O técnico Tite assume o Corinthians na próxima terça-feira e encontrará problemas não apenas dentro de campo, para reestruturar a equipe, em decadência técnica. Nos bastidores, o grupo está rachado, com problemas disciplinares sérios, responsáveis também pela queda de produção da equipe, que não consegue vencer há sete jogos no Brasileirão.
O problema maior é a herança deixada pelo técnico Mano Menezes, hoje na seleção brasileira. O ex-treinador mantinha o grupo sob controle abrindo concessões. Permitia carteado, vídeogame, cigarros e até bebidas na concentração. Os horários eram maleáveis e os atrasos pouco cobrados.
Pior exemplo vinha de cima. Ronaldo fez mais comerciais do que jogou na atual temporada. Sempre fora de forma, acima do peso, transformou-se em um garoto-propaganda do clube. Diretoria sempre fez vistas grossas. Afinal, graças ao Fenômeno contratos milionários foram fechados e muito dinheiro entrou no caixa.
Os "filhotes de Mano", então, reclamaram. William, Chicão, Elias e Paulo André encabeçaram o grupo, assumindo uma pseudo liderança, mantendo as regras dos "bons tempos" de Mano. Ronaldo e Roberto Carlos, porém, não entraram nessa. Acostumados ao profissionalismo do futebol europeu não aceitam muitas coisas. Uma delas é a "ditadura do grupo" e outra a entrada de torcedores em treinos, coisas com que o conhecido "G-4" nunca se incomodou.
Pior: jovens talentos estão sendo prejudicados por isso. Dentinho, por exemplo, caiu para o lado de Ronaldo e Roberto Carlos. Em campo, não conseguia produzir sem o apoio do Fenômeno. Resultado: entrou em decadência técnica e passou mais tempo no departamento médico do que em campo.
Outro: William Morais ganhava R$ 1 mil reais nos juniores. Quando foi promovido por Mano aos profissionais, passou a receber R$ 15 mil mensais. Desde então, chegou atrasado em três treinos, não foi relacionado por isso, porém, muito menos multado também. A indisciplina passou a ser comum no dia a dia do Timão. Sempre tem jogador dando desculpa esfarrapada para evitar treino.
Adílson Batista, por sua vez, tentou combater os vícios do técnico anterior e foi tido como "ruim de vestiário". Os privilégios do grupo foram mantidos e ele foi para o olho da rua. Agora, Tite terá de colocar a mão nesse "vespeiro". Precisa ter muito jogo de cintura. Cativar os "filhotes de Mano" e levar na conversa os medalhões Ronaldo e Roberto Carlos. Mais do que nunca terá de fazer justa a fama de "conciliador", restabelecendo o equilíbrio do grupo.
E mais: terá de convencer o presidente Andrés Sanchez a deixar o "elenco respirar", sem a incômoda pressão das uniformizadas durante os treinos ou no CT Joaquim Grava, o que também será uma missão quase impossível.
Uma boa sorte para o Barão dos Pampas. Pelo jeito, ele irá precisar muito dela.
E tenho dito!