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O cinema motivacional de Dorival

São Paulo (SP)

Dorival Júnior assumiu o Atlético Mineiro com a árdua tarefa de tirar o time da desconfortável zona do rebaixamento. Além de conversar, Dorival exibiu um filme para o elenco, com o objetivo de motivar os jogadores, que, segundo ele, estão abatidos com a situação complicada vivida pelo Atlético-MG no Campeonato Brasileiro.

"Precisamos ter cuidado e buscar uma recuperação rápida. Temos de refazer o quanto antes o emocional  da equipe. Creio que esse será o nosso grande trabalho", argumentou Dorival Júnior

Amigos, o discurso e ação do treinador revela, mais uma vez, a dificuldade de dirigentes e técnicos na contratação e valorização da Psicologia Esportiva como aliada dos grandes clubes de futebol pelo país.

O treinador chegou ao clube há pouquíssimos dias e vai passar filme de motivação para um grupo que pouco conhece. A grande questão é: "como motivar um elenco sem conhecer seu perfil e demandas emocionais, motivacionais e psicológicas"? Neste caso, creio, o filme poderá não passar de um programa apenas relaxante para os atletas.

Efeito educacional, didático e motivacional tende a ser zero neste tipo de ação isolada e desvinculada de um contexto analítico mais profundo e estudado.

Os cinemas motivacionais ganham força no futebol brasileiro como recurso emergencial de tentativa de mobilizar e resgatar o equilíbrio emocional dos times. Vale dizer que o conceito e a ação estão equivocados.

Alguns treinadores ainda insistem em ocupar o espaço designado aos psicólogos do esporte. Muitos dirigentes nada fazem para mudar este quadro em que - os principais derrotados - são os próprios técnicos e diretores de clubes.

A utilização de um audiovisual pode ser muito importante - desde que contextualizada de acordo com as demandas e traços de personalidade dos atletas e da equipe. Este tipo de ação é uma das indicadas após o levantamento destas características de perfil psicológico, ganho de confiança e fortalecimento na relação com os atletas. Do contrário, tende a ser uma ação isolada, vazia e, claro, um cartucho desperdiçado em meio a um prejuízo e caos sem precedentes.

Mais uma derrota do futebol para esta nova ciência em desenvolvimento e que tanto pode fazer pelos nossos grupos esportivos.

Psicologia do Esporte: acesse www.ceppe.com.br

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