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Atletismo/Mundial Indoor - (21/01/2010 10h59min09 - Atualizado 21/01/2010 17h57min15 )

Saltadores brasileiros treinam "no que tem" para Mundial Indoor


Carolina Canossa - São Paulo (SP)

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Nélio Moura prepara treino em pista de borracha improvisada para treinos dos saltadores

Menos de dois meses para a disputa do Mundial Indoor de atletismo, que começa em 12 de março no Catar, quatro dos dez brasileiros confirmados na disputa encararam a abafada manhã da última terça-feira em São Paulo para mais um dia de treinos. O local, o Estádio Ícaro de Castro Melo, tem uma faixa na entrada na qual um aviso é dado: "Fechado para reforma a partir de 17/08/2009". A data, porém, é ignorada e as atividades começam pouco depois das oito horas.

Comandados pelo técnico Nélio Moura, os saltadores Keila Costa, Gisele de Oliveira, Eliane Martins e Jefferson Sabino fazem o primeiro trabalho de marcas do ano precisando se aquecer em uma pista envelhecida, dura, e passando por um gramado irregular, alto em alguns trechos, a despeito da poda realizada na semana passada. Nas arquibancadas, uma goteira lembra que choveu bastante na noite anterior.

É lá também que treinam o campeão olímpico do salto em distância, o panamenho Irving Saladinho, também campeão mundial em 2007, além de Maurren Maggi, primeira mulher brasileira a conquistar um ouro individual na história das Olimpíadas - ainda se recuperando de uma contusão no joelho, a paulista foi obrigada a abdicar do Mundial Indoor.

Sede de diversas edições do Troféu Brasil de atletismo, o Ícaro de Castro Melo tinha abril de 2009 como previsão inicial para a necessária reforma, mas problemas na licitação têm atrasado o início das obras. Diante de tal situação, os competidores lamentam estarem se preparando "no quem tem" para o campeonato mais importante da temporada 2010.

"A pista está horrível, ressecada... Parece que estamos correndo no concreto", indica Gisele de Oliveira, finalista no último Mundial outdoor, em Berlim. "Quando tem que fazer tiro na pista realmente está muito ruim, mas é o que tem, não? Acho que poderia ter condições melhores, mas não depende da nossa vontade", afirma.

Principal expoente do salto em distância do Brasil, atrás apenas de Maurren, Keila Costa concorda. "Colocar sapatilha de prego aí é complicado. Tenho um patrocinador que precisa de um retorno e é um pouco ruim", indica a saltadora.

OBRAS A PARTIR DE MARÇO

Administrador do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, onde está localizado o Ícaro de Castro Melo, Eduardo Anastasi afirmou que a licitação para o início das obras no estádio já tem data marcada: 10 de fevereiro. De acordo com ele, escolhida a empresa, a reforma deve começar dentro de aproximadamente 20 dias.

"A licitação atrasou porque o projeto ficou dependendo da Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS). Além disto, o orçamento também era complexo porque envolve dois anos", comentou Anastasi.

Orçada em R$ 33 milhões, a reforma no Ícaro está prevista para durar um ano e quatro meses, no qual o objetivo é modernizar o local a fim de fazer com que atletas de alto rendimento tenham condições totais de se preparar em São Paulo, além de dar estrutura para a base.

Como a reforma do Centro Olímpico, localizado na Vila Clementino, está prevista para terminar em março, a equipe de 29 atletas de Nélio Moura não deve ficar desabrigada. "Aí, em alguns meses, vamos ter duas opções ótimas para treinar, uma bem pertinho da outra", sonha Nélio Moura.

Tais condições criam até mesmo situações curiosas, como na última quinta-feira, quando Jeferson Sabino foi atingido por uma pedrinha lançada pela máquina de um funcionário que cortava grama durante o treinamento. "Tendo um material melhor vai ter um desempenho melhor porque treinou melhor, mas no momento isto é o que temos", acrescenta o resignado triplista.

Sem condições de treino na pista, Nélio tratou de providenciar um "corredor" de borracha azul no gramado para que os atletas treinem a corrida dos saltos sem desgastar as articulações. Porém, apesar dos problemas, ele não vê seu trabalho prejudicado pela estrutura do Ícaro.

"Isso é o que a gente tem acesso e realmente agora a pista precisa ser trocada. Mas daqui a pouco vamos ter uma borracha boa e o Ibirapuera voltará a ser um dos melhores centros para se treinar no mundo", minimiza o técnico.

"Já deu o tempo de validade da pista, mas agora estamos com o corredor de borracha azul onde fazemos os treinos específicos e ali está tranquilo. Tudo o que a gente planeja conseguimos cumprir. Somos atendidos em tudo o que precisamos", assegura Nélio, que desde que se desligou da Rede Atletismo negocia com alguns clubes, mas ainda sem fechar nenhum acordo.