Grand Slams em simples:
Wimbledon - 1959, 60 e 64
Aberto dos EUA - 1959, 63, 64 e 66
Grand Slams em duplas:
Aberto da Austrália - 1960
Roland Garros - 1960
Wimbledon - 1958, 60, 63, 65 e 66
Aberto dos EUA - 1960, 62, 66 e 68.
Grand Slams em duplas mistas:
Roland Garros-1960
Uma tenista tricampeã de Wimbledon, tetra do Aberto dos Estados Unidos e vencedora de 19 títulos Grand Slams. No total, 170 troféus internacionais e 585 na carreira. Top 10 por dez temporadas consecutivas, sendo a melhor do mundo em quatro delas. Uma história fantástica, inquestionável.
Não, não estamos falando de nenhuma russa, sérvia, francesa, belga, suíça ou espanhola. Tampouco de irmãs norte-americanas. Pode não parecer, mas a tenista em questão é uma sul-americana. Do mesmo país que, hoje em dia, tem sua melhor tenista além da 300ª posição do ranking. A atleta da qual se fala tem nome Maria, sobrenome Bueno. Maria Esther Bueno, brasileira. A mulher que, há exatamente 50 anos, colocou o esporte feminino do Brasil no mapa.
Foi em 4 de julho de 1959 que a menina Maria Esther Bueno tornou-se a campeã mundial de tênis. Na Inglaterra, onde os habitantes não conseguiam pronunciar 'Esther', Maria Bueno conquistou Wimbledon, o torneio mais importante do planeta naquela época - e na atual também, embora tenha o mesmo peso dos Abertos de Austrália, França e Estados Unidos.
Com um vestido branco sobre o corpo elegante, a jovem de 19 anos, venceu a norte-americana Darlene Hard por 6/4 e 6/3. Em uma tarde ensolarada de sábado, sob 37º C, levou 42 minutos para encerrar uma hegemonia de 21 anos dos Estados Unidos na grama sagrada de Londres. Tornava-se a primeira - e única - tenista da América do Sul a ganhar o Aberto da Inglaterra. Também foi pioneira em duplas, um ano antes, ao lado da brilhante norte-americana Althea Gibson.
Maria Esther Bueno brilhou nas quadras de todo o mundo em simples, duplas e duplas mistas de 1958 a 1967. Chegou a 36 finais de Grand Slams (12 em simples) e venceu 19 delas (sete em simples). Não parou de jogar nem quando teve uma séria inflamação nos tendões do cotovelo direito em 1967, preço que pagou por disputar 100 games em um só dia. A brasileira tirou férias, forçadas, por oito anos. Retornou em 1976 para dizer adeus em 1977, com quase 38 anos, e concluir a história da principal atleta do esporte individual brasileiro.
A 'explosão' Bueno revolucionou o tênis feminino. Ela sacou forte, como nenhuma mulher do circuito fazia até então e mais até do que muitos homens. Depois, foi à rede para volear com perfeição e conquistar vitórias, triunfos, títulos, troféus, taças, campeonatos, torneios, prêmios, láureas, galardões e cetros... selo postal comemorativo e estátuas também. Tudo. Ou quase: faltaram os milhões de dólares que são distribuídos hoje em dia.
Atravessando o auge da carreira numa época em que o tênis era amador, Estherzinha só foi ter um retorno financeiro maior na década de 1970 - nos últimos anos da trajetória de Maria Bueno no circuito internacional. Para se ter uma ideia, o primeiro título de Maria Esther em Wimbledon foi premiado financeiramente com um vale-presente de 15 libras esterlinas. Neste sábado, 50 anos depois, a campeã receberá um cheque de 850 mil libras - cerca de 56,7 mil vezes mais.
Estherzinha, filha caçula de Pedro Augusto de Oliveira Bueno e Esther Andion Bueno, nasceu em 11 de outubro de 1939. A menina começou a jogar tênis no quintal de casa, na zona norte de São Paulo, duelando com o irmão Pedrinho com raquetes de pingue-pongue nas mãos e um cobertor fazendo as vezes de rede. Hoje, Maria Esther Bueno é uma lenda do tênis mundial - pouco lembrada, porém, em sua própria terra.
Neste sábado, 4 de julho de 2009, a brasileira Maria Esther Bueno comemora o cinquentenário de seu primeiro grande feito. E a Gazeta Esportiva.Net preparou esta reportagem especial, resgatando a brilhante carreira da tenista que mais de destacou no milênio passado, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU).
