Contra o Detroit Pistons, às 21h (de Brasília) desta sexta-feira, o brasileiro Anderson Varejão será o protagonista da quebra de mais um recorde inusitado. Nos dias que antecederam o confronto, o ala-pivô foi o garoto-propaganda da chamada "Snuggie Night" idealizada pelo Cleveland Cavaliers. A meta na Quicken Loans Arena é entrar para o Livro dos Recordes por reunir o maior número de pessoas usando o snuggie, uma espécie de cobertor de lã.
O Cleveland vendeu os 20.562 ingressos de maneira antecipada e instruiu seus torcedores a chegarem alguns minutos antes do jogo, já que na NBA os fãs têm lugares marcados e costumam entrar nos ginásios em cima da hora. Os milhares de cobertores estarão espalhados em cima de cada assento e a franquia pede que sejam usados durante os primeiros cinco minutos da partida. Um auditor do Livro dos Recordes estará presente e, se a marca for reconhecida, todos ganharão certificados comemorativos.
O recorde exótico não é novidade nem para Anderson Varejão nem para os torcedores do Cleveland Cavaliers. Em fevereiro de 2006, a franquia reuniu o maior número de pessoas usando perucas. Batizado de "Wig Night" (Noite da Peruca) e realizado nas temporadas seguintes, o evento teve o ala-pivô brasileiro como inspiração, pois os milhares de fãs na Quicken Loans Arena usaram réplicas de sua estilosa cabeleira.
Em entrevista por e-mail a GE.Net, o jogador disse ver nesse tipo de ação um fortalecimento de sua relação com os torcedores. Ele ainda minimizou a possibilidade de conquistar uma vaga no time titular após a lesão do pivô Saquille O'Neal e confirmou para 2010 uma segunda edição do amistoso no Brasil com os astros da NBA realizado no ano passado. De quebra, contou detalhes da visita do técnico Rubén Magnano e apostou em um pódio no Mundial da Turquia.
Confira a entrevista na íntegra:
GE.Net - Por lesão, o Shaquille O'Neal deve ficar afastado até o início dos playoffs. Você acha que é uma chance para conquistar uma vaga entre os titulares?
Varejão - Sinceramente, ser titular ou não é algo que não me preocupa muito, não tenho essa vaidade. Sei da minha importância no sistema de jogo da equipe e minha preocupação é de, sempre que entrar, conseguir ajudar o Cleveland e fazer bem o meu papel. Quando entro em quadra, me mato pela equipe e dou o meu máximo. Até porque, muitas vezes, até vindo do banco, eu tenho mais minutos em quadra do que o meu companheiro que começa a partida. A ausência do Shaq é muito ruim para a gente, pela perda de um pivô como ele, que é decisivo dentro do garrafão. Mas a equipe já provou que tem como manter o alto nível mesmo com o desfalque dele ou de qualquer outro, porque temos um grupo muito forte. Estamos fazendo uma excelente campanha, temos o objetivo de lutar pelo título este ano e é nisso que pensamos.
GE.Net - Depois de estrelar a Noite da Peruca em 2006, você é o garoto propaganda da Noite dos Cobertores. Como você encara esse tipo de ação nas partidas?
Varejão - Acho bacana e estou sempre à disposição. Esse tipo de ação é importante para aproximar mais os torcedores da equipe, é uma maneira interessante de entretenimento, o que é um dos diferenciais da NBA. Fiquei feliz quando me chamaram para participar e espero que a gente consiga uma boa vitória sobre o Detroit, adversário de muita rivalidade, para que a festa seja completa.
GE.Net - De que maneira você acha que esse tipo de ação contribui com a sua carreira? Essas coisas ajudam a ganhar popularidade e simpatia entre os torcedores dos Cavaliers e até mesmo dos outros times?
Varejão - Acho que isso fortalece ainda mais a minha relação com os torcedores. O carinho dos fãs é construído com o que faço em quadra, com o meu empenho, com meu esforço, com minha dedicação à equipe em quadra e com minha postura fora delas. Adoro a torcida, adoro a cidade e me sinto em casa aqui. Isso faz muita diferença.
GE.Net - No ano passado, você promoveu um amistoso beneficente com alguns jogadores da NBA no Brasil. Pretende realizar uma segunda edição em 2010?
Varejão - Sim, já estamos pensando nisso. O "Basketball Show Brasil" foi um sucesso no ano passado e alcançamos os nossos objetivos de levar um pouco da NBA para o Brasil, promover entretenimento, e, principalmente, fazer do show uma ação beneficente. Foi a realização de um sonho. Fiquei muito feliz com a repercussão no Brasil e aqui na NBA. Todos elogiaram muito e vamos fazer esse ano novamente, sim, com certeza.
GE.Net - Agora, queria falar um pouco de seleção brasileira. Recentemente, o técnico Rubén Magnano esteve nos Estados Unidos para conversar pessoalmente com você, com o Leandrinho e com o Nenê. Como foi o encontro com ele?
Varejão - Tivemos uma boa conversa e gostei muito do papo. O Magnano é um técnico vencedor, que dispensa comentários, e temos os mesmos objetivos: que a nossa seleção seja ainda mais forte, conquiste títulos importantes e, claro, a vaga para as Olimpíadas de Londres-2012. Acho que ele tem condições de nos ajudar muito, de colaborar com sua experiência, sua vivência e sua capacidade, e me coloquei à disposição dele.
N.R.: O Brasil não se classifica para as Olimpíadas desde Atlanta-1996, quando ainda contava com Oscar. No comando da Argentina, Magnano foi campeão olímpico em Atenas-2004.
GE.Net - O Magnano viajou ao lado do Carlos Nunes, presidente da CBB, do Vanderlei Mazzuchini, diretor de seleções masculinas, e do André Alves, diretor técnico, mas fez questão de conversar em particular com cada jogador. O que você pode revelar desse encontro?
Varejão - Não há muito segredo, não. Ele falou um pouco sobre a maneira como gosta de trabalhar, se mostrou uma pessoa de diálogo, aberta à conversa, e me coloquei à disposição dele. Tenho orgulho de vestir a camisa do Brasil e ele sabe que pode contar comigo. Temos os mesmos objetivos: fazer a seleção brasileira voltar a conquistar títulos, voltar às Olimpíadas. Quero fazer parte disso, porque confio no nosso grupo, sei que temos condições de fazer um bom trabalho e ajudar o basquete brasileiro a ser vencedor de novo.
GE.Net - Com você, o Leandrinho e o Nenê, além dos jogadores de outras ligas do exterior e dos atletas do NBB, você acha que o Brasil é candidato ao pódio no Mundial da Turquia?
Varejão - Sim. Acreditamos muito nisso. Temos um grupo jovem, mas experiente, de talento e que é comprometido, muito unido. Temos uma equipe forte, que vai ter tempo de trabalhar e chegar em Istambul bem preparada para jogar de igual para igual com qualquer outra equipe.
N.R.: No último Mundial, disputado no Japão-2006, o Brasil terminou no 17º lugar. Anderson Varejão, Nenê e Leandrinho não jogam juntos na seleção desde o Pré-Olímpico de Porto Rico-2003.
GE.Net - Para terminar, você tem o sonho de encerrar a carreira no Brasil? É possível estipular uma data para voltar a jogar no País?
Varejão - Com certeza. Minha vontade é essa e vou encerrar a carreira no Brasil, sim. Meu último jogo vai ser com a camisa do Saldanha da Gama, no Espírito Santo, clube onde eu comecei a jogar e com o qual eu tenho uma relação de carinho muito grande. Mas quero voltar ainda em condições de jogar em alto nível e não apenas para dizer que parei de jogar no Brasil. Quero voltar ainda em bom ritmo para jogar realmente, não para fazer uma turnê de despedida. Isso ainda demora um pouco, tenho um longo contrato aqui na NBA. Mas isso faz parte dos meus planos para o futuro, sim, com certeza.
