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Futebol/Copa 2010 - (03/07/2010 08h46min25) , atualizado em 03/07/2010 09h27min57

Os sete pecados de Dunga que derrubaram o Brasil em 2010

Porto Elizabeth - África do Sul

Durante quatro anos de trabalho no comando da seleção brasileira, o técnico Dunga acumulou decisões polêmicas e bons resultados. Porém, o maior objetivo traçado pelo comandante não foi alcançado. Na última sexta-feira, a equipe perdeu para a Holanda por 2 a 1 pela Copa do Mundo e não conseguiu conquistar o hexacampeonato. Seguem abaixo os sete erros cometidos por Dunga que derrubaram o Brasil na África do Sul.

1. Estilo - O Brasil sempre foi referência de futebol ofensivo, dribles envolventes e jogadas de habilidade. Em 2010, o time comandado por Dunga abdicou da 'fantasia' e apostou no pragmatismo. A equipe era letal no contra-ataque, impecável na retaguarda, mas tinha sérias dificuldades quando o adversário se fechava na defesa e obrigava os pentacampeões a construir jogadas (como no empate por 0 a 0 com a Bolívia no Maracanã e na vitória suada por 2 a 1 diante da fraca Coréia do Norte).

2. Veteranos inexperientes - Os 23 jogadores convocados por Dunga tinham uma média de 29,3 anos, sendo que o time titular tinha uma média de 27,5 anos. É a maior média de toda a história do Brasil em Mundiais. Isto porque quando o treinador assumiu a seleção, pregou a renovação da equipe montada em 2006. Apesar de experientes, dos 23 convocados, 16 jamais haviam entrado em campo por uma Copa do Mundo (Julio César e Luisão foram reservas há quatro anos) e apresentaram certa instabilidade durante as partidas.

3. Nervosismo - Como jogador, Dunga nunca fugiu de uma dividida. Como treinador, também não. O gosto por um confronto do técnico se transferiu para os jogadores do Brasil, que cometeram 78 faltas, levaram sete cartões amarelos em cinco jogos e ainda tiveram dois jogadores expulsos (Kaká e Felipe Melo). Com 13 faltas, o contestado lateral esquerdo Michel Bastos foi o que mais cometeu jogadas violentas. Esta instabilidade e falta de Fair Play (jogo limpo) impediu que a equipe pudesse mostrar seu bom futebol diante de Portugal (empate por 0 a 0) e Holanda (derrota por 2 a 1).

4. Físico - Nenhum jogador do Brasil se apresentou fora de forma, é verdade. Porém, nem todos estavam em suas melhores condições físicas. O caso mais emblemático foi o meia Kaká, que passou grande parte do ano fora dos gramados (por sofrer com uma pubalgia) e foi adquirir ritmo de jogo durante o Mundial. Luís Fabiano e Juan também tiveram vários problemas de lesão antes da Copa. Um dos principais jogadores da equipe, o goleiro Julio César teve que atuar com uma proteção nas costas para conseguir entrar em campo. Durante o Mundial, Elano, Felipe Melo e Julio Baptista também desfalcaram a equipe por sentirem dores, após entradas dos adversários.

5. Reservas dentro - Dunga levou para a Copa do Mundo jogadores em quem ele confiava. Porém, muitos deles viviam 'inferno astral' em seus clubes. Felipe Melo, Doni, Kleberson e Julio Baptista eram reservas em suas equipes. Elano e Robinho não conseguiram se firmar no pouco tradicional Manchester City e tiveram que ser emprestados para conseguir jogar. Além disso, Michel Bastos, ponta-direita do decadente Lyon, foi improvisado como lateral esquerdo, assim como o lateral direito Daniel Alves teve que ser utilizado como meio-campista.

6. Talentos fora - Enquanto jogadores que viviam péssima fase em suas equipes foram convocados, grandes nomes ficaram fora. Referências como os atacantes Adriano e Fred perderam posição na equipe para Grafite. Ronaldinho Gaúcho ficou fora para que Julio Baptista fosse chamado. Meias jovens e talentosos como Paulo Henrique Ganso e Carlos Eduardo, ficaram apenas entre os sete suplentes (que poderiam ser utilizados em caso de alguma contusão no grupo principal), enquanto Kleberson seguiu para a África do Sul. Opção para colocar fogo no jogo, o santista Neymar foi mais um esquecido, apesar de todos os pedidos da torcida.

7. Imprensa - A grande inimiga de Dunga. O técnico fechou treinamentos, se escondeu da torcida, respondeu de maneira ríspida durante entrevistas e de nada adiantou. Apesar de culpar a imprensa e a badalação dos jogadores pela eliminação da Copa do Mundo de 2006, o capitão do tetra teve um desempenho parecido ao dos comandados por Parreira: campeão da Copa América, da Copa das Confederações e eliminado nas quartas de final da Copa do Mundo. Enquanto se preocupava em tratar mal os repórteres, o comandante esqueceu de solucionar problemas da equipe, como a lateral esquerda e a falta de opções no banco de reservas.







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