Diante da recuperação de Ronaldo e a possibilidade de o corintiano voltar à seleção, Ricardo Teixeira amenizou as críticas que ele mesmo havia feito ao Fenômeno por chegar à Copa do Mundo de 2006 acima do peso. Mas prometeu não repetir os erros cometidos há três anos com um aviso ao camisa 9: quer vê-lo na forma em que foi o artilheiro do pentacampeonato mundial.
"Ele não foi o símbolo do fracasso de 2006, foi um dos jogadores. Mas o Ronaldo não está em campo. Isso é até cansativo. Digo o seguinte: todos queremos ver o Ronaldo de 2002, com aquele preparo físico que ele tinha em 2002", comentou o presidente da CBF à Sportv, preferindo confiar em Luis Fabiano em vez de aumentar seus concorrentes.
As palavras são bem mais amenas do que as ditas pelo dirigente ao O Estado de São Paulo em agosto de 2007. "Como é que um atleta (Ronaldo) pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta", afirmou em uma época ruim de Ronaldo, que vivia seguidas lesões no Milan. "Com quantos anos está Ronaldo hoje? Com quantos anos ele estará em 2010 na Copa? É só isso que eu tenho a dizer", completou há dois anos.
Se já não é tão crítico com um dos atletas que mais gostava antes do Mundial da Alemanha, o mandatário segue convicto de que a preparação para a última Copa foi ruim. Entre os dias 20 e 27 de setembro, promete definir a programação para a competição na África do Sul. E antecipa: os jogadores, ao menos, se apresentarão no Brasil - há três anos, pela primeira vez o time treinou para uma Copa sem pisar em território nacional.
"A apresentação necessariamente vai ser no Brasil. Não vamos jogar no verão da Europa. Temos que raciocinar nesse ponto. Isso não está definido, será definido na semana que vem. Iremos levar em consideração altura e frio", adiantou, contestando, porém, as reprovações ao período em que a equipe ficou em Weggis, cidade suíça que recebeu até sambistas e organizou treinos do Brasil com invasão de torcida.
"O problema não foi Weggis, que se tornou justificativa. Depois de Weggis, tivemos preparação na Alemanha e fomos derrotados pela França 20 e tantos dias depois", argumentou. "Foi também Weggis, e não só. Foi falta de grupo, de sensibilidade, falta de comando, da nossa parte, da comissão técnica, falta de empenho dos jogadores. Tudo isso que foi razão da nossa mudança de estrutura."
A mudança foi escolher Dunga para evitar novas 'farras' na seleção. Deu certo. "Só não vê quem não quer. A seleção hoje é o objetivo da maioria dos jogadores. O jogador luta para ficar, permanecer no grupo, e outros para entrar. Houve um resgate dessa vontade de defender a seleção", elogiou Teixeira, que se vê como um dos responsáveis pelo fracasso em 2006, mas nem tanto pelo sucesso atual.
"Em todas as Copas que vencemos e perdemos, a CBF sempre foi presidencialista. Claro que como presidente, faço mea culpa da Copa de 2006. O torcedor não pode ser enganado. Mas nunca escalo e nunca escalei nenhum jogador. Se perguntarem para qualquer treinador, nunca indiquei nenhum, nem vetei", garantiu.
