Popularmente conhecida como 'dança das cadeiras', a constante troca de treinadores é tradição no Campeonato Brasileiro e ganhou força no cenário nacional desde que a competição começou a ser disputada no sistema de pontos corridos, em 2003. Nas primeiras 14 rodadas do Nacional deste ano, 12 trocas de comando ocorreram, número inferior somente aos apresentados em 2008 (13) e 2003 (14).
A curiosidade da edição, no entanto, não está no número de quedas de técnicos, mas sim no "gabarito" dos treinadores demitidos. Quatro treinadores considerados como sendo do primeiro escalão perderam emprego até agora: Wanderley Luxemburgo, que começou no Palmeiras, Muricy Ramalho, tricampeão pelo São Paulo e Carlos Alberto Parreira, ex-técnico do Fluminense, puxaram a fila.
Na última rodada, Emerson Leão, que havia assumido o Sport no lugar de Nelsinho Baptista, juntou-se a eles. Recentemente a lista engrossou com as saídas de Cuca do comando do Flamengo e Sérgio Guedes, do Santo André.
"O futebol é assim. Se você não ganha, está fora mesmo", sintetizou em sua saída do Morumbi o técnico Muricy Ramalho, contratado agora pelo Palmeiras, onde encontrará um time na ponta da tabela - graças à boa sequência do interino Jorginho -, e tentará conquistar seu quarto título nacional consecutivo.
A cultura adotada pelos dirigentes brasileiros quando se trata de futebol também foi utilizada por Carlos Alberto Parreira e Vagner Mancini como justificativa tão logo deixaram o comando de Fluminense e Santos, respectivamente. "Fiquei um tempo fora, mas deu saudades e quis ver se algo havia mudado. Não mudou. Futebol é resultado. Sempre foi assim e não irá mudar", sentenciou Parreira, que trabalhou um tempo como executivo da Traffic antes de assumir o tricolor carioca.
"Fora do país as equipes têm mais cautela, mais paciência. Dão mais tempo para o treinador trabalhar e, com isso, colhem melhores resultados. Aqui, não só no Santos, isso (demissão após um mau resultado) é muito mais voltado à cultura do futebol. Acho que o 6 a 2 acabou mais valorizado do que deveria", opinou Vagner Mancini, demitido do Santos depois de o time ser humilhado pelo Vitória, em Salvador.
Mancini, ao lado de Carlos Alberto Parreira, segue à espera de possíveis convites e é cogitado tanto no Flamengo, que demitiu Cuca, quanto no Sport. Já Wanderley Luxemburgo passou um tempo descansando, mas apenas 25 dias após as férias forçadas assumiu o Santos pela quarta vez na carreira, com a missão de afastar o time da parte de baixo da tabela e recolocar o Alvinegro da Vila Belmiro na luta pelas primeiras posições.
Trocas improváveis
A constante mudança de treinadores também apresenta situações, no mínimo, curiosas, como a envolvendo Luis Carlos Cruz. Demitido após a primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2003 e substituído por Ferdinando Teixeira, passou apenas 12 rodadas longe do clube, reassumindo seu posto no Tricolor cearense na 14ª rodada da competição.
Outro caso bastante curioso aconteceu no Brasileirão de 2005. Na ocasião, Antônio Lopes começou o torneio dirigindo o Coritiba, mas foi dispensado e substituído por Cuca. Rodadas depois, assumiu o comando do Atlético-PR no lugar de Edinho e, na reta final da competição, entrou no lugar de Márcio Bittencourt no Corinthians, sagrando-se campeão.
Na edição 2009 do Campeonato Brasileiro, quem se encaixa neste perfil é Geninho, que começou a competição comandando o Atlético-PR e foi o primeiro a receber o bilhete azul. Apesar disso, não ficou muito tempo desempregado e, atualmente, trabalha no Náutico, na vaga aberta com a demissão de Márcio Bittencourt.
O ex-volante corintiano foi o segundo treinador a trabalhar no Náutico neste Nacional. Antes dele, o Timbu havia sido comandado por Waldemar Lemos, treinador escolhido pelo Atlético-PR para ocupar justamente a vaga do demissionário Geninho.
Geninho, aliás, é um dos treinadores que pode ser considerado "figurinha carimbada" quando o assunto é troca de cadeiras. Desde 2003, o treinador passou, nas 14 rodadas iniciais, pelo banco de reservas de sete clubes diferentes: Goiás (2005 e 2006), Corinthians (2006), Sport (2007), Atlético-MG e Botafogo (2008), Atlético-PR e Náutico (2009).
Outro treinador que não traz como marca na carreira a identificação com um clube somente é Cuca. Demitido pelo Flamengo após a última rodada do atual Nacional, o ex-meio-campista traz, desde 2003, passagens por sete times diferentes (contando as duas pelo Botafogo em anos distintos): Goiás e Paraná Clube (2003), Coritiba (2005), Botafogo (2006), Santos e Botafogo (2008) e Flamengo (2009).
| A dança das cadeiras em 2009 | |||||
| Atlético-PR |
Geninho |
Waldemar Lemos |
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| Flamengo |
Cuca |
- |
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| Fluminense |
Carlos Alberto Parreira |
Vinícius Eutrópio |
Renato Gaúcho |
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| Náutico |
Waldemar Lemos |
Márcio Bittencourt |
Geninho |
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| Palmeiras |
Wanderley Luxemburgo |
Muricy Ramalho |
- | ||
| Santo André |
Sérgio Guedes |
- |
- |
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| Santos |
Vagner Mancini |
Wanderley Luxemburgo |
- |
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| São Paulo |
Muricy Ramalho |
Ricardo Gomes |
- | ||
| Sport |
Nelsinho Baptista |
Emerson Leão |
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