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Motor/Fórmula 1 - (11/03/2010 20h20min25 - Atualizado 11/03/2010 20h20min28 )
Carolina Canossa e Henrique Goulart (Gazeta Press) -

Divulgação
Agora na Ferrari, Alonso tenta seu terceiro título

Há um ano, nem o mais otimista fã de Fórmula 1 poderia imaginar que a temporada 2010 da Fórmula 1 teria tantos elementos dignos de nota: quatro campeões mundiais na pista, o surpreendente retorno de um mito e duplas com potencial explosivo, além de alterações no regulamento que vão exigir muita técnica dos pilotos e bastante inteligência por parte dos estrategistas.

É assim que a categoria dá, com os treinos livres do GP do Bahrein nesta sexta-feira, a largada para o seu 61º Mundial. A promessa é de emoções muito mais intensas que as do último Mundial, quando o público pôde acompanhar o êxito de um piloto e uma equipe desacreditados, e viver de perto o drama do grave acidente de um de seus astros, Felipe Massa.

Nos bastidores, 2009 ferveu com ameaças da FOTA (Associação das Equipes da Fórmula 1) em criar um campeonato paralelo, as saídas das montadoras BMW e Toyota e a divulgação de um escândalo ocorrido em 2008, no qual Nelsinho Piquet admitiu ter batido deliberadamente para favorecer Fernando Alonso na primeira edição da prova noturna em Cingapura.

Espera-se que, desta vez, o foco das atenções fique somente nas pistas. E a grande expectativa que cerca o início do calendário não poderia ser outra: o retorno de Michael Schumacher. Após três anos de aposentadoria, o maior vencedor da história da categoria não resistiu à paixão pelas corridas e decidiu voltar a fazer o que mais gosta, aos 41 anos de idade.

Seduzido por uma proposta da nova escuderia Mercedes, que comprou a Brawn GP, e de seu antigo parceiro Ross Brawn, presente em todos os seus sete títulos mundiais, Schumi formará um time inteiramente alemão ao lado de Nico Rosberg, que, após dois anos na Williams, finalmente ganha uma oportunidade com um carro de ponta.

A Ferrari, casa de Schumacher por 11 anos, verá seu campeão correr por outra equipe, mas trouxe o bicampeão Fernando Alonso para fazer dupla com o brasileiro Felipe Massa, dispensando Kimi Raikkonen. Desmotivado com o mundo da Fórmula 1, o finlandês optou pelos ralis e corre o Mundial do WRC em 2010 pela Citroen.

Assim como os alemães, os britânicos também terão uma equipe nacional para torcer. A McLaren, que com a criação da equipe Mercedes deixou de ser a principal escuderia equipada com motores da montadora alemã, contratou o atual campeão Jenson Button para formar uma dupla inglesa com Lewis Hamilton, campeão em 2008.

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Com bom desempenho na pré-temporada, Red Bull aposta em Sebastian Vettel, de 22 anos

Completando o grupo das quatro equipes favoritas para a disputa do título deste ano, a Red Bull não fez mudanças na sua dupla de pilotos, que segue contando com o alemão Sebastian Vettel e o australiano Mark Webber. O motor também segue o mesmo, Renault, apesar dos problemas vividos em 2009. Confiando no talento do badalado projetista Adrian Newey, a equipe sonha em manter a curva ascendente iniciada na segunda metade do último campeonato, quando reconhecidamente teve o melhor carro do grid.

Costuma-se dizer que os treinos da pré-temporada não são um indicador confiável, devido às diferenças de condições que cada time costuma fazer seus testes. Porém, durante as sessões de fevereiro na Espanha, Ferrari, Red Bull, McLaren e Mercedes pareceram estar à frente das rivais. "É difícil julgar quem já mostrou todas as suas cartas", explica Schumacher, que aposta em um crescimento ao longo do campeonato para levar mais uma taça para casa.

Consenso mesmo no paddock existe somente quando se fala sobre a alta competitividade da temporada 2010. "Não vimos muita surpresa até os treinos de Barcelona, só muitas equipes brigando 0s1, 0s2 de diferença... Tenho certeza que vai ser um campeonato bem competitivo", comentou o brasileiro Felipe Massa. Apesar de ter dito que o F60 é o melhor carro que já guiou, Fernando Alonso também mantém a cautela quando fala deste início de Mundial. "Ganhar ali é o meu objetivo, mas não uma obsessão. Não sabemos como estão os outros times, então, estar entre os cinco primeiros já estaria bem", destacou.

Correndo por fora ao mostrar consistência nos testes de fevereiro estão Williams e Sauber. A escuderia inglesa, agora empurrada pelo motor Cosworth, é a nova casa de Rubens Barrichello. Entusiasmado como sempre, o brasileiro recordista em GPs na F1 com 288 participações, se entregou à missão de acertar o carro e trabalhou muito na pré-temporada. Com sua experiência e competência, Rubinho pode dar algumas alegrias a Frank Williams. Ao lado do brasileiro, a Williams conta com o novato alemão Nico Hülkenberg, campeão de 2009 da GP2.

Já a Sauber, que comprou de volta o espólio da BMW, também conta com um piloto experiente em Pedro de la Rosa, que, aos 39 anos, já disputou 72 GPs, além de ter sido testador da McLaren por longo tempo. Usando a mesma fórmula da Williams para contrabalançar a experiência, Peter Sauber trouxe o jovem japonês Kamui Kobayashi. Koba, como é conhecido, se destacou nas últimas duas provas de 2009 correndo pela Toyota no Brasil e em Abu Dhabi, mostrando muita personalidade e ousadia na pista - em Interlagos, o nipônico chegou a dar um "X" em Jenson Button, que se sagraria campeão minutos mais tarde.

Acervo/Gazeta Press
Com ingleses Button e Hamilton, McLaren tenta título que não vem desde 1999

Também tentando ascender ao primeiro pelotão está a Renault, que agora pertence majoritariamente ao grupo de investimento Genii e tem suporte financeiro da montadora russa Lada, conta com o veloz Robert Kubica e o novato Vitaly Petrov, vice-campeão da GP2. A equipe tentará fazer bonito nas pistas novamente para apagar o vexame de 2009, quando se viu envolta com o escândalo da batida proposital de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura-2008 para beneficiar Alonso. Então chefe do time, Flavio Briatore, foi demtido, assim como o engenheiro-chefe Pat Symonds.

A Force India e a Toro Rosso mantiveram suas duplas de 2009 e os mesmos propulsores. Apostando na força dos motores Mercedes e contando com com o alemão Adrian Sutil e o italiano Vitantonio Liuzzi ao volante, a Force India tentará deixar de ser apenas uma força nos traçados mais velozes e se colocar de vez entre as forças intermediárias da Fórmula 1. Na Toro Rosso, Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari tentarão boas performences de olho em uma vaga na "matriz" Red Bull.

O grid de 2010 será o maior dos últimos anos com 24 pilotos. Incomodado com a dependência que a Fórmula 1 passou a ter das grandes montadoras e temendo a debandada das mesmas por causa da crise econômica mundial, o ex-presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Max Mosley, promoveu a entrada de três equipes novatas: a Virgin Racing, a Lotus (relacionada com a mítica escuderia de Colin Chapman apenas no nome), e a Campos Meta, que depois virou Hispania Racing Team (HRT).

A aposta, por enquanto, corre grandes riscos de fracassar. Na pré-temporada ficaram evidentes as dificuldades que as três vão encontrar neste começo de ano. Lotus e Virgin sempre marcaram tempos pelo menos três segundos por volta mais lentos que o último colocado das equipes mais antigas, além de constantes problemas de confiabilidade em seus carros. Já a HRT vai ao Bahrein sem jamais ter testado seu carro, que ao menos tem chassis fabricado pela respeitada Dallara.

Para o Brasil, no entanto, estas equipes representam a oportunidade de dois pilotos nacionais estrearem na principal categoria do automobilismo mundial: Bruno Senna, que seguirá a saga da família na HRT e Lucas di Grassi, que ganhou uma oportunidade na Virgin. Ao menos no início, será difícil para os dois almejarem marcar pontos, mesmo com a nova regra que premia até o décimo colocado.

O objetivo deles será, primeiro, bater seus companheiros de equipe, Karun Chandhok e Timo Glock, e também terminar o ano como o melhor entre os novatos. Mesma sorte não teve o argentino José María López, conhecido como "Pechito López" que fechou contrato com a norte-americana USF1, mas se viu sem carro a menos de 15 dias do início do campeonato, com a desistência do time em disputar o Mundial devido à falta de dinheiro.




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