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Dificil lidar com a fama

São Paulo (SP)

"É problema interno deles, não devo me envolver".

É com respostas desse tipo que membros de uma equipe de futebol se referem a fatos intrigantes que ocorram entre os adversários. Até por uma questão de não serem  acusados de invasão em assuntos alheios,  técnicos e atletas se abstém de opinar.

E não foi assim, desta vez. As palavras de Neymar, denunciadas por jornalistas e torcedores, julgadas ofensivas a seu técnico, caíram mal entre todos quantos se encontravam por perto. Até alguns fans do jogador saíram na defesa de Dorival Junior.

E nem René Simões (responsável pelo Atlético Goianiense) resistiu. Clara e firmemente, esse cidadão de têmpera extremamente sociável também criticou sem rodeios a  estrelinha santista, preferindo não  se deixar  em cima do muro.

Fim de jogo, todos deixando o estádio, advem o questionamento. O assunto paralelo à euforia pela goleada  era a surpreendente postura do camisa onze.

Sem deixar de considerar como procedimento de alguém muito jovem e ainda sem experiência de vida, a grande maioria ficou com o treinador. Entendendo que, se uma criança comete  uma peraltice dessas, é preciso ensina-la. E o Santos, mesmo que sem alarde, na medida recomendável, saberá como fazer.

Castigo? Nem todos que ouvi pensavam  nisso. Uma conversa tipo olho no olho, uma advertência bem feita, enfim, uma  atitude firme para que o rapaz ache o caminho certo da fama que começa a trilhar, isso, sim, entendiam ser o mais correto.

Sem dúvida, o fato resulta do status de superstar que o jogador vive. Só que a nenhuma celebridade se dá o direito de reagir contra um seu orientador ou companheiro, nem mesmo com gestos ou palavras mais brandas  que aquelas que diversas pessoas disseram ter ouvido na beira do gramado.

Atleta é escalado quando seu técnico entende que merece. Da mesma forma como tem que seguir à risca,  sem retrucar, as ordens emanadas do responsável pela equipe. Então, a indicação de Marcel para  chutar o pênalti era para ser cumprida. E fim.

Melhor do elenco, mais solicitado por torcedores, salário mais alto, seja qual for a diferença a favor de um, ela não entra no jogo. Rolou a bola, pronto, todos são iguais, obrigados a fazer seu melhor com respeito, mas muito respeito no trato com os colegas.

A fama não dá a nenhum bom-de-bola o direito de ser intolerante ou estopim curto quando o  trabalho tem que ser feito  em grupo.

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