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Reportagens/Futebol - (07/09/2010 07h57min19 - Atualizado 07/09/2010 16h25min05 )
Luiz Ricardo Fini - São Paulo (SP)

Títulos de Copa Libertadores, Mundial de Clubes, Campeonato Brasileiro, Paulistão e recordes permeiam períodos de seca e polêmicas na trajetória de Rogério Ceni com a camisa do São Paulo. Nesta terça-feira, o capitão tricolor completa 20 anos no clube e, cada vez mais perto da aposentadoria, busca um novo ciclo de conquistas para bater ainda mais recordes.

Acervo/Gazeta Press
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Rogério defende pênalti durante partida contra o Universitario, pela Libertadores em 2010

"Eu me considero um atleta que está sempre tentando melhorar. Não existe perfeição, porque você ganha e perde, passa por momentos difíceis, mas o que vale é a média. O importante é manter um nível bom, independentemente de uma ou outra falha. Espero ganhar ainda mais nos próximos dois anos, talvez seja o que me mantenha vivo e motivado. Espero que o São Paulo possa ser campeão novamente até o fim de meu contrato", afirma.

O capitão conhece o doce sabor de épocas vitoriosas, mas também já amargou períodos de cobranças no São Paulo. O atleta fez seu primeiro treino no clube em 6 de setembro de 1990 e, um dia depois, foi aprovado oficialmente em outra avaliação, deixando o Sinop para começar uma das trajetórias mais importantes de um jogador do Tricolor. O goleiro iniciou seus trabalhos nas categorias de base, quando ainda nem existia o moderno Centro de Formação de Atletas de Cotia, onde os garotos da base têm todo o conforto da hospedagem.

Acervo/Gazeta Press
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Rogerio Ceni comemora seu primeiro gol pelo São Paulo, contra o União São João, em 1997

Assim, o Morumbi foi a primeira 'casa' do goleiro na capital paulista. "Quando cheguei à cidade, tinha menos trânsito e, ao ver o Morumbi pela primeira vez, foi uma coisa absurda, era extremamente gigante vendo de fora. Foi a coisa mais impactante que já tinha visto. Agora, passo quase diariamente pelo estádio e virou uma coisa normal, é algo bacana. Mas morei por quatro anos neste estádio", recorda o goleiro, que mora no mesmo bairro do Cícero Pompeu de Toledo e dirige quase todos os dias para o CT da Barra Funda.

Alçado aos profissionais em 1993 para ser reserva de Zetti, Ceni pegou o fim da era de glória comandada por Telê Santana e comemorou a Libertadores e o Mundial do mesmo ano. Mas os títulos de expressão rarearam, e o goleiro assumiu a meta definitiva de titular em um período de seca, em 1997. Mas não sem antes despertar o interesse do primeiro clube que ameaçou tirá-lo do Tricolor.

Acervo/Gazeta Press
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Já como titular, o goleiro conquistou o Campeonato Paulista de 2000

"Tive proposta bacana do Goiás em 1996, quando era reserva aqui. Levei a oferta ao presidente Fernando Casal Del Rey, mas ele não quis me liberar porque o Zetti receberia o passe no fim do ano. Não fui ao Goiás e virei titular do São Paulo, já que o Zetti realmente saiu (para o Santos)", recorda.

Como titular, Ceni garantiu títulos do Paulistão em 1998 e 2000, mas o inexpressivo Supercampeonato Paulista de 2002 foi o último de uma geração taxada como "pipoqueira". A partir daí, um jogador acostumado a glórias viveu seu período de espera, já que o Tricolor só voltaria a triunfar em 2005.

Djalma Vassão/Gazeta Press
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Rogério Ceni ficou, mas Kaká se despediu do Morumbi em período de cobranças e 'pipocas'

Mas antes disso o goleiro já se destacava por uma particularidade: gols. Em 15 de fevereiro de 1997, o arqueiro cobrou falta para marcar seu primeiro tento da carreira, em vitória por 2 a 0 sobre o União São João, em Araras. De lá para cá, a especialidade ganhou fama internacional, principalmente depois de bater a marca de Chilavert. Hoje, o maior goleiro-artilheiro já contabiliza 90 bolas nas redes, sendo 51 de faltas e 39 de pênaltis.

A maior vítima dos gols do capitão são-paulino foi o Palmeiras, que já foi vazado sete vezes. E o Morumbi, claro, é o palco preferido, pois foi no gramado do Cícero Pompeu de Toledo que o capitão marcou 56 tentos.

Djalma Vassão/Gazeta Press
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Aloísio, Rogério Ceni e Amoroso desfilam pelas ruas de São Paulo, na comemoração da conquista do tricampeonato mundial, depois de uma atuação de gala do goleiro na final

Dono também do recorde de partidas com a camisa do São Paulo (já foram 924, bem à frente do segundo colocado, Waldir Perez, com 617), o goleiro viveu seu ápice em um jogo em que não balançou as redes: em 2005. Depois de se destacar na Libertadores, Ceni foi fundamental na final do Mundial de Clubes do mesmo ano, quando fez defesas incríveis contra o Liverpool.

Agora, o sonho é alcançar uma nova conquista internacional antes de encerrar a carreira, já que possui contrato no clube até dezembro de 2012, quando poderá se despedir dos gramados sem nunca ter vestido outra camisa profissionalmente.

"Depois deste contrato, tenho que pensar no que vai acontecer. Hoje, me sinto muito bem e penso que continuaria jogando até os 50 anos, mas não sei como estarei em 2012. Sempre dormi cedo, não bebo e nunca fumei. Isso ajuda muito. Sou muito concentrado em meu trabalho. As lesões acontecem, mas estou feliz aos 37 anos. Nesta temporada, não fiquei fora de nenhum treino, só não participei da partida contra o Mirassol porque era início de temporada. Mas tenho um aproveitamento muito bom", pondera.

Acervo/Gazeta Press
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Pela seleção brasileira, Ceni foi reserva no título de 2002 e também em 2006

Mesmo próximo do fim da vitoriosa carreira, o capitão avisa aos são-paulinos que nunca se afastará do clube, só que prefere não vislumbrar, pelo menos por enquanto, o cargo máximo, ocupado atualmente por Juvenal Juvêncio.

"Um bom jogador não vira necessariamente um bom presidente. A vida prepara surpresas e espero ajudar o São Paulo da melhor maneira possível, da forma que eu sei, no futebol", finaliza.





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