Os dois foram geniais, ganharam Mundiais e estão eternizados no mundo da bola. Um morreu na miséria, o outro ganhou tanto que poderá garantir a aposentadoria dos netos. Bom e merecido para Ronaldo. Triste o fim de Garrincha.
Não se pode comparar a vida deles fora do campo em quase nada, a não ser pela incrível atração por mulheres que ambos sempre demonstraram. Garrincha teve dezenas de filhos. Ronaldo ainda está formando sua prole. Volta e meia aparecem pleiteantes a mães. Até de Singapura já veio um "Ronaldinho". Garrincha teve um filho na Suécia.
Gênios em campo com contas bancárias bem distintas. Pela falta crônica de dinheiro, resolveu-se fazer um jogo de festa para o Mané da camisa 7. Foi lindo, até Pelé jogou e fez um dos seus mais belos gols naquela noite, no Maracanã. Garrincha, coitado, era o homenageado. Roliço, sem mobilidade, mal enxergava a bola. Mas foi respeitado. Era a noite dele, o reconhecimento tão merecido. Esqueceu-se o atleta. A festa era do homem que já não podia mais praticar esporte.
No jogo entre Flamengo e Corinthians lembrei-me da festa do Garrincha. Só que o roliço e sem mobilidade não precisava estar lá. Deveria se poupar do vexame. O milionário Ronaldo vagou pela área tropeçando na bola, matando de canela, sendo marcado com enorme facilidade e culminando com uma humilhante vaia, no momento em que dava lugar para Souza.
Entendo o amor de Ronaldo pela bola, porém ele não precisava se transformar numa. Gostaríamos de ver Ronaldo por muitos anos jogando futebol. Mas jogando num nível respeitável. Do jeito que está lembra Garrincha, que precisava jogar por salário mínimo, por cesta básica, mais como peça de circo do que um craque com tanta história.
Ronaldo não precisa disso. Ou emagrece ou para. Em nome do que ele representa, está na hora de repensar a vida dele. Saber parar também é uma arte. Nunca ninguém viu Pelé passar vergonha. Também por essa razão ele foi o maior de todos. Foi triste o que aconteceu no Rio, terra do Fenômeno. Não gostaria de ver outra noite como essa.
