As críticas de Joseph Blatter, presidente da Fifa, e de Jerome Valche, secretário-geral da entidade maior do futebol mundial, ao estádio do Morumbi, não parecem afetar em nada os planos do São Paulo Futebol Clube e dos governantes da capital paulista em relação ao local que pleiteia receber a abertura da Copa do Mundo de 2014.
Nesta quarta-feira, em reunião realizada no Comitê Paulista para a Copa de 2014, o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, comentou as recentes declarações da cúpula da Fifa sobre a incapacidade do Morumbi em receber jogos importantes do Mundial. E rebateu:
"Respeitamos a opinião do presidente Blatter, que tem sido um amigo de São Paulo, mas ele deixou claro que não descartou o Morumbi para a Copa. Disse que o projeto não serve para abrir a Copa, mas temos a certeza que isso só será decidido em 2011. O Morumbi continua sendo o estádio apoiado pelo governo e pela prefeitura", assegurou, negando a existência de um lobby favorável ao Pacaembu, também em vias de ser modernizado.
Caio jogou a bola para Adalberto Baptista, vice-presidente de marketing do tricampeão brasileiro, também presente ao evento, ao afirmar ter a "certeza de que o São Paulo fará sua lição de casa para atender às exigências da Fifa". E viu o dirigente tricolor compartilhar do otimismo na vitória do Morumbi por jogos importantes, independentemente das críticas que vem recebendo.
Adalberto enalteceu a força do Morumbi em alavancar recursos próprios - sem a ajuda do orçamento destinado ao futebol - para ilustrar a facilidade que o São Paulo terá para saldar uma eventual dívida contraída com o BNDES no financiamento das obras necessárias para adequar o estádio aos padrões de excelência para o Mundial.
"O estádio do Morumbi é uma unidade totalmente autônoma desde 2001 e, até 2008, apresentou 468% de elevação nas receitas, deixando R$ 11 milhões de superávit ao clube na última temporada", revelou. "O São Paulo se sente capaz de fazer investimentos por conta própria e arrumaria parceiros para tal, mas o BNDES fez uma linha de crédito específica para estádios e, por conta disso, o São Paulo, como empresa, se sente no direito de estudar a possibilidade de utilizá-la", emendou.
A reunião contou ainda com a presença do arquiteto Ralf Amann, do escritório alemão GMP, parceiro do Tricolor para a modernização do Morumbi - e que participou dos projetos de estádios na Copa da Alemanha e nas Olimpíadas de Pequim, além de Rui Otake e representantes da CET, da prefeitura e do governo paulista.
