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Reportagem/Tênis - (03/07/2009 17h39min37 - Atualizado 16/09/2009 00h25min53 )

Maria Esther: a tenista que transcende os elogios


Felipe Held - São Paulo (SP)

Fenômeno, desbravadora, referência, gênio. Maria Esther Bueno é tudo isso - e muito mais - para os principais tenistas da história do tênis brasileiro, que teceram longos elogios à maior atleta do País no esporte feminino.

Carlos Alberto 'Lelé' Fernandes, Thomaz Koch, Carlos Alberto Kirmayr, Cássio Motta, Luiz Mattar, Patrícia Medrado, Fernando Meligeni e Gustavo Kuerten. Todos fãs declarados da tricampeã de Wimbledon, que é mais reverenciada no estrangeiro do que em sua pátria.

REVERÊNCIAS À RAINHA DO TÊNIS BRASILEIRO
Gustavo Kuerten (Ex-1º do mundo e tricampeão de Roland Garros)
"A Maria Esther colocou o Brasil na história do tênis, rompeu paradigmas numa época em que não tínhamos nenhum tipo de desenvolvimento no esporte. Ela foi um exemplo e, apesar das diferenças de gerações, me inspirou. Foi um mérito individual, ela mostrou capacidade para vencer obstáculos. Apesar de eu não ter tido contato direto com a Maria Esther, foi o suficiente para me motivar a me superar."
Thomaz Koch (Ex-24º do mundo e campeão de duplas mistas de RG-75)
"A Maria Esther colocou o nome do Brasil no mapa tenístico. Depois dela, o País ficou respeitado como nação neste esporte. Ela foi uma desbravadora, a coisa era muito difícil quando ela jogou. Trata-se de um gênio, um fenômeno, que até hoje é super referenciada. Foi uma inspiração muito grande para mim, pois eu treinava bastante com ela quando tinha 18 anos."
Fernando Meligeni (Ex-25º do mundo e semifinalista de RG-99)
"Ela é um gênio, a primeira e sem dúvida nenhuma a mulher mais impressionante que a gente teve. Todos os lugares deveriam ter estátuas dela e as quadras de tênis teriam que se chamar Maria Esther Bueno. As federações deveriam se mobilizar, não deixá-la lá no Harmonia quieta. É uma pessoa super legal e divertida, mas esse é o problema que a gente tem no nosso esporte: as pessoas que fizeram algo e ficaram um pouco fora da mídia são esquecidas."
Luiz 'Nico' Mattar (Ex-29º do mundo e campeão de 12 torneios ATP)
"A Maria Esther foi a esportista que abriu a porta do tênis brasileiro para o mundo e ainda é idolatrada por mim, por meus ídolos, por toda a nossa comunidade e pela nata do esporte mundial. Quando garoto, tive a felicidade de poder treinar com ela e até hoje jogamos uma vez por mês. É gratificante poder vê-la jogando até hoje no Harmonia, com a simplicidade que tem para bater na bola."
Cássio Motta (Ex-4º do mundo de duplas em 1983)
"Quando eu comecei, a Maria Esther Bueno já estava terminando a carreira. Mas ela é um fenômeno, respeitada; a tenista que tem mais títulos da América do Sul. Uma pena que naquela época não havia tanta imprensa como hoje em dia. Ninguém aproveitou aquilo que a Maria Esther Bueno representava aqui no Brasil e perdeu-se toda essa força que tinha em volta dela. Não se fez muita coisa por ela."
Carlos Alberto Kirmayr (Ex-6º do mundo de duplas em 1989)
"Eu só quero parabenizá-la pelo que ela fez e faz. O tênis do Brasil não seria nada se não tivéssemos a Maria Esther. Ela é um marco, especificamente para mim. Quando comecei a jogar, minhas primeiras aulas foram no Tietê, onde ela orientada pelo Henrique Terroni. Eu a vi várias vezes lá bem de manhã cedo, para mim foi uma referência. Depois fiquei amigo dela, é uma pessoa fora de série."
Carlos Alberto 'Lelé' Fernandes (Quadrifinalista de Roland Garros em 1961)
"Hoje, com a experiência que eu tenho, sei que a Maria Esther merecia muito mais, uma atenção muito maior. Ela ganhou todos os principais campeonatos e naquela época era a melhor tenista de todas. Temos que colocar a Maria Esther lá em cima e reverenciá-la. Impossível falar alguma coisa ruim dela. Na minha modesta opinião, não dá. Ela ganhava tudo, o que se pode falar? Ela foi grande, e muito. Muito, viu?"
Patrícia Medrado (Ex-48ª do mundo em 1982)
"Não a vi jogar, pois quando comecei ela tinha parado por um tempo por causa das lesões e depois se aposentou. Acabei me inspirando mais em tenistas como a Billie Jean King. Mas por causa da Maria Esther, quando a Fed Cup ainda era disputada em apenas uma semana, jogamos na quadra central sendo que nem éramos cabeças de chave. Tudo isso simplesmente porque éramos brasileiras, compatriotas da Maria Esther Bueno."
Amélia Cury (Campeã mundial de veteranas em 1981 e vice em 2003)
"Sou dez anos mais velha que ela e, quando a Maria Esther era novinha, eu ganhava bastante os nossos jogos. Depois ela cresceu, ganhou corpo e ficou difícil. Mas a Maria Esther fez muito para o esporte brasileiro, talvez tenha sido a principal atleta do País depois que o Pelé, mas é lá fora que tem reconhecimento. Quando ela vai a Londres, fica no camarote Real e é tratada como uma rainha."