Neste Campeonato Brasileiro, nove equipes já trocaram de treinador quando a fase era ruim. Algumas mais de uma vez, tanto que a "dança das cadeiras" já contabiliza 13 trocas. Na contramão dessa prática, o Avaí, que volta à elite do futebol brasileiro após 30 anos, manteve o técnico Silas mesmo quando esteve na zona de rebaixamento por sete rodadas seguidas, ocupando a lanterna da competição em três delas.
O resultado foi uma sequência de cinco vitórias consecutivas, três delas longe de Santa Catarina, e um empate com o Corinthians no Pacaembu, na última rodada. Agora, o Avaí ocupa a décima posição na tabela, longe do tão temido rebaixamento, e pode até sonhar com uma vaga na Copa Sul-Americana ou até na Libertadores.
As mudanças de treinadores brasileiros atingiu até os clubes considerados estáveis, como São Paulo, que demitiu Muricy Ramalho, e Palmeiras, que despediu Wanderley Luxemburgo. Mesmo na época em que o Avaí estava em baixa, Silas foi cotado para vestir o agasalho dos dois clubes paulistas, além de ser especulado no Atlético-PR, Náutico e Sport. Mas seguiu no clube catarinense, onde começou a trabalhar em 15 de março de 2008, reconhecido pelo bom trabalho que resultou no terceiro lugar da Série B.
"O Silas é intocável", disse o meia Marquinhos, capitão do Avaí, à GazetaEsportiva.Net. "A permanência dele é incontestável até pelo que ele fez no último ano, o que ele vem fazendo e o que ele ainda vai fazer pelo Avaí."
"O Silas é diferente, não trata as pessoas como chefe e empregado, trata todo mundo normal", disse. "Até porque ele treina com a gente, então de vez em quando achamos que ele é um jogador, porque ele está muito bem fisicamente e jogando um bolão como sempre", brincou Marquinhos.
Quem faz de tudo para segurar o promissor técnico é o presidente do clube catarinense, João Nilson Zunino, que blindou o treinador tanto da má fase quanto das especulações. "O último time dele, o Fortaleza, dispensou-o depois de cinco jogos, só porque ele empatou com um time menor no Estadual. Tem sentido dispensar um cara desses por causa de um resultado ruim? Nosso pensamento é de longo prazo, manter o técnico por um bom tempo, com continuidade", afirmou o presidente, que contratou o atual comandante avaiano por indicação da LA Sports, empresa parceira do clube.
O ponto mais baixo da trajetória avaiana no Brasileirão foi na décima rodada, quando perdeu por 2 a 1 para o então vice-lanterna Botafogo e afundou na última posição da competição. Mas em vez de pressão sobre o cargo de Silas, o sentimento que apareceu foi o de calma. "O cargo do Silas não esteve em nenhum momento a perigo", garantiu Zunino.
Em busca de alguma modificação para mudar a forma de jogar do time, Silas alterou o esquema tático do 4-4-2 para o 3-5-2, e buscou motivar ainda mais o elenco. Foi a partir desta alteração que, na partida diante do Goiás, no Serra Dourada, o Avaí iniciou sua reação.
A mudança surtiu efeito, e a partir da vitória em Goiânia foram mais quatro triunfos consecutivos, além do empate com o Corinthians. Um aproveitamento de 89%, com 13 gols marcados e apenas dois sofridos. No entanto, mesmo com a boa fase, o clube catarinense evita se animar e busca apenas a manutenção na Série A.
"Agora o momento é muito bom, mas uma hora a gente vai ter que perder. A nossa mentalidade é de primeiramente não cair, para depois sonhar com algo maior", reiterou Marquinhos, que até fez as contas para se manter na primeira divisão. "Com uns 46 pontos nós já não caímos, e isso é a maior coisa para nós", calculou.
"Acho que seria uma pretensão fora de propósito dizer que o nosso objetivo é a Libertadores. Sonhar nos é permitido, mas nós temos como planejamento é uma boa campanha na Série A, e se permanecermos na elite sem desespero já ficarei muito feliz", disse Zunino. "Quem não sonha, não chega. Se estivermos satisfeitos apenas em permanecer na Série A, não vamos passar disso. Agora, o objetivo fundamental é se manter, porque com isso nós teremos uma receita maior e almejar objetivos maiores no próximo ano".
