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Deuses de plantão

São Paulo (SP)

Os gregos acreditavam em vários deuses. Eles dividiam as tarefas de acordo com a especialidade de cada um. Não creio nisso, é claro. Há somente um Deus, Único e Poderoso. Menos no futebol. Esse "deus", que todo boleiro fala em cada movimento em campo, não é aquele Absoluto. Para mim há o Maior e os deuses da bola. Eles estão lá a cada jogo, soprando bolas nas traves, tirando dos goleiros ou dando efeito nos pés dos artilheiros. São brincalhões, acima de tudo.

Mas, em 2010 eles resolveram trabalhar seriamente. Pra ganhar tem que ser melhor. E foi assim no Paulista, apesar de algumas travessuras deles, no jogo final. Na Copa do Mundo, mesmo com as dificuldades iniciais, deu Espanha. E agora, na Copa da Brasil, foi difícil, porém, deu Santos. Que bom que as coisas estão desse jeito. Quando o melhor ganha, o futebol evolui.

Quantas barbaridades fizeram contra a bola brasileira depois da derrota do time de Telê Santana em 1982. E com a vitória do time de Parreira em 1994. Muito sofrimento depois de 1950 e até punições indevidas contra vilões, eleitos a esmo, como o pobre Barbosa e o lateral Bigode. Culpa das gracinhas dos deuses da bola.

Vendo Santos e Vitória cheguei a lembrar deles. A trave, no lance de Renato, aos 25 do segundo tempo, quando ainda poderia dar para o Vitória, deixou claro que nessa decisão não haveria espaço para gracinhas. E deu Santos. O time maravilhoso, que surgiu como um meteoro no começo do ano, já está na Libertadores 2011. E tem condições de ganhar também a Sul-americana e o Brasileiro.

Se mantiver a base, poderá brigar, com favoritismo, também pela Libertadores do ano que vem. Obrigado ao Santos por ressuscitar a beleza no mundo da bola, mostrando que dá para ganhar e jogar bonito. Ainda bem que o Cirque du Soleil prevaleceu. Eu fiquei muito feliz.

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