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Ginástica/Bastidores - (10/11/2009 08h00min00 )

Pega no doping, Daiane não vê paralelo com Maurren Maggi


Carolina Canossa - São Paulo (SP)

Pega por uso de furosemida em um exame antidoping realizado em julho, Daiane dos Santos alega que usou a substância durante um tratamento estético e, portanto, não alcançou nenhum benefício esportivo com isso. Trata-se do mesmo argumento utilizado por Maurren Maggi em 2003, mas a saltadora não obteve o perdão e acabou suspensa por dois anos devido a um exame positivo para clostebol, substância que estava em um creme de depilação.

Daiane, entretanto, acredita que não é possível fazer um paralelo entre as histórias. "São casos diferentes. Ela estava apta a competir (quando foi feito o exame) e eu não estava", alegou a ginasta, que recupera-se de duas cirurgias no joelho direito. A futura campeã olímpica deu positivo para o esteróide anabolizando durante o Troféu Brasil, preparação para a disputa dos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo.

A ginasta diz que ainda não conversou com atletas que passaram por problemas semelhantes, caso da própria Maurren e de Jaqueline Carvalho, atleta da seleção brasileira feminina de vôlei, que perdeu o Pan de 2007 por uso de sibutramina, um diurético que ela diz ter ingerido sem saber ao tomar chá verde contra celulite.

"Ainda não falei com ninguém que passou por isso, mas agora estou sentindo na pele como é ruim", admitiu Daiane dos Santos. Apesar de estar ciente do resultado positivo desde o início de outubro, a atleta diz ter sido pega de surpresa pela divulgação repentina do caso, há dez dias. "Eu estava voltando da fisioterapia quando um amigo meu me ligou contando que eu estava sendo investigada pela Federação Internacional de Ginástica (FIG)", lembrou.

Daiane ainda garante que sequer tinha consciência que a furosemida era doping. "Somente este ano foram incluídas mais de 900 substâncias, não tem como saber todas. O último livro que eu ganhei foi nas Olimpíadas. Se eu soubesse todas, vocês (jornalistas de esporte) também deveriam saber", argumentou a atleta, esquivando-se de polêmica quando perguntada se o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) deveria informar melhor os atletas. "Não vou responder isso", disse.

Advogado da atleta desde 2000, Cristian do Carmo Rio tem até o dia 13 de novembro para apresentar a defesa. "A Daiane, inclusive, quer ser ouvida pessoalmente pela FIG", afirmou o defensor da ginasta. "Para nós, o importante são as circunstâncias. Não negamos que ela tenha usado a substância, mas não houve deslealdade no esporte. Estou confiante no desenrolar do caso", comentou, acrescentando que agora "não é conveniente" dar maiores explicações sobre a defesa que será apresentada.