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Garoto explosivo

São Paulo (SP)

Impressionante o que se tem falado de Neymar nos últimos dias. Tudo que ele faz ganha um espaço extenso. Ele virou celebridade no momento que optou por continuar no Brasil abrindo mão de um caminhão de dinheiro do Chelsea. Mas, antes, sempre foi motivo de muita conversa com seu futebol, no mínimo irreverente. A melhor coisa que ele fez, até agora, foi pedir perdão pela falha durante o jogo contra o Atlético Goianiense. Se for sincero a carreira dele só fará subir ainda mais.

No Brasil ter sucesso é complicado, isso é inegável. No futebol um garoto explosivo, como esse, gera raiva nas suas vítimas, que gostariam de tê-lo jogando a favor, mas sofrem com suas dancinhas contra. No começo implicou-se com o talento. Era a paradinha, a dança, a risada, a provocação. Até aí pagava o preço da fama e da dor de cotovelo. Depois queriam crucificá-lo pelos chapeuzinhos com bola parada, que enlouqueciam os marcadores. Até aí eu estava com ele. Se irritou o adversário, está perfeito.

A coisa começou a virar quando ele se deixou levar pela ira, após a marcação perfeita e honesta do volante João Marcos do Ceará. E culminou com a encrenca ilógica contra o capitão do time e, principalmente, o treinador Dorival Junior, que sempre o apoiou. Nesse episódio ele perdeu o passo. Ainda bem que veio a público se desculpar.

Acredito nesse menino. Nada mais que um menino, que virou super estrela, milionário e alvo de todos, do dia para noite. Mexeu com a cabeça dele, da família, dos que gostam dele. Muitos aproveitadores chegaram perto, apesar da vigilância do pai, que deixou de ser apenas o pai de um adolescente, para ser pai de um astro, conhecido no mundo todo. Não é fácil. É muito bom o sucesso de um filho, porém, a administração disso é pesada. Basicamente ele leva em consideração o que falam o pai e a mãe. E esse já é um grande ponto a favor dele. Quantos meninos de 18 anos ouvem seus genitores ou aceitam reconhecer que erraram?

Espero um Neymar mais tranquilo, no entanto, não menos irreverente. Ele joga o futebol da essência, do talento cru. Gosta de fazer diferente. E isso incomoda. Eu me divirto e o torcedor também. Os erros devem ser corrigidos. A criatividade, incentivada. Ele já não pode dar paradinha no pênalti, por frescura da Fifa. Nem responder a pontapés com humilhação ao adversário, que lhe bate, porque incomoda muita gente. Se deixar de ser folgado em campo, aí acaba o Neymar. E isso seria ruim para todos. Má educação desportiva, como bem disse o René Simões, não faz bem a ninguém. Ser diferente é bom para todos.

Eu pelo menos quero continuar rindo dos tombos dos modernos joões. E sei que Mané Garrincha, sem fazer comparações, porque seria heresia, também assinaria. Que ele siga trilhando o caminho mágico, em campo, do grande Garrincha. E deixe os ataques de 'Edmundo' para outros.

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