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Dá para acreditar?

São Paulo (SP)

Reconheço que sou ranheta, mas nunca pessimista. Finalmente foram liberadas as alterações no Estatuto do Torcedor. Mas será que dá para acreditar que veremos algo de prático? Quando surgiu a primeira versão desse estatuto, eu vibrei. Tinha segurança de que os estádios seriam numerados, a violência diminuiria com o monitorizamento por câmeras nos campos, que os brigões seriam enquadrados e proibidos de frequentar as praças esportivas. Não aconteceu nada.

Os estádios continuam feudos da uniformizadas. Se alguém foi punido e não pode ver os jogos, tudo ficou guardado em segredo. Os campos podem até ter numerozinhos, porém, ninguém tem lugar garantido nem nas numeradas, o que deixa os nossos patrícios portugueses rindo de nós. Lideres de uniformizadas seguem tendo tratamento de estadistas, com direito a reuniões e cafezinhos entre os comandantes militares, além de escoltas policias a cada clássico.

Agora, com as alterações, juram que esse quadro vai mudar. Será mesmo, ou ficaremos esperando providencias práticas sem obter coisa nenhuma? Sinceramente, achei que as torcidas já fossem cadastradas, que os monitores já fossem obrigatórios e que tivéssemos leis de sobra para punir vândalos. Para minha surpresa, dizem que elas só estão em vigor agora. E a lei é liberada num ótimo momento, para mostrar à Fifa que o Brasil está se preparando para o Mundial de 2014.

Se as propostas de alterações estavam em Brasilia desde 2008, porque só agora entrarão em vigência? Bom, tudo isso não terá importância, se pelo menos dessa vez sentirmos seriedade nas medidas. Confusões nos estádios, cambistas soltos, clubes e cartolas envolvidos em falcatruas temos aos montes no dia a dia. Se quiserem tomar medidas firmes, oportunidades não faltarão. É ver para crer.

Ver as anomalias continuará sendo muito fácil. Já crer que dessa vez a coisa será séria, fica mais difícil. Até porque o próprio Ministro dos Esportes, que deveria ser o primeiro interessado em civilizar os estádios, reclamou da "rigidez" contra as "pobres" uniformizadas. E nem tivemos qualquer punição, ainda. Tem cheiro de medida populista. No entanto, adorarei voltar aqui dentro de alguns meses para me retratar, se as coisas sairem a contento. Não acredito. Tomara que eu esteja sendo pessimista e não apenas ranheta, como sempre.

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