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Tite chega ao Timão com tremendo jeitão de padre

São Paulo (SP)

Impossível não ficar a poucos metros do novo técnico do Corinthians e não lembrar-se de um seminarista, um sujeito devotado às coisas do espírito, um religioso com uma missão sagrada, seja ela qual for. Sei lá se os ares dos Emirados Árabes ajudaram. Afinal, lá tem uma boa influência do Alcorão e de toda uma cultura islâmica. Fui animado para a apresentação do novo técnico do Timão e saí do CT Joaquim Grava com vontade de rezar. Ué? Alguma coisa estava errada.

Estudei sempre em colégio de padre. Para ser exato, 14 anos. Todos usavam batina naquele tempo, andavam com um terço nas mãos e às vezes até uma bíblia. Tudo era pecado. Cresci em um mundo permeado pela luta entre o Bem e o Mal. Os caras mostravam gravuras clássicas do 'Inferno de Dante' e mandavam os 'capetinhas' ajoelharem no milho. Faço dois anos de psiquiatria, também por isso.

O Tite me fez recordar a infância, envolta por espíritos ruins e bons, e um frio subiu pela minha espinha. E pior, uma triste conclusão: esse cara aí, cheio de conversa difícil, nada objetivo, com jeitão de professor de Ética e Filosofia, é que não vai dar um jeito no Corinthians. Sim, porque na minha época os padres não resolviam nada. A gente fumava, bebia, pegava as menininhas e dá-lhe dez 'Pai Nossos' e vinte 'Aves Maria'. Uma 'Salve Rainha' de reforço e tudo bem.

Depois, até entendi os padres. Era época de sexo, drogas e rock and roll e a Igreja precisava se modernizar um pouco, aceitar os modismos, senão todo mundo iria procurar outro lugar para dar o dízimo. Reviver isso agora, e no Corinthians em crise, parece um pesadelo. Ali não adianta ser boa gente, ter caráter, princípios. Lá contam conhecimento de futebol, argumentos para persuadir as cobras criadas do elenco, treinar certo e passar o desejo de vencer. Talvez, com essa ladainha, Tite transforme o Timão. Faça o milagre dos pães. Ou quem sabe o dos peixes.

Imagino a cara do Ronaldo, do Roberto Carlos, do Paulo André, na hora das preleções. Vão se sentir como eu hoje: diante de um padre, na missa de domingo. Já que fomos para esse lado, é bom fazer uma oração para São Jorge. Talvez São Judas. Por que não Santo Antônio?

A Fiel e o Corinthians vão precisar. E tenho dito!

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