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Reportagem/Futebol - (15/01/2010 12h30min00 - Atualizado 15/01/2010 17h31min04 )
Helder Júnior - São Paulo (SP)

Ricardo Saibun/Gazeta Press
Giovanni é a aposta santista para o Paulistão

Quando estava no Santos, em 2007, Dejan Petkovic não aceitava ouvir críticas por causa de sua idade. "Você acha que pode correr mais do que eu? Vamos apostar uma corrida agora", respondia o sérvio, que hoje está com 37 anos. O 'Vovô Garoto', como gosta de ser chamado no Flamengo, finalmente venceu o desafio, ao conduzir o time carioca à primeira colocação do Campeonato Brasileiro de 2009. Junto com ele, inúmeros veteranos cruzaram a linha de chegada nos campeonatos estaduais desta temporada.

O sucesso de Petkovic abriu a porta dos grandes e pequenos clubes do Brasil para os jogadores experientes e consagrados - o sérvio sempre é apontado como exemplo positivo quando alguém mais rodado é apresentado. Para que os outros 'vovôs' também sejam vitoriosos, as equipes costumam se precaver: encurtam as distâncias das maratonas no torneio estadual e promovem revezamentos, têm paciência com a preparação física dos atletas e mesclam maturidade com juventude em suas formações titulares.

Até o Santos, onde Petkovic não deu uma boa largada, aderiu à moda. Para disputar o Campeonato Paulista, o clube da Vila Belmiro trouxe de volta o seu maior ídolo da década de 1990: o meia Giovanni, que completará 38 anos em fevereiro e vinha de um longo período de inatividade. "Ele é um jogador diferenciado, mas devemos ter cautela com ele. Isso demora. É mais ou menos como fizeram com o Pet no Flamengo", citou o técnico Dorival Junior.

Paraíba retorna ao São Paulo que o projetou

Nos principais rivais, o discurso é o mesmo. O São Paulo enfrenta uma série de brigas judiciais com as suas jovens revelações, porém está em paz com os veteranos. "O primeiro fator para tudo sair bem é científico. A fisiologia ajuda o jogador a prolongar a carreira", confiou o comandante Ricardo Gomes, que ganhou o meia-atacante Marcelinho Paraíba para o seu elenco. "Estamos provando que jogador com idade avançada ainda pode se destacar. Idade não influi em nada. Vejam o Petkovic", também se inspirou o atleta.

Para o Corinthians, então, ter mais de 30 anos era quase um pré-requisito para disputar o ano do centenário do time do Parque São Jorge. O lateral esquerdo Roberto Carlos (36 anos) foi recebido com pompa e terá Tcheco (33), Iarley (35) e Danilo (30) como parceiros em 2010 - além, é claro, do amigo Ronaldo (33). Eles já receberam tratamento diferenciado da comissão técnica na pré-temporada. "Mas panela velha é que faz comida boa", sorriu Iarley. "A minha empolgação é a mesma de um garoto", emendou Roberto Carlos.

Ao contrário dos seus adversários no Campeonato Paulista, o Palmeiras contratou pouco até então - e preferiu jovens valores. A referência da equipe, contudo, ainda é o veterano goleiro Marcos - pentacampeão mundial pela seleção brasileira ao lado do colega Edmilson.

Divulgação/Vipcomm
Petkovic deu o exemplo no Brasileirão-2009

Se o nome de Petkovic é muito pronunciado em São Paulo, imagine no Rio de Janeiro. Os rivais do Flamengo esperam combater o rival com a fórmula que deu resultado no Campeonato Brasileiro. O irreverente uruguaio Sebastián Abreu, de 33 anos, pretende mostrar que a aposta do Botafogo não é uma loucura. No Vasco, Dodô retornou após o seu afastamento por doping e disse que se sente como um estreante. Apenas o Fluminense procurou outro caminho para conquistar o Campeonato Carioca. A média de idade do elenco tricolor é de 22,8 anos.

Em Minas Gerais, o técnico Wanderley Luxemburgo também se rendeu aos jogadores mais velhos. "Todas as equipes devem contar com experiência. No nosso grupo, tempos o Júnior, que é campeão mundial, e o Ricardinho, que foi um vencedor em todos os lugares. Eles serão muito importantes", enalteceu o comandante, sem abrir mão da prudência. "Não vou utilizá-los em todos os jogos. Só quando for necessário", avisou.

No Sul do país, o perfil das contratações é igual. O Avaí espera obter sucesso com o atacante Sávio - aos 36 anos, ele queria ser companheiro de Petkovic no Flamengo. O clube catarinense agiu rápido para não perder os holofotes. "Se não trouxéssemos o Sávio, o Viola seria a grande vedete do Campeonato Catarinense", argumentou Moisés Cândido, coordenador técnico avaiano, referindo-se ao reforço do Brusque. "Os mais velhos já mostraram o seu potencial no ano passado. Tenho tudo para ajudar", entusiasmou-se Viola.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Pelo Bahia, Edílson largou a aposentadoria

Os discursos otimistas repercutiram no Nordeste, onde o Capetinha Edílson desistiu da aposentadoria para jogar pelo Bahia. "Ele esteve na pelada do Ronaldinho e mostrou empenho e que não está tão fora de forma. Não há jogador com a qualidade dele no mercado. O desempenho nos animou. Mas faremos um contrato de risco. Quando jogar, recebe. Caso contrário, não. O Edílson sabe que não pode ser outro tipo de contrato, pois uma lesão demora mais a ser curada na idade dele", avisou Elizeu Godoy, diretor do time.

Para esmiuçar o que direcionou as contratações dos clubes brasileiros para a disputa dos Estaduais, a Gazeta Esportiva.Net preparou uma reportagem especial sobre os campeonatos que terão suas largadas neste final de semana. E os Vovôs Garotos saíram na frente.