O Estádio do Pacaembu serviu de palco para um ensaio da Polícia Militar visando à Copa do Mundo de 2014 na manhã desta terça-feira. Para tentar se aproximar das situações reais, a atividade contou a explosão de uma bomba e figurantes que simularam ferimentos, além do Helicóptero Águia.
A atividade começou com a chegada de um ônibus ao portão principal do estádio. Empolgados, os dublês de torcedores, munidos de tambores, foram contidos pelos policiais enquanto causaram tumulto e chamaram os jogadores da delegação fictícia de "pipoqueiros".
Do lado de dentro do estádio, outros policiais fizeram uma varredura antes da abertura dos portões aos torcedores. Com ajuda de um cão farejador, uma bomba foi encontrada dentro de um dos banheiros químicos posicionados na pista ao redor do gramado.
Neste momento, policiais usaram a técnica do rapel para retirar três autoridades das tribunas do Pacaembu. Em seguida, já com a área isolada, um robô controlado pelos oficiais transportou a bomba até uma barraca. Trajado com uma proteção especial, um dos homens encheu a pequena tenda com espuma e o artefato foi detonado em segurança.
No alto de uma das torres de iluminação, um atirador de elite acompanhou a movimentação e estava pronto para intervir caso os responsáveis pela bomba tentassem algum outro tipo de ação. De acordo com os organizadores, o artefato utilizado no treinamento tem capacidade para matar uma pessoa.
Com as arquibancadas liberadas, foi liberada a entrada dos torcedores, que portavam até mesmo foguetes e sinalizadores. Além da revista tradicional, os policiais empregaram um equipamento de biometria facial para identificar suspeitos cadastrados previamente.
Posicionados no setor amarelo do Pacaembu, tradicionalmente ocupado pelas organizadas, os torcedores atiraram bexigas d'água dentro do campo. Em seguida, os responsáceis foram identificados e detidos. Um dos espectadores simulou um ferimento e acabou removido pelos bombeiros de ambulância.
No final das atividades no estádio municipal, um torcedor com ferimento mais grave foi transportado pela ambulância para a pista que circunda o gramado e, na sequência, removido pelo Helicóptero Águia, que desde o início fornecia imagens para o pessoal em terra.
O treinamento com 18 oficiais de São Paulo e 14 de outros estados faz parte do Curso de Especialização de Segurança em Praças Desportivas realizado pelo 2º Batalhão de Policiamento de Choque desde o dia 9 de agosto. A meta da entidade é capacitar 70 policiais por ano até a Copa do Mundo de 2014 a fim de padronizar a atuação no evento.
Boa parte da tecnologia exibida pela Polícia Militar na manhã desta terça-feira ainda passa longe dos estádios brasileiros, nos quais os cambistas são comuns, apesar do Estatuto do Torcedor. Mais do que usar as técnicas na Copa das Confederações de 2013 e no Mundial de 2014, a meta é manter as melhorias para todos os torneios realizados no País a partir de então.
"Com exceção da biometria, já contamos com tudo, mas não podemos usar em todos os jogos. O foco, na verdade, é para depois da Copa para que tenhamos estádios melhores, policiais melhores e torcedores melhores. Não adianta dar show no Mundial e depois não continuar", diz o major Leandro Pavani Agostini, oficial do 2º Batalhão de Policiamento de Choque e instrutor do Curso de Especialização.
