Não conheço nada de matemática. Menos ainda de administração financeira. Então não sei dizer se o Santos fez um bom ou mau negócio, em termos de investimento, mantendo o Neymar a peso de ouro. Mas, adorei. Se o futebol brasileiro pode ganhar dinheiro com o Ronaldo, mesmo fora de forma, se dá para repatriar o Deco e o Robinho e falar-se com firmeza, mesmo que sem êxito, da volta do Ronaldinho Gaúcho, por que não evitar a saída de meninos maravilhosos, como Neymar e Ganso? Se o Rogério Ceni e o Marcos ficaram e ganharam respeito, carinho e também independencia financeira, o ideal é que se fortaleça o futebol brasileiro a partir da origem.
Primeiro, a cabeça do jogador segue sendo plenamente brasileira. Segundo, os clubes poderão contar com fontes preciosas de lucro, sem ter que inventar nada. Imaginem que o Brasil tivesse vencido a Copa da África do Sul. O que acrescentaria para nós? Nada. Nosso certame regional não teria qualquer vantagem, porque os campeões não jogariam aqui. Deu no mesmo a Espanha ou o Brasil, já que os vencedores serão vistos pela televisão. Já a seleção do Mano Menezes falou ao nosso coração. Sim, jogou muito e além disso, horas depois, aquele pessoal, que vestira amarelo nos Estados Unidos, estava aqui, ao nosso lado, em nossos estádios, jogando para nós.
Que o exemplo do Santos seja seguido. Se o Santos pode, o Corinthians, o Flamengo, ou qualquer grande equipe brasileira, também tem condição. E as atrações ficarão conosco, não com os europeus, ou pior, asiáticos, que nem conseguem desfrutar plenamente o talento deles. Com Ganso e Neymar mantidos no elenco santista e naturais reforços, o Santos brigará por Libertadores e poderá ser campeão do mundo outra vez. Terá menos dinheiro do que se aceitasse os milhões do Chelsea. Porém, retomará as glórias.
Nos anos 60 não houve qualquer grande transação envolvendo jogadores santistas para fora do país. O dinheiro não era farto e consta até que, o que se faturava, era mal utilizado. No entanto, o time permaneceu e nada dá mais orgulho aos santistas do que o time dos anos 60. Que os tempos de ouro estejam de volta. Que esse dia do fico santista seja um marco de uma nova filosofia no mundo da bola.
Venderam centenas de craques e os clubes continuaram endividados e sem glórias. Quem sabe mantendo os fora de série o dinheiro fique aqui, junto com eles. E com seriedade administrativa, as contas poderão fechar. Clube não é banco. Não precisa ter dinheiro sobrando. Basta pagar as dívidas e ganhar títulos e, para que essa política prevaleça, é preciso que os talentos fiquem por aqui mesmo. Na casa deles. Na nossa casa.