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Neymar: educação, instituição e Psicologia

São Paulo (SP)

Amigos, os recentes casos envolvendo o atacante Neymar  merecem uma análise mais profunda e menos emocional. Até porque  falamos de um adolescente prestes a ingressar na fase adulta e cercado por dúvidas, inseguranças, angústias e necessidades.

Procurar culpados nesta hora é sempre muito fácil. Alguns acreditam que Dorival Junior errou ao punir o atleta de forma severa após os comportamentos de indisciplina do jogador. Outros, entendem que Neymar errou ao xingar o ex-treinador e merecia uma punição exemplar. Neste imbróglio, qual o papel da Instituição? Esta é uma reflexão que pouco li na mídia ultimamente.

O colega e amigo Wanderley Nogueira está certíssimo em seu blog, quando afirma que "Neymar perdeu". Sim, Wanderley, o Neymar perdeu a chance de aprender com os limites que estavam sendo ensinados a ele. Qual a cultura educacional que o Santos demonstra na relação comandante-atletas? Qual é, de fato, a responsabilidade dos dirigentes na cultura, comportamento, desenvolvimento e adequação social dos garotos por eles revelados? Agora, qual a noção de limite que Neymar e os jogadores do Santos terão diante do novo treinador? Me parece claro que a mensagem é a seguinte: "tenho moral, apronto o que quiser e não vou ser punido de forma pesada. Se isso acontecer, os dirigentes me livrarão de um castigo maior".

A questão educacional me parece evidente neste, e em tantos outros casos. Vale frisar que educar significa exercitar, polir, desenvolver, fortalecer, adequar e cultivar. No exemplo de Neymar, o Santos tem nas mãos uma chance de ouro para promover um trabalho belíssimo com este e todos os demais garotos que são gerados em sua base.

Renê Simões, há pouco tempo, comentou que "estão criando um monstro" após presenciar os xingamentos de Neymar em direção ao banco de reservas da equipe e aos jogadores adversários. Muitos entenderam como exagerada a reação do treinador Dorival ao afastar o atleta por um período maior. No entanto, o processo de educação envolve, necessariamente, o ensino de limites no comportamento das crianças e jovens adolescentes. E ainda mais quando o adolescente recebe fortunas e é envolvido pela fama e sucesso, como aconteceu com o Neymar.

O fato é que - após a não concretização da venda de Neymar para o Chelsea - foi criada, de forma velada, uma relação de dívida inconsciente do Santos para o jogador. Neymar compreende que abriu mão de um sonho para defender as cores do clube e se sente no direito legítimo de romper com limites institucionais e éticos. O Santos, por sua vez, sabe que tem uma jóia rara nas mãos e está batendo a cabeça para educar o garoto. O resultado de toda esta confusão inaugura mais uma página do descaso dos clubes em não contratar assistentes sociais, pedagogos e psicólogos do esporte para garantir uma união mais estável entre os clubes (pais) e os jogadores (filhos) que ali nasceram.

Recentemente comentei - em uma matéria postada aqui na Ge.Net - os benefícios do casamento entre a Psicologia do Esporte e o Marketing no futebol. Lapidar o comportamento de atletas, fortalecer os campos emocional, mental e motivacional são fundamentais para garantir sucesso no investimento das grandes marcas que ajudam a sustentar o patrocínio aos clubes.

Neste verdadeiro acordo comercial, o lado humano dos atletas tem sido sumariamente ignorado. O próprio Santos Futebol Clube anuncia, há dois meses, de forma contínua, o desejo da contratação de psicólogo para Neymar e demais companheiros de equipe. Nestes 60 dias, não houve a contratação deste profissional e os problemas que já eram muitos - ganharam ares de complexidade por conta da participação imperativa dos dirigentes para resolver questões que deveriam (ou poderiam) ter sido evitadas caso houvesse um acompanhamento psicológico adequado desde que as primeiras demandas envolvendo treinador e jogador começaram a ocorrer.

O Santos, "de Neymar", sai derrotado e enfraquecido deste conflito. O próximo treinador, certamente,  vai ter muito trabalho para colocar ordem na casa.

Psicologia do Esporte: acesse www.ceppe.com.br

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