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Colunistas - (31/05/2010 13h04min13 )

O neto do Mão de Onça


São Paulo (SP)

Existem coisas no futebol que são inexplicáveis. Por mais que alguns jogadores errem, são sempre perdoados. E outros, que podem ganhar tudo, mas jamais são reconhecidos.

A seleção brasileira do Dunga, está longe de ser dos sonhos. Ela é bem gringa, com cara européia, jeito europeu e sem ginga. Mas, ganhou o que tinha que ganhar e, até o momento, está cumprindo sua parte.

Porém, quando se contesta o time, normalmente falam-se de alguns profissionais, que não merecem tais críticas. Um é Josué. Campeão paulista, brasileiro, mundial e alemão com clubes e na seleção vencedora do Dunga desde o começo.

O outro é o Julio Baptista. Esse é visto como símbolo do grosso. E nada pode ser mais injusto. Julio Baptista é um produto, bem acabado, do futebol atual. É forte, rápido, tem boa noção tática e é muito funcional. Mesmo não tendo o toque suave, típico dos anos 60, cumpre sempre bem qualquer missão em campo. Ele é altamente confiável, como volante, meia e até atacante.

Você não pode esperar magia do Julio Baptista. No entanto, ele nunca vai te decepcionar taticamente. Consagrado na Espanha, foi para a Itália, onde é respeitado, apesar de reserva de Totti. E no Brasil é tratado como um joão ninguém, um jogadorzinho de quinta linha. Injustiça absurda.

Eu convocaria Julio Baptista para qualquer seleção, se fosse treinador. Não seria meu titular, mas estaria sempre entre as primeiras opções de substituição, já que ele cumpre o que se pede com determinação. Poucos sabem ,mas Julio Baptista viveu no futebol a vida toda. O avô dele foi o mais marcante goleiro da história do Juventus, o Mão de Onça, que sofreu aquele famoso gol do Pelé na Rua Javari, retratado em montagem especial no filme do Rei.

Uma das filhas do Mão de Onça teve um romance rápido e engravidou. O namorado não assumiu nada, mas ela, trabalhadora esforçada, enfermeira de alto nível, criou o garoto com muito carinho e apoio dos avós. Mão de Onça estimulou o neto a jogar futebol. Virou sócio do São Paulo, para que a família soubesse seus locais de frequencia e quem eram seus amigos. Começou no clube e virou atleta respeitado em todo mundo. Menos no Brasil.

Julio Baptista casará logo após o Mundial com uma espanhola e, quem sabe, siga a vida lá pela Europa onde tem o merecido reconhecimento. Ele está na Copa como patinho feio. Eu o respeito muito e confio mais no pragmatismo dele, do que no teórico brilho do seu melhor amigo, o Kaká.





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