo (diante da Portuguesa). Foi uma prova de fogo para mim.
Você está pegando experiência em um time grande na prática. Acha que isso o prejudica?
Eu vim com o pensamento de me aperfeiçoar e aprender muito com o Rogério e o Bosco nos treinamentos. Nunca tinha visto o Rogério sair de campo machucado. Os fatores davam a entender que eu demoraria um pouco para estrear, e minha entrada pegou todo mundo de surpresa. Mas, como goleiro, eu cheguei preparado para entrar e atuar. Eu vinha em uma sequência boa na Ponte, tive treinamentos bons lá e joguei mais de 40 partidas em 2007. Essa experiência me ajudou muito.
Antes de ir para a Ponte, você chegou a ser guia de turismo em Brotas (SP). Como foi a transição para o futebol?
Eu conciliava estudos, treinos em uma escolinha e o trabalho como guia aos fins de semana. Nessa época, eu tinha 13 anos e fazia vários testes. Tentei em clubes de São José do Rio Preto e Jaú, além de Corinthians, Santos, Portuguesa, Rio Branco, XV de Piracicaba, Inter de Limeira... Fiz testes em vários clubes e não tinha passado em nenhum. Mas aconteceu uma peneira da Ponte em Brotas. Estavam 200 meninos lá e só eu passei. O técnico do juvenil da Ponte me trouxe para Campinas fazer outros testes. Fiquei mais três dias em avaliações e o preparador de goleiros disse que eu estava aprovado. Isso foi em 2001, e comecei na Ponte desde o infantil.
Depois de ter sido reprovado em Santos e Corinthians, você vê a chance no São Paulo como uma resposta?
Se eu não passei naquele momento, é porque não estava preparado, eu tinha 13 anos. Deus sabe a hora certa de as coisas acontecerem. Não abaixei a cabeça por ter sido reprovado nos testes. Eu voltava para casa e continuava a rotina de treinamentos. Se fosse para ser jogador, eu sabia que iria passar em algum teste. Tive a felicidade de ser aprovado na hora certa para ir a um clube como a Ponte.
E você morou na própria Ponte? Como foi o começo?
Morei seis anos em um alojamento no Moisés Lucarelli. Eu tive bastante dificuldade no começo, porque não ganhava ajuda de custo na base. Eu passava o mês com o dinheirinho que meu pai mandava. Dormi com fome várias vezes, porque não tinha dinheiro. Foi uma época muito difícil, mas tive apoio da minha família, que, às vezes, deixava de comprar alguma coisa para ter o dinheiro da passagem para eu visitá-los em Brotas. Ficava dois ou três meses sem ir para casa. Foi uma época muito difícil, mas consegui assinar meu primeiro contrato profissional em 2005. Depois, em 2007, joguei 42 partidas, foi quando mais atuei.
