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Eu faria quase tudo que o Dunga fez

São Paulo (SP)

Começam as entrevistas dos "responsáveis" pela seleção brasileira na Copa da África e cada vez mais me convenço de que a culpa do Dunga é mínima. Perguntado, no Estadão, por que não convocou Ganso e Neymar, lembrou que eles tinham aparecido, em bom nível, apenas dois meses antes, já que o grupo definitivo foi aquele do jogo contra a Irlanda, em março. E concluiu perguntando: "Você colocaria um universitário, mesmo com potencial, para fazer a manchete principal do seu jornal?"

Lembrou que em Curitiba não autorizou repórteres porque o pessoal estava fazendo exames médicos e "nenhum consultório mostra seus pacientes". E com a vantagem de que ninguém entrou. Nas Copas anteriores havia privilégios explícitos para a TV Globo.

Jorginho falou à Folha, que não chamaram Ronaldinho Gaúcho, porque ele "sempre negou fogo, quando teve oportunidades com Dunga". Pura realidade. E até Felipe Melo colocou sua versão ao Fantástico da expulsão contra a Holanda. "Eu não pisei no Robben. Eu fui estabanado e acabei pisando nele". Correu o risco, mas a entrada do De Jong contra a Espanha foi mas brusca e não teve expulsão.

Insisto que Dunga foi "traído" pelos teóricos craques. Quando o jogo engrossou para a Espanha na final contra a Holanda, o Iniesta assumiu. Na mesma situação, Kaká e Robinho, se esconderam. Fica difícil para o treinador. Falam da "falta de opções no banco de reservas". O Dunga tinha o Ramires, o Daniel Alves e o Nilmar como opções constantes. Como o Del Bosque sempre colocava o Fábregas, apenas. Ou a Holanda o Huntelaar ou o Afellay. No mais era para reposição. Isso o Brasil também tinha. Se algum zagueiro machucasse entrava o Luisão. Ou Michel Bastos por Gilberto. Aqui talvez pudesse ter o Roberto Carlos, que não foi. Mas, ele não foi considerado o "Felipe Melo" de 2006 com a história das meias?

A seleção do Dunga foi bem preparada e poderia ter sido campeã. Encontrou uma das outras duas com projeto bem feito, no caso Holanda e perdeu. O Sneijder não foi Kaká, nem Robinho, encarou o desafio de frente. Futebol é um jogo, onde voce perdeu ou ganha. Faz parte.

Concluo que precisamos ter mais jogadores que atuam aqui, porque o nível dos 60 melhores jogadores brasileiros na Europa ou aqui, é muito próximo, mas os daqui tem mais identidade com o público. E que o Dunga, agora sim, está preparado para dirigir uma seleção e será um bom treinador. Mas o Ricardo Teixeira deu a cabeça dele, como sempre faz. Ele conseguiu, de novo, sair ileso e nele poucos batem. É mais fácil culpar o Felipe Melo.

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