O lado físico limitou e a motivação não ajudou. Com estes fatores em mente, Nalbert optou por encerrar a carreira de atleta nesta quinta-feira, um período no qual conquistou os principais títulos do voleibol mundial e ostentou a faixa de capitão da seleção brasileira durante sete anos.
"Queria ser lembrado como um lutador, que tentou honrar todas as camisas que vestiu, principalmente a do Brasil. E também como um cara honesto, pois foram essas coisas que me fizeram ser o capitão da seleção brasileira durante tantos anos", comentou o jogador, em conversa com a Gazeta Esportiva.Net.
Não vai ser difícil para Nalbert ser lembrado como um lutador. Na verdade, o adjetivo já é associado ao carioca desde as Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando ele se recuperou de forma impressionante de uma grave contusão no ombro, meses antes da disputa.
Anos antes, no começo da carreira, Nalbert havia passado por momento semelhante: logo na primeira convocação para a seleção brasileira infanto-juvenil, o jogador fraturou o pé, a dois meses do início do Mundial da categoria. Se não tivesse se recuperado, poderia ter perdido a grande chance que impulsionou sua carreira.
Os problemas físicos, aliás, foram uma constante na carreira do jogador. "Sempre tive que jogar no meu limite físico e isso muitas vezes se refletiu em contusões que me prejudicaram", avaliou Nalbert, que perdeu o Pan de 2007 pelo mesmo motivo: contusão.
Às vésperas de completar 36 anos, ele sentiu que o corpo correspondia cada vez menos. "Isso pesou muito. Faz dois ou três anos que eu tenho sofrido bastante, sem conseguir ter uma sequência de alto nível. Também não vejo um grande desafio pela frente, não vislumbro nenhuma motivação como atleta. Saber parar também é uma qualidade", declarou.
Futuro - Nalbert não esconde o desejo de se tornar dirigente ("Principalmente se for trabalhar com algo relacionado às Olimpíadas de 2016, no Rio, minha cidade"), mas por enquanto tem se dedicado mesmo ao restaurante que possui no Leblon e à franquia "Empada Carioca", da qual é sócio.
"Já estou partipando do dia a dia dos meus negócios", contou o jogador, satisfeito com o que fez no vôlei. "De todas as metas que eu coloquei, consegui uns 90%", comemora.
Somente no vôlei praia é que o sucesso não veio, visto que a meta de competir em uma Olimpíada jamais se concretizou.
"Hoje em dia há uma enorme competitividade e o vôlei e o vôlei de praia são dois esportes muito diferentes. Para ser top na praia, tem que começar lá e na quadra tem que começar na quadra. A transição é muito difícil. Além disto, eu contava em ter um parceiro com muitos pontos no ranking para "cortar caminho" na tentativa de disputar grandes competições, mas nunca tive esta chance", lamentou.
