Os destaques do Campeonato Mineiro de 2010 não estão dentro de campo. O assunto mais discutido não são os gols de Obina, do Atlético-MG, ou o futebol de Thiago Ribeiro, do Cruzeiro. O foco está na Federação Mineira de Futebol (FMF) e no Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD/MG).
Depois da polêmica envolvendo a perda de seis do Cruzeiro no estadual deste ano pelo fato do clube ter escalado o atacante Wellington Paulista supostamente de maneira irregular (o jogador foi expulso no último jogo do Campeonato Mineiro de 2009 e jogou na estreia do clube este ano - o caso foi parar no STJD), as atenções estão voltadas, há mais de uma semana, para o jogo entre América de Teófilo Otoni e Atlético-MG que ainda não terminou.
Na quarta-feira, dia 3, a partida foi suspensa aos 20 minutos do segundo tempo porque a forte chuva alagou o gramado. A Federação Mineira de Futebol marcou os 25 minutos restantes para a quarta-feira seguinte, dia 10. O Atlético, se sentindo prejudicado por ter perdido dois jogadores - Diego Tardelli e Correa - que se lesionaram por causa das condições do campo, solicitou à Federação que adiasse a partida. A entidade não aceitou porque o adversário, o América-TO, não concordou com o adiamento.
Poucas horas antes da continuação do jogo desta quarta-feira, o Atlético conseguiu uma liminar no TJD que impedia a realização dos 25 minutos restantes da partida. A defesa atleticana entrou com um embargo se baseando no artigo 42, parágrafo segundo, do regulamento do estadual que diz: "A partida iniciada e suspensa no seu transcorrer pelo árbitro por motivo fortuito, será jogada os minutos restantes, depois de ouvida a Justiça Desportiva, quando possível, caso contrario, por seu referendum".
A Federação marcou o jogo sem consultar o TJD, mas o presidente da entidade, Paulo Schettino, diz que agiu dentro da lei e ainda discordou da decisão do Tribunal.
"Recebemos com surpresa porque fizemos tudo dentro da lei e continuo achando que essa decisão, que sou obrigado a respeitar, não atinge aquilo que nós pensamos porque o TJD é um órgão judicante, não um órgão consultivo. O presidente (do TJD, Silvio Tarabal) suspendeu porque ele disse que nós não consultamos o Tribunal, mas se é órgão judicante nós não temos que consultar. Apesar de não concordarmos, respeitamos. E só não fizemos o recurso certo por causa da logística, porque recebi (a liminar) às 15h20 e não teria mais condições (de recorrer) porque o jogo seria às 19h30", explicou.
Schettino afirmou ainda que só marcará outra data após decisão do Tribunal de Justiça Desportiva.
