Campeão olímpico dos 50m livre e mundial dos 100m, prova em que é o novo detentor do melhor tempo da história, César Cielo precisou de menos de um ano para se tornar o maior nome da história da natação brasileira. Até esta quinta-feira, nunca um nadador brasileiro havia se sagrado campeão mundial e olímpico da natação.
Quem chegou mais perto do feito de Cielo foi Ricardo Prado, ouro no Mundial de Guayaquil, em 1982, na disputa dos 400m medley. Na ocasião, ele também fez a melhor marca da história, com 4min19s78. Entretanto, o paulista não chegou à consagração completa porque perdeu a decisão olímpica de 1984 para o tcheco naturalizado canadense Alex Baumann, que chegou aos 4min17s41.
Curiosamente, Cielo não começou no esporte nas piscinas, mas sim nos tatames. Porém, o fato de ser maior que os rivais da mesma idade o obrigava a avançar de categoria e, diante de oponentes mais velhos, as derrotas eram inevitáveis. Ele passou então para o vôlei, mas uma sugestão do pai durante uma viagem à praia mudaria a vida do paulista de Santa Bárbara D'Oeste.
Nadando no local Esporte Clube Barbarense, César conseguiu sua primeira conquista aos oito anos, em uma prova de 25m livre. "Fiz o percurso em 18 segundos ou 19 segundos, mas o que me inspirou a continuar nadando foi chegar em primeiro", relembra o nadador.
Fã de Gustavo Borges, Cielo passou a treinar com o ídolo no Esporte Clube Pinheiros em 2003, quando tinha apenas 15 anos. A ponte foi feita pela mãe, Flávia. Professora de Educação Física, ela conheceu o técnico de Borges, Alberto Silva, durante um curso em Campinas. A inspiração no ídolo o fez repetir Gustavo e, em 2006, Cesão partiu para os Estados Unidos.
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Cielo é o maior nome da natação brasileira |
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Nome: Cesar Augusto Cielo Filho |
A preparação incluiu os Jogos Pan-americanos, em 2007. Mas, apesar do bom desempenho no Rio de Janeiro (três medalhas de ouro e uma de prata), Cesão acabou ofuscado por Thiago Pereira, que brilhou ao conquistar oito medalhas.
A vida de César nos Estados Unidos não foi nada fácil. Preocupada com o rendimento de seus atletas, a Universidade de Auburn obrigava os competidores a assinar um contrato no qual estavam proibidos de sair à noite, beber e até namorar. "No começo eu pensava: 'nossa, que exagero'. Mas depois vi que não dá para fazer nada disso mesmo treinando para uma Olimpíada", afirmou o competidor.
O método de trabalho - e os bons resultados produzidos por ele: ouro olímpico nos 50m livre e bronze nos 100m mesmo estilo - tanto empolgaram Cesar que ele decidiu repeti-lo para a disputa do Mundial, inclusive voltando no começo de 2009 para Auburn a fim de fugir do assédio de fãs e imprensa e manter o foco no Mundial.
Antes de embarcar, porém, Cesão teve que fazer as pazes com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a quem acusou em setembro de não ter apoiado seu trabalho, até mesmo retirando seu nome da lista de patrocinados pelos Correios em 2006 porque ele preferia ficar treinando em solo norte-americano. "Só recebi parabéns até agora", disparou à época.
Resolvidos os problemas, a principal preocupação de Cesar Cielo passou a ser qual maiô utilizar no Mundial. O atleta chegou a cogitar competir com o R-Evolution e teve problemas de adaptação com o Arena X-Glide, que ajudou a desenvolver - no Troféu Maria Lenk, por exemplo, o traje rasgou na altura da coxa. Entretanto, nada passava na cabeça do atleta segundos antes de pular na piscina do Foro Itálico, enquanto cumpria o ritual de se "auto-estapear". Dentro d'água, Cielo fez a melhor prova de sua vida e escreveu de vez seu nome na história do esporte mundial.
| Recordistas Mundiais Brasileiros | |
| 1936 | Maria Lenk - 400m peito/borboleta (prova que não existe mais) - piscina longa |
| 1936 | Maria Lenk - 200m peito - piscina longa |
| 1961 | Manoel dos Santos - 100m livre - piscina longa |
| 1968 | Silvio Fiolo - 100m peito - piscina longa |
| 1982 | Ricardo Prado - 400m medley - piscina longa |
| 1993 | Gustavo Borges - 100m livre - piscina curta |
| 1993 | Gustavo Borges, Fernando Scherer, Teófilo Ferreira e José Carlos Júnior - 4x100m livre - duas vezes - piscina curta |
| 1998 | Gustavo Borges, Fernando Scherer, Carlos Jayme e Alexandre Massura - 4x100m livre - piscina curta |
| 2005 | Kaio Márcio Almeida - 50m borboleta - piscina curta |
| 2007 | Thiago Pereira - 200m medley - piscina curta |
| 2009 | Felipe França Silva - 50m peito - piscina longa |
| 2009 | César Cielo - 100m livre - piscina longa |
